Ecologistas entregam dossiê Almaraz a Marcelo

Movimento Ibérico Anti-Nuclear definiu ontem na capital portuguesa o calendário para as suas próximas ações

O Movimento Ibérico Anti-Nuclear (MIA), que se reuniu ontem em Lisboa sob o lema "fechar Almaraz", entrega amanhã à tarde na Presidência da República, em Belém, o dossiê do recurso que interpôs em Espanha a 27 de janeiro, para travar a construção de um novo armazém de resíduos nucleares (ATI) nas instalações daquela central.

"Vamos ser recebidos pelos assessores diplomático e para o ambiente do senhor presidente, que sabemos que está preocupado com esta situação, para lhe entregar essa a documentação", adiantou ao DN António Eloy, o coordenador do MIA para Portugal.

Na conferência de ontem, "a maior anti-nuclear até hoje realizada em Portugal, com mais de duas centenas de participantes", nas palavras do dirigente, o movimento definiu também o calendário das suas próximas ações, com o objetivo de garantir que aquela central nuclear, localizada a cem quilómetros da fronteira com Portugal, é encerrada em 2020, como está definido.

Entre as ações que o MIA ontem aprovou, estão uma nova sessão em Vila Velha do Ródão, marcada para 22 de abril, outra em maio, quando se realiza a próxima cimeira entre os dois governos ibéricos, e uma manifestação conjunta em Madrid, em junho.

A próxima data-chave é já, no entanto, daqui a três semanas, o prazo que o governo espanhol tem para responder ao recurso interposto pelo movimento para parar a construção do ATI, cujas obras já estão em curso nas instalações da central.

"O recurso pode ser negado como improcedente, pode não ter resposta ou pode ter resposta positiva", explica António Eloy. "Nos dois primeiros casos, avançaremos para os tribunais administrativos. No caso de o recurso encontrar fundamento, que é o que esperamos, o processo fica todo congelado e a construção do ATI é suspensa", sublinha.

Tal como afirmaram ontem, em Lisboa, durante a conferência os dirigentes do MIA estão muito confiantes em que a terceira hipótese é a mais provável. "A nossa expectativa é a de que o recurso vai ter ter sucesso, porque está muito bem estruturado e não há contra-argumentário possível para contrariar a sua fundamentação", garante António Eloy.

Entre os fundamentos da ação movida pelas organizações ambientalistas ibéricas, além de Portugal não ter sido ouvido, está também "a violação de diretivas europeias das aves e dos habitats" e o facto de terem sido "usados argumentos falsos" para justificar a construção do ATI.

Para os ecologistas, a construção do armazém é o primeiro passo para o prolongamento da vida de Almaraz, para lá de 2020, o que consideram inaceitável, pelos "riscos que coloca, uma vez que a central já passou de prazo".

Além da ação de natureza jurídica e das sessões públicas, o MIA prepara igualmente uma "campanha de esclarecimento à população portuguesa" sobre empresa de energia espanhola Endesa, que já está no mercado de distribuição de eletricidade e gás natural em Portugal. "A Endesa detém 36% da central nuclear de Almaraz e nós vamos alertar as pessoas para isso, para que não rescindam os seus atuais contratos e não passem para uma empresa que tem na sua lógica de produção 36% de Almaraz", conclui António Eloy.

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