Filho de embaixador do Iraque com processo de expulsão da escola de aeronáutica

"As ações do aluno são intoleráveis e atentam ao bom nome da escola e de todos os seus alunos e colaboradores", diz a escola em comunicado

A G Air Training Centre, escola sediada no aeródromo de Ponte de Sor onde estava inscrito o filho do embaixador iraquiano em Portugal deu início ao processo de expulsão do aluno, foi hoje divulgado.

O anúncio foi feito através de um comunicado publicado na página oficial da escola na rede social Facebook, entidade onde um dos filhos do embaixador do Iraque em Portugal, suspeito de ter agredido um jovem de 15 anos naquela cidade alentejana, frequentava um dos cursos que aí são ministrados.

Num curto comunicado, a G Air Training Centre repudia o incidente ocorrido na madrugada do dia 17 deste mês, numa rixa que envolveu "um aluno não residente" no campus da escola, acrescentando ainda que, de acordo com o código de conduta da escola, "deu-se início ao processo de expulsão" do aluno.

"Repudiando totalmente o ocorrido, estamos solidários com a família do jovem agredido. As ações do aluno são intoleráveis e atentam ao bom nome da escola e de todos os seus alunos e colaboradores", lê-se no comunicado.

Na mesma rede social, em resposta aos cibernautas, a escola sublinha que "apenas uma das pessoas envolvidas" era aluno da G Air Training Center, descartando ligações da escola ao outro suspeito envolvido na rixa e também filho do embaixador iraquiano.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros também informou hoje que "eventuais diligências diplomáticas poderão ser consideradas" no caso dos dois filhos do embaixador do Iraque em Portugal suspeitos de terem agredido um jovem de 15 anos em Ponte de Sor.

"O caso em concreto está a ser devidamente acompanhado pelas autoridades judiciais competentes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros poderá servir de intermediários com a missão diplomática em questão se tal for solicitado. Eventuais diligências diplomáticas poderão ser consideradas, de acordo com o Direito Internacional, se tal vier a revelar-se necessário no decurso do processo", refere o Ministério, em comunicado.

"Sendo filhos de um chefe de missão diplomática, os jovens têm imunidade diplomática nos termos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A imunidade de jurisdição penal é absoluta e só pode ser objeto de levantamento ou renúncia por parte do Estado representado por essa missão diplomática", esclarece o Ministério.

A imunidade diplomática é uma forma de imunidade legal que assegura às Missões diplomáticas inviolabilidade e aos diplomatas salvo-conduto, isenção fiscal e de outras prestações públicas, bem como de jurisdição civil e penal e de execução.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas prevê também no artigo 9 que o "Estado acreditador" possa a qualquer momento "e sem ser obrigado a justificar a sua decisão, notificar ao Estado acreditante que o chefe de missão ou qualquer membro do pessoal diplomático da missão é 'persona no grata'".

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