Deixaram as casas e fugiram ao fogo só com a roupa do corpo

Fogos forçaram mais evacuações de aldeias, agora em Arcos de Valdevez e em Boticas. Planos de emergência variam nos concelhos

A fúria das chamas levou os moradores da Paradela a sair de casa sem tempo de olharem para trás. No corpo levaram apenas a roupa que vestiam no momento em que as autoridades apareceram para os informar de que tinham de sair dali o mais rápido possível. Eram 50. Os mais velhos não hesitaram em aceitar a ordem, mas houve quem ficasse, preferindo combater o fogo. Ali perto, a população da Várzea passou por momentos de alta tensão. Mesmo quem queria fugir não conseguiu porque esteve cercado pelas chamas. O Plano Municipal de Emergência (PME) foi ativado.

Um cenário de terror em Arcos de Valdevez, mas que se repetiu vezes a fio neste verão, com a Madeira a ser a região mais afetada na sequência dos incêndios que destruíram 160 habitações, havendo necessidade acolher perto de 600 pessoas no Regimento de Guarnição 3, no Funchal. Também Arouca viveu dias difíceis, com os moradores da aldeia da Castanheira a serem retirados de suas casas ameaçados por incêndio que lavrou 20 horas na serra da Freita. Também ontem em Boticas alguns moradores foram forçados a abandonar as habitações na aldeia de Torneiros. Um fogo que lavrava desde segunda-feira aproximava-se a passos largos.

Numa franja significativa do Parque Nacional Peneda-Gerês, no concelho de Arcos de Valdevez, que neste ano também já tinha retirado moradores, voltaram a estar vidas em perigo, animais mortos e casas ameaçadas por um fogo descontrolado. Ainda a tarde ia a meio quando calor e vento fizeram despertar o monstro que tinha dado sinais de vida pela manhã mas que parecia ter adormecido.

Era agora tempo de ativar o PME, porque as chamas já estavam à porta do moradores representando riscos para a população, possibilitando dotar os bombeiros de mais meios. O plano de Arcos de Valdevez (os PME variam consoantes a tipologia de cada concelho) contempla a disponibilidade de mais ambulâncias para o teatro de operações, entre outro tipo de serviços, como explica o vereador da Proteção Civil, Olegário Gonçalves. "As autoridades que fazem parte do plano também ficam em estado de alerta", exemplifica. Quer isto dizer que o centro de saúde local e o Hospital de Viana do Castelo passam estar de prevenção, bem como os diretores dos centros sociais do concelho ou as escolas que disponibilizam cantinas e pavilhões.

À hora de fecho desta edição, os moradores da Paradela já estavam a salvo, depois de terem passado pelo Centro Social do Soajo, tendo sido fornecida a primeira alimentação, além de assistência médica e psicológica como também prevê o PME. "Se for preciso temos alojamento para todos", garantia, tendo disponível um piso do centro de saúde que foi desativado e algumas camas nos centros sociais e paroquiais do concelho. Também há pavilhões municipais ao dispor se o número de desalojados for maior. Uma coisa é certa: "Só depois de o comandante garantir que não há risco é que as pessoas vão regressar." À noite houve já quem voltasse a casa.

Um processo que o presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, bem conhece depois dos incêndios de agosto que fustigaram o concelho, obrigando a levar 30 pessoas para o pavilhão do escola secundária e seis acamados para a Santa Casa. Viu arderem três casas, sendo uma delas de primeira habitação. "A pessoa ficou com a família que nos está ajudar a recuperar o imóvel", revela, enquanto os outros dois proprietários terão de esperar pelo apoio do Estado.

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