Falta de água em Fernão Ferro leva populares à rua de garrafão

A população de Fernão Ferro (Seixal) vai esta noite protestar contra a falta de água na freguesia onde vivem cerca de 18 mil pessoas.

Com a chegada do verão repetiu-se a tendência dos últimos anos: ao fim da tarde a água da rede pública perde pressão, embora no último fim de semana tenha mesmo deixado de correr em várias casas, como admite a Câmara do Seixal. Um porta a porta realizado na noite passada por alguns populares convocou os moradores para comparecerem no auditório da Junta de Freguesia, convidando-os a levarem um garrafão, a partir das 21.00.

"Vivo cá há oito anos e todos os verões é isto. A verdade é que as habitações continuam a aumentar e o reservatório é o mesmo", queixa-se Paulo Simões, recordando que sábado chegou da praia cerca das 19.00 horas e teve de "esperar quase até às 23.00" para dar banho aos filhos. "A rede não dá para todos", acrescenta.

Em marcha está uma petição que reclama água para Fernão Ferro, onde se lê que "a população paga um serviço que não tem", pelo que reclama a construção de um Centro de Distribuição de Água, alegando ser a única solução para os "problemas de falta de pressão no inverno e de falta de água no verão".

A Câmara do Seixal, liderada pela CDU, diz ao DN que está "a ultimar os procedimentos necessários" para na próxima reunião do executivo proceder à aprovação do projeto e abertura de concurso para a construção do novo Centro Distribuidor de Água, "no valor de cerca de 2 milhões de euros".

Mas a vereadora do PS, Elisabete Adrião, residente em Fernão Ferro e que esta noite estará de garrafão na manifestação, recorda que já em 2008 fora aprovado em sessão de câmara e na assembleia municipal, um pedido de empréstimo no valor de 3,6 milhões de euros para construção daquela infraestrutura. "Mas mesmo depois da aprovação pelo Tribunal de Contas esse valor foi consumido em despesas correntes", acrescenta a autarca, estranhando ainda que a autarquia tenha "agora chegado à conclusão que já não é preciso os 3,6 milhões e que bastam 2 milhões".

Enquanto alguns comerciantes já garantiram que tencionam juntar-se à ação de protesto, na página do Facebook da Junta de Fernão Ferro somam-se as queixas dos moradores que testemunham a falta de água ao longo dos anos. Há mesmo quem sustente tratar-se de um "problema de saúde pública", por não estarem asseguradas "condições mínimas de higiene" e quem dê conta de avarias de equipamentos, como máquinas de lavar roupa, devido à falta de pressão da água.

A Câmara do Seixal garante ainda ser este o resultado "de mais um furto e vandalização de uma das captações de água que serve aquela área", a que se juntou o combate ao incêndio que no passado sábado deflagrou na zona industrial do Seixal, servido pela mesma rede de água, o que deixou menos reservas para o abastecimento público.

Um argumento que não convence Elisabete Adrião. "Se houve um roubo deveria haver queixa crime. Não nos foi mostrada", insiste a vereadora, recordando que "há mais de dez anos que o centro de distribuição é considerado uma obra prioritária. Só agora se conseguiu esta mobilização por via das redes sociais e porque chegou mais gente nova à terra", explica.

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