"Campanhas são importantes mas não chegam"

Entrevista a sobre natalidade a elísio Estaque, investigador do Centro de Economia Social

Vários distritos têm menos de mil nascimentos. Como mudar este cenário?

A economia entrou numa situação em que nos esquecemos dos investimentos locais para fixar população mais jovem. Se não houver capacidade no tecido económico e das autarquias para desenvolverem projetos locais de modo a que haja vontade dos mais jovens se fixarem, vai continuar a acontecer esta tendência. Se Portugal fosse um barco já tinha virado para o lado do Atlântico. Cerca de dois terços da população está na faixa litoral do país. Estes dados confirmam isto.

Nos últimos anos várias autarquias apostaram em algumas medidas, como cheques, para incentivar os nascimentos. Será suficiente?

As campanhas de natalidade são importantes pela pedagogia e informação, mas não chegam. Não há nenhuma solução de varinha mágica. Vemos alguns aspetos que podem levar a mudanças a prazo. Um deles é a recuperação económica geral do país e da Europa, do trabalho e do papel das autarquias. Estas têm estado estranguladas pela austeridade. Portugal é muito caracterizado pela falta de iniciativa cidadã. É preciso criar redes de governação local. É preciso que as forças vivas de determinada região desenvolvam projetos comuns.

Que redes são estas que podem ser criadas e que ajudem a fixar os mais jovens?

Redes de solidariedade, de entreajuda, bancos de horas em regime de reciprocidade. Há muita coisa que pode ser feita. Espanha tem vários exemplos. Estamos apáticos a este nível. Os poderes locais e nacionais têm dificuldade em dialogar com as diferentes forças vivas das localidades. É preciso um novo impulso com projetos que envolvam a juventude, que os faça sentir que devem apostar na terra onde nasceram. Mas isto não acontece espontaneamente. É preciso que o exemplo venha de cima.

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