Discursos de 140 líderes mundiais abrem conferência

Paris é a capital mundial do clima e vai definir próximos passos contra as alterações climáticas

Um desfile de políticos notáveis, que incluem o presidente dos Estados Unidos Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente russo Vladimir Putin, ou o líder chinês Xi Jinping, entre 140 chefes de estado e de governo que ali são esperados, marca hoje o arranque da Cimeira do Clima, em Paris. Se se confirmarem as melhores expectativas, esta é a conferência que pode relançar a luta para travar as alterações climáticas, seis anos após o falhanço de Copenhaga, que não foi além de uma declaração final pomposa, sem qualquer acordo vinculativo.

Há sinais que apontam agora no sentido positivo. Desde logo, o facto de a esmagadora maioria dos 196 países presentes na cimeira já terem entregue os respetivos compromissos nacionais para reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa (INDC) - eram 180, até ontem.

Isso constitui uma base negocial de partida como nunca houve antes numa conferência destas, embora este bolo global de redução das emissões seja muito insuficiente para evitar uma subida da temperatura média do planeta superior aos dois graus até final do século, em relação à era pré-industrial. Estes dois graus, considerados pelos cientistas como o limite máximo seguro para a subida da temperatura da Terra, foram, ironicamente, assumidos em Copenhaga, como a meta a cumprir num acordo climático global.

Feitas as contas aos cortes que cada um se propõe fazer, o aumento da temperatura andará, pelo menos, nos 2,7 graus. É por isso que muitos observadores estão a colocar grande ênfase na necessidade de aprovação nesta COP de um outro instrumento fundamental: um mecanismo de avaliação e revisão das metas, que permita gradualmente reduzir ainda mais as emissões, para se poder chegar aos tais dois graus.

Um bom sinal é o facto de a China, um dos maiores poluidores atuais, que se propõe atingir um pico de emissões antes de 2030, já ter aceite esse mecanismo de revisão, deixando assim supor que poderá ir além do que agora avança como compromisso nacional.

São também animadores os sinais que chegam dos Estados Unidos, que vão cortar até 2025 entre 26% e 28% das suas emissões, relativamente ao valor de 2005. A administração Obama tem mostrado estar comprometida com a descabonização da economia e um acordo como o Paris, não tendo que passar pelo crivo do senado, é mais fácil de gerir pelo presidente dos Estados Unidos.

Bastante mais ambiciosa, como sempre foi, aliás, é a posição da União Europeia, que vai reduzir as suas emissões em 40% até 2030. Central, para concretizar este objetivo, é a aposta forte nas energias renováveis e no aumento da eficiência energética.

Apesar de todos estes indícios favoráveis, há muito caminho ainda para andar. As negociações começam hoje em Paris e, embora os discursos dos líderes políticos se adivinhem assertivos, o sucesso não está garantido. E a Terra não espera: na prática, um dos dois graus que os cientistas pensam ser a margem segura de subida da temperatura do planeta já está atingido, como anunciou há dias a Organização Meteorológica Mundial, que vai também catalogar este ano de 2015 como o mais quente desde que há medição instrumental de temperatura. O tempo urge.

As próximas duas semanas vão por isso ser decisivas para o desfecho das negociações e, claro, também clima da Terra e toda a vida que ela alberga.

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