Falta de literacia financeira "potencia focos de pobreza"

No lançamento do site, ministro da Educação realçou importância de um recurso que vai ajudar escolas, professores e cidadãos, uma "missão" da APB, sublinhou Vítor Bento.

"Capacitar a literacia financeira é capacitar para os direitos humanos." A frase do ministro da Educação na conferência de lançamento do site Saber de Contas, da Associação Portuguesa de Bancos (APB), resume bem a importância deste tipo de iniciativa. Mesmo porque "um cidadão que não é capaz de gerir o seu orçamento, de ler um formulário do banco, do seguro, de planear a sua vida fiscal é um cidadão que está mais vulnerável à exclusão social", justificou João Costa.

É precisamente para ajudar a esta integração, sem deixar ninguém para trás, para explicar processos e tirar dúvidas, mas também ajudar-nos a gerir melhor o orçamento familiar, por exemplo, que surge a nova plataforma, online desde terça-feira e que, conforme vincou o presidente da APB, Vítor Bento, tem por objetivo aumentar a literacia financeira da população portuguesa. Uma "missão" cuja importância a APB reconhece, puxando a si o papel de criar um instrumento de integração fundamental.

"Se no início do século XX a literacia escrita era o principal instrumento de capacitação pessoal, neste início do século XXI, a principal ferramenta diferenciadora é a literacia financeira, acompanhada já por uma capacitação tecnológica e digital", frisou o presidente da APB no evento. Uma posição secundada pelo ministro da Educação, que no encerramento do lançamento frisou que "é vital" à população dominar os mais básicos conhecimentos financeiros, "porque uma má gestão potencia focos de pobreza, com tudo o que isso traz para as nossas vidas".

Na conferência do Saber de Contas, que decorreu no Pequeno Auditório da Culturgest, na sede da CGD, em Lisboa, esteve ainda presente o vice-governador do Banco de Portugal (BdP), Luís Máximo dos Santos, que não poupou elogios ao contributo da APB para a literacia financeira dos portugueses. E houve tempo para ver os efeitos deste tipo de instrumentos, com os inputs da cara do Saber de Contas, Rita Machado, sobretudo em duas faixas essenciais da população: os mais novos e os mais velhos.

No debate, mediado pela subdiretora do Diário de Notícias, Joana Petiz, além da responsável pelo Projeto de Educação Financeira da APB, deram os seus testemunhos Andreia Garcia, coordenadora da Universidade Sénior Única, e Ana Filipa Joaquim, professora do Agrupamento de Escolas Joaquim Inácio da Cruz Sobral, em Sobral de Monte Agraço, cujos alunos foram neste ano os grandes vencedores do European Money Quiz , promovido pela APB.

Rita Machado começou por explicar que o Saber de Contas é um site transversal, sendo útil tanto aos jovens como à população sénior, aos clientes bancários e aos cidadãos em geral, com o objetivo de explicar, de forma simples, temas como o crédito, a poupança, os pagamentos ou a segurança digital. E o vídeo de apresentação do site demonstrou isso mesmo, revelando "conteúdos úteis e informativos", "linguagem simples e acessível", "design intuitivo e navegação simplificada", que permitem um fácil acesso aos mais diversos temas. Aumentar a literacia financeira de quem o procura é o objetivo e por isso, além dos artigos, há explicadores e vídeos tutoriais, com conteúdos disponíveis para diferentes dispositivos (PC, tablets, telemóveis) e para as redes sociais.

Curioso foi o testemunho de Ana Filipa Joaquim, que é professora de alunos do 3.º ciclo e secundário e que se vira do avesso para os conseguir interessar e fazer compreender Economia. E que contou como lhes explica finanças pessoais e orçamentos familiares recorrendo a esquemas originais como dividir as turmas em casais e pondo-os a gerir uma casa, com rendimentos e compras. "Muitos chegaram ao fim a concluir que o dinheiro não chegava para pagar as contas todas", contou. Outra situação que simulou foi a compra de uma casa. "As reações foram muito engraçadas, porque ficaram muito zangados com as taxas de juro", contou a rir, realçando a importância de iniciativas como o Saber de Contas como ferramenta de aprendizagem.

A trabalhar com o target oposto, Andreia Garcia assumiu que uma das principais preocupações da Única, um projeto em cooperação com a Junta de Freguesa da Charneca da Caparica e da Sobreda, tem sido proteger a população idosa da vulnerabilidade a fraudes e capacitá-la a usar, por exemplo, os novos meios de pagamento, para que não fiquem para trás na sociedade, na vida real. "O maior problema é desmistificar a complicação que julgam ser os meios de pagamento digitais, como o MBWay, e depois fazê-los perder o medo", conta Andreia Garcia, garantindo que nesse processo as relações intergeracionais que a Universidade promove são essenciais.

Se entender a importância do dinheiro e a gestão financeira é o que se quer passar aos mais novos, a facilidade e as possibilidades dos meios digitais são a mensagem que passa aos mais velhos e em ambas o Saber de Contas é uma boa ajuda.

Isso mesmo reconheceu o vice-governador do BdP, Luís Máximo da Silva, sublinhando: "É justo reconhecer que há vários anos que a APB se tem assumido como um ator importante na formação financeira, com um papel ativo junto de vários públicos-alvo, de que são exemplo iniciativas como o European Money Quiz e o programa de literacia financeira dirigido à população sénior Tudo o que precisa de saber sobre banca online".

"A APB assumiu como missão contribuir para a educação financeira da sociedade, com especial foco nas camadas onde este conhecimento está mais vulnerabilizado: nos jovens e nos idosos", conclui Vítor Bento, presidente da APB.

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