Facebook revela perfis de moderadores a alegados terroristas

Cerca 1000 funcionários, de 22 departamentos, foram afetados por uma falha de segurança que expôs perfis pessoais em grupos tidos como radicais ou terroristas

O Facebook colocou alguns dos seus moderadores em risco, depois de revelar as suas identidades a alegados terroristas e simpatizantes com causas radicais.

A falha de segurança afetou mais de mil trabalhadores em 22 departamentos diferentes, que trabalham na moderação e revisão de conteúdos. Além da revisão, removem também conteúdo que não é apropriado, como material de cariz sexual, discursos de ódio e discriminação e propaganda radical e terrorista.

Uma falha no sistema, detetada no final de 2016, fez com que os perfis pessoais de alguns moderadores fossem revelados e apareceram como notificações nos grupos de Facebook cujos administradores foram banidos. Assim, os outros administradores tiveram acessos aos dados pessoais dos moderadores, de acordo com um artigo do Guardian.

Dos cerca de mil funcionários afetados pela falha de segurança, cerca de 40 trabalhavam na sede europeia do Facebook, em Dublin, Irlanda, num departamento de contraterrorismo. Os moderadores perceberam que algo de errado se passava quando começaram a receber pedidos de amizade de pessoas ligadas a grupos terroristas. Seis destes funcionários foram considerados vítimas de "alta prioridade", depois de o Facebook ter concluído que o perfil destes foi visto por potenciais terroristas.

O jornal britânico falou com um dos seis funcionários, que não quis ser identificado. Nascido no Iraque, mas com nacionalidade irlandesa, e pouco mais de 20 anos, o jovem fugiu da Irlanda depois de descobrir que sete indivíduos associados a grupos tidos como terroristas tinham visto o seu perfil pessoal.

"Estava a ficar muito perigoso ficar em Dublin", afirmou, adicionando que tem medo de represálias. O moderador, que chegou à Irlanda em criança, à procura de asilo, foi viver para o leste europeu durante cinco meses. Não é a primeira vez que o terrorismo tem impacto na sua vida. O pai foi raptado e agredido no Iraque e o seu tio foi executado.

"A única razão pela qual estávamos na Irlanda era para escapar ao terrorismo", disse. Indicou ainda que as seis pessoas que se viram em situação mais perigosa tiveram os seus perfis vistos por contas de Facebook associadas ao Estado Islâmico e ao Hezbollah, entre outros grupos tidos como radicais ou terroristas.

O problema de software foi resolvido a 16 de novembro de 2016, mas teve efeitos retroativos, mostrando os perfis de moderadores que tinham censurado conteúdo desde agosto do mesmo anos.

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