Condutor da carrinha foi transferido para unidade psiquiátrica

Autoridades francesas analisam destroços da carrinha, para apurar se foi adaptada com cadeiras dobráveis

"A freguesia está solidária com o Ricardo e com a família. É um rapaz muito humilde e trabalhador, de quem toda a gente gosta. É um momento muito difícil." Luís Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Carapito, concelho de Aguiar da Beira, diz que as pessoas da aldeia onde vive o condutor da carrinha que sofreu o acidente em França, na quinta-feira, ainda estão muito transtornadas. Ricardo Pinheiro, 19 anos, o único sobrevivente do choque que vitimou 12 portugueses, foi internado numa unidade psiquiátrica, em França, e só será ouvido pelas autoridades na próxima semana. O tio, proprietário da carrinha e que seguia noutro veículo, também está internado em choque.

Ricardo conduzia uma Mercedes Sprinter a partir de Romont, na Suíça, com destino a Portugal. Consigo seguiam 12 portugueses, que morreram na sequência do choque frontal com um camião na Estrada Nacional 79, em Aillers, em França. Após o sinistro, o jovem foi internado em estado de choque nas urgências psiquiátricas de Moulins. Na sexta-feira, foi transferido para uma outra unidade psiquiátrica naquela zona por "alguns dias", explicou o procurador de Moulins, Pierre Gagnoud, à agência AFP.

O procurador recordou que a carrinha "não era um pequeno autocarro e não é adequada, por natureza, para o transporte coletivo." No decorrer da investigação, será reconstruída a partir dos destroços, para determinar "se tinha sido construída especificamente para o transporte de pessoas", o que parece "pouco provável". Pierre Gagnoud acredita que possa ter sido feita uma "adaptação artesanal, totalmente inadequada, com cadeiras dobráveis e com os passageiros sentados na parte de trás em assentos improvisados"

Arménio Pinto, proprietário das carrinhas que faziam o transporte de emigrantes e mercadorias, recorria várias vezes à ajuda do sobrinho para as viagens à Suíça. "Pelo menos há um ano que o Ricardo fazia estas viagens. Está habituado a conduzir e conduz bem", conta Luís Pinto. Além disso, o jovem ajuda os pais num aviário gerido pela família. "Não gostava muito de estudar, mas sempre foi muito trabalhador." Os pais do jovem ainda estão em choque. "O pai não para de chorar e a mãe até já esteve internada", adianta o presidente da junta de freguesia.

Na sexta-feira, o capelão das Comunidades Portuguesas em França e a cônsul portuguesa tentaram visitar Ricardo, mas não foi possível. "Disseram-nos que não é oportuno e que ele não está em condições, já que está totalmente chocado e sedado", disse José Luís Monteiro à Lusa.

Entretanto, as famílias das vítimas já chegaram a Moulins, onde foi instalada uma unidade de apoio médico e psicológico. Ao DN, o secretário de Estados das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, adiantou que se vai deslocar para Lyon na segunda-feira. Se tudo correr como esperado, afirmou, "na terça-feira devem estar reunidas as condições para que se possa proceder à trasladação dos corpos". Embora o Estado tenha oferecido apoio, as famílias de onze vítimas optaram por desenvolver as diligências e "quiseram responsabilizar-se pelo transporte" dos corpos. Como na segunda-feira é feriado em França, os documentos necessários só estão disponíveis na terça-feira.

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