Da Quinta do Mocho para Alvalade sem esquecer o bairro

300 mil jovens, de bairros problemáticos, frequentaram o Programa Escolhas em 15 anos de atividade. O DN conta algumas histórias de sucesso

Carlos Mané foi viver para a Academia do Sporting com 14 anos. Apesar de morar em Lisboa, o seu bairro é considerado problemático. Nasceu na Quinta do Mocho, a curta distância de poder enveredar pela delinquência juvenil. Teve alternativa: o projeto Esperança do Programa Escolhas, passava lá as tardes. E uma vontade imensa de vencer no Sporting, para o qual foi "contratado" aos 6 anos.

"Andávamos por lá, no bairro, um senhor foi ter connosco e falou no Programa Escolhas, tinha 7 ou 8 anos. Disse que faziam atividades, muitos fomos e aquilo ajudou-nos. Vinha da escola, almoçava e ia para lá em vez de estar sem fazer nada. Aquele é um bairro complicado", recorda o extremo-direito da equipa principal do Sporting, a que subiu há dois anos. Cumpriu-se o primeiro sonho: jogar no clube de eleição. E também o segundo: ser um exemplo para os jovens do bairro. Duas a três vezes por semana, o BMW do jogador entra na Quinta do Mocho. Todos os cumprimentam. "Ficam contentes, pensavam que quando chegasse à equipa principal não iria tantas vezes, mas vou sempre que posso. Tenho lá os amigos, a família e moro perto."

Mané é um dos casos de sucesso do Escolhas, um programa governamental para jovens em risco, na maioria oriundos de bairros sociais. Iniciado em 2001, tem um investimento anual de seis milhões de euros, dos quais quatro milhões da UE. No ano passado recebeu o Prémio Internacional Justiça Juvenil sem Fronteiras. Vai na 5.ª Geração, que termina em dezembro, ao fim de três anos. Envolveu 78 985 jovens em 141 projetos, 71% dos quais de etnia cigana. Estão abertas as candidaturas para a 6.ª Geração até 30 de novembro.

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