Dinossauros invadem as ruas da Lourinhã

Há desde ontem um tiranossauro rex junto à câmara municipal, e há outros pelas ruas. estes são os primeiros sete do futuro parque temático

Andaram por aqui há 150 milhões de anos os répteis gigantes de carne e osso. Pisaram este chão onde hoje estão a igreja, a câmara, o edifício do turismo, as casas, as ruas. E agora estão ali de novo, espalhados pelas praças da vila, em tamanho real e de cores apetitosas, fiéis à descrição que a ciência faz deles. São os primeiros "habitantes" do futuro Parque de Dinossauros da Lourinhã que, se tudo correr como previsto, abre portas a 1 de janeiro do próximo ano. Esta "invasão" é só uma pequena amostra do que aí vem na terra dos dinossauros.

Para já são sete. O tiranossauro rex, com 13 metros de comprimento, está junto à câmara municipal, o stegossaurus deteve-se mesmo em frente da igreja, o allosaurus foi colocado ao pé do edifício turismo. Os outros estão noutros pontos igualmente centrais: junto ao mercado, no pátio do museu, e cá fora, na rua. São a materialização da ideia que a Lourinhã tem de si própria e de como ela é vista também a nível internacional: como capital dos dinossauros.

"O concelho da Lourinhã está no top 10 das regiões do mundo de grande valor científico no que respeita aos dinossauros e à paleontologia, com várias espécies diferentes, algumas únicas, descobertas nesta região, e nós queremos reforçar essa imagem de capital dos dinossauros", explica ao DN Vital Rosário, o vereador da Câmara Municipal da Lourinhã que acompanha de perto, desde há seis anos, o projeto para a criação de um parque temático no concelho dedicado aos antigos répteis gigantes.

"Dada a riqueza paleontológica única da região" - que se foi tornando mais e mais evidente a cada nova descoberta -, "há duas décadas que havia esta ideia, mas só há seis anos avançámos para um concurso externo internacional", conta o autarca, explicando que a escolha recaiu sobre "um parceiro alemão com uma grande experiência nesta área, com vários parques em diferentes países, incluindo na Alemanha".

Com apoio do programa europeu Compete 2020, as obras já se iniciaram no local onde vai nascer, em 2018, o Parque de Dinossauros da Lourinhã, um terreno de 36 hectares com pinhal adulto, que é propriedade do município.

As 120 réplicas à escala real dos répteis que há muito se extinguiram da face do planeta e que ali vão estar patentes, a ilustrar as diferentes épocas em que viveram, em vários locais e percursos ao ar livre, para os visitantes percorrerem, também já estão a ser produzidos. Os primeiros seis acabam de chegar: são aqueles que desde ontem dão um alegre toque "jurássico" às ruas da "capital dos dinossauros".

São só os primeiros e a sua presença nos passeios e nas praças da vila antecipa um evento já agendado para agosto, chamado "Dinossauros saem à rua", que pretende, mais uma vez, chamar a atenção para esta temática.

"Entre 11 e 13 de agosto vamos fazer uma série de atividades sobre os dinossauros que serão sobretudo dedicadas às famílias, com exibição de filmes, palestras, jogos, ateliers de simulação de escavações e outros", adianta, por seu turno, Lubélia Gonçalves, presidente da direção do Museu da Lourinhã, um dos três parceiros do futuro parque temático - os outros dois são o município e o promotor do empreendimento, o Parque de Dinossauros da Lourinhã, Lda.

O programa para agosto "ainda não está fechado", mas é já certo que os dinossauros vão mesmo sair à rua esses dias. "Nessa altura vão chegar mais uma série de réplicas das 120 que vão estar o parque e vamos mostrá-las, como estas", afirma Vital Rosário.

Quando o parque estiver a funcionar, o município espera receber mais 200 mil novos visitantes por ano, aos quais não quer oferecer apenas a excelência que tem na área da paleontologia e do lazer que o novo equipamento vai proporcionar, juntando ciência e divertimento. "Temos este potencial dos dinossauros, mas temos também uma gastronomia rica, uma aguardente doc, que é única na Europa, a par do conhaque e do armanhaque franceses, e temos ainda praias e campo para os visitantes descobrirem", garante.

Quanto ao futuro parque, a sua concretização é para o paleontólogo Octávio Mateus, seu colaborador científico, e o descobridor de várias novas espécies de dinossauros na região, "a concretização de um sonho com 20 anos", confessa. "Ter um equipamento destes, que alia a divulgação do conhecimento ao lazer só pode ser bom", diz, sublinhando que ele "vai também promover mais investigação e mais emprego na paleontologia e também na região".

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