Conhecer o ritmo pode ajudar na medicação

Claúdia Cavadas é investigadora na Universidade de Coimbra

Que impacto é que a descoberta dos mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano pode ter no futuro?

Podemos olhar para este gene relógio e tentar perceber se houver alterações deste tal ciclo se calhar vão predizer se vai ter determinada patologia. Acho que isso pode ser muito importante. E podemos olhar para isto de outra maneira: estes processos biológicos são cíclicos, são muito relevantes se pensarmos em medicamentos. Alguns medicamentos tomam-se de manhã, outros à tarde. Conhecendo estes mecanismos mais moleculares mais básicos podemos perceber que aquele fármaco tem de ser administrado a essa hora porque vai ser mais eficaz e menos tóxico. É a chamada cronoterapia.

O vosso estudo é como o relógio biológico interfere no envelhecimento?

Vai ser o nosso foco e as doenças que estão associadas ao envelhecimento. Estamos a trabalhar há cerca de dois anos e meio.

Acha que será possível ajudar o corpo a envelhecer de forma mais saudável?

A ideia é conseguir ter mais anos de vida saudável. Acho que é possível, claro que adaptado a cada um. Mas há estratégias e aqui entra também o relógio biológico e um componente é o sono. A manutenção do sono, não trocar os dias pelas noites, manter os ciclos é uma área que se tem prestado pouca atenção, mas vai aparecer cada vez mais. Pode haver um desajuste no ritmo circadiano quando trocamos os dias pelas noites, mas também com a alimentação. Comer numa altura em que não é suposto, o relógio central fica desregulado, atrasa. Porque o hipotálamo é também o local de controlo do apetite. Há áreas do hipotálamo que não só controlam o ritmo circadiano, mas o apetite, a temperatura, o sono. Isso é muito importante se pensarmos que forçar, de uma forma patológica ou não, o ritmo circadiano a dessincronizar poderá ser útil em que pessoas que seja necessário realinhar o ritmo.

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