Doentes podem ter até 30 futuros médicos a consultá-los no hospital

Estudo inédito conclui que escolas com mais alunos são as que têm mais insatisfação de quem as frequenta

Um doente que esteja internado ou em consulta num hospital pode chegar a ser observado pelo seu médico e por mais 25 a 30 estudantes de Medicina. O cenário é traçado pela Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), que elaborou um retrato das escolas médicas portuguesas com base em quatro mil questionários. O estudo conclui que a formação médica está em risco pelo elevado número de estudantes, sobretudo em algumas unidades, e que se geram situações de desconforto para os doentes, quando se deparam com verdadeiros "grupos de batas brancas" durante as visitas.

O presidente da associação, Alberto Abreu da Silva, que acredita que não devia haver mais de "três estudantes por tutor", descreve desta forma o ambiente em alguns hospitais. "Nas áreas médicas são batas brancas, nas cirúrgicas são verdes. Por vezes, os estudantes acabam por ser preteridos, porque além deles podem estar no local os internos da especialidade e os do ano comum, que têm prioridade", exemplifica. O estudo desenvolvido em dois anos letivos, 2011-12 e 2013-14, que envolveu todas as oito escolas médicas do país, parte de uma conclusão básica: que o número de alunos das faculdades de Medicina aumentou quatro vezes desde 1995 (ver caixa).

Desde logo, analisa as consequências deste acréscimo de alunos, como o "risco de perda de integração entre a formação graduada e pós-graduada". Com o limite de 1500 a 1600 vagas para o internato, "nem todos os candidatos terão acesso a vaga".

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