Fenprof. Reutilizar manuais escolares para contrariar negócio livreiro

A Federação Nacional dos Professores defende que os livros escolares deveriam ser gratuitos em toda a escolaridade obrigatória

A Fenprof defendeu hoje que a gratuitidade dos livros escolares deve estender-se a toda a escolaridade obrigatória, e apelou a "uma política do manual", que promova a reutilização e que não alimente o negócio das editoras.

"A medida devia abranger toda a escolaridade obrigatória e até pensamos que essa nem sequer é uma medida que tenha um peso assim tão grande no Orçamento do Estado [OE]. Contas feitas, não chega a 1% do OE", disse o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, em conferência de imprensa, hoje, em Lisboa.

O líder da federação sindical comentava a notícia de que os manuais escolares vão ser gratuitos, no próximo ano letivo, para os alunos do 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico, uma medida que o Ministério da Educação (ME) estima que custe três milhões de euros.

"Também achamos que não basta apenas oferecer aos alunos, nomeadamente a nível do ensino básico, até de toda a escolaridade obrigatória, os manuais. É preciso também encontrar uma forma de, por um lado, os próprios manuais poderem ser reaproveitados, porque, por detrás dos manuais escolares, há um grande negócio, feito pelos editores e livreiros", disse Mário Nogueira.

Para a Fenprof, "é preciso pensar mais e ir um pouco mais longe", para chegar a "uma política do livro escolar que tem de ser mais do que apenas pagar".

O ME confirmou, na quarta-feira, a distribuição gratuita de manuais escolares para os alunos do 1.º ano de escolaridade, a partir do próximo ano letivo, na sequência de uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado do PCP.

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