Feira Popular de Natal abre em Alcântara. Amanhã custa um euro

Comerciantes obrigados a sair de Entrecampos para irem para um local que dizem ser mais pequeno e com pouco espaço para equipamentos. Neste sábado há promoção nas diversões

Hélio Amaral não contém a tristeza e o desagrado por a Feira Popular Natal que desde 2010 se realiza em Lisboa ter sido obrigada a mudar-se de Entrecampos para Alcântara. O organizador da feira, que abre hoje portas perto da estação ferroviária de Alcântara-Mar, lamenta que o espaço seja mais pequeno do que o anterior e que, por isso, o número de diversões seja menor do que o habitual, não indo além dos 15. Ainda assim, continuará a ter companhia do Circo Chen e estacionamento gratuito. Amanhã, todos os equipamentos custam um euro.

"É o único sítio dentro de Lisboa onde conseguimos fazer um parque de estacionamento", explica Hélio Amaral que, durante cinco anos, funcionou nos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa, encerrada em 2003. Ao todo, são 500 os lugares gratuitos disponíveis no recinto em que não faltará a tradicional roda gigante, os carrosséis para miúdos e graúdos, o Fantasma do Terror e, para os mais gulosos, as indispensáveis farturas.

No ano passado, passaram por Entrecampos cerca de cem mil pessoas - um número que Hélio Amaral está à espera que decresça nesta edição, devido à nova localização. Apesar disso, o responsável acredita que o evento terá uma "boa afluência". Para tal, não deixará o tradicional dia do euro, que decorrerá já amanhã, com todos as diversões a terem um custo por pessoa de apenas um euro. Nos restantes, existem fichas de dois e cinco euros, que dão para mais do que um equipamento.

A Feira Popular de Natal vai estar aberta até 25 de janeiro, entre as 15.00 e as 24.00, e funcionará a par do Circo Chen, em atividade até 17 de janeiro. A parceria dá continuidade à que já se verificara nos terrenos de Entrecampos, que deverão ir a hasta pública na quinta-feira.

Preço-base é de 135,7 milhões

O leilão do ativo com uma área de construção de 143 mil metros quadrados estava inicialmente marcado para 20 de outubro, mas acabou por ser adiada, depois de o prazo para os interessados se apresentarem a concurso ter terminado sem que a Câmara de Lisboa recebesse qualquer proposta. Os terrenos irão à praça por 135,7 milhões de euros e, no orçamento para 2016, o executivo considera que a sua alienação irá "tendencialmente" anular o efeito negativo no passivo camarário quer da extinção da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa quer do processo Bragaparques, que culminou com a autarquia a acordar pagar à empresa sediada em Braga cerca de cem milhões de euros para consolidar nas suas mãos a posse do ativo em Entrecampos e do Parque Mayer.

Certo é que a Feira Popular, que ali funcionou entre 1961 e 2003, não voltará ao coração da capital, tendo o presidente da autarquia, Fernando Medina, já anunciado que reabrirá num novo parque verde em Carnide, na periferia do concelho. A data para a reabertura não está, no entanto, ainda definida, até porque em causa está "um projeto que vai desenvolver-se ao longo de muitos anos". A opção é vista com desconfiança por Hélio Amaral.

"Aquilo que se quer fazer não é uma feira popular", desabafa, precisando que, para Lisboa ter uma feira popular, bastaria haver um terreno onde os feirantes pudessem instalar as suas diversões pelo menos durante a época natalícia e os santos populares, em junho. Por agora, o responsável garante que, em Alcântara ou noutro lugar, a Feira Popular de Natal não deixará de se realizar nos próximos anos. "Esta pequeno tradição não deixamos sair de Lisboa", salienta

A de 2015 abre hoje em Alcântara. Para Entrecampos, está prevista habitação, comércio - mas não um centro comercial -, serviços e, obrigatoriamente, uma área verde.

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