Chuva trava enchente em Troia mas Páscoa tem programa especial

Reservas registadas até quarta-feira estavam abaixo dos valores alcançados há um ano

Hélder Chagas sabe que as unidades hoteleiras de Troia estão com uma taxa de ocupação "simpática" para o fim de semana de Páscoa, mas as reservas registadas até quarta-feira continuavam abaixo dos valores alcançados há um ano, quando o mais célebre "resort" do concelho de Grândola se aproximou da procura alcançada em julho ou agosto, antecipando o verão. Como tal, já decidiu: Desta vez não vai reforçar a montra de peixe nem contratar mais funcionários para o seu restaurante, contrariando o que fez em 2015. A culpa é da chuva que se anuncia para sábado e domingo.

"Troia continua a depender muito do sol. Há um ano a Páscoa foi excelente, já com algum calor e tempo seco. Até houve pessoas que tomaram banho. Isto encheu ao ponto de se trabalhar nas próprias esplanadas. Mas com chuva não vale a pena investir", lamenta o proprietário do restaurante Ribamar, em plena marina de Troia.

A própria administração do Troiaresort, que preparou um programa especial de Páscoa (ver caixa), admite que o tempo está ser determinante para que as reservas não atinjam os valores alcançados no ano anterior, quando a temperatura média foi de 25 graus, como recorda o diretor João Madeira, admitindo que apesar do fluxo de clientes estar "ligeiramente abaixo" da Páscoa de 2015, ainda pode haver alterações. "Historicamente e pela proximidade a Lisboa, as reservas de última hora têm um peso muito significativo", diz o mesmo responsável.

Quem não esperou pelas notícias da meteorologia foi a família Duarte, residente em Lisboa. Claro que também preferia que o tempo ajudasse, mas o pai João marcou uma semana de férias logo em fevereiro para a península, onde alugou um apartamento para cinco. A mulher, dois filhos e um sobrinho. "É a terceira vez consecutiva que optamos por ir para Troia na Páscoa", revela, justificando a opção com a proximidade de Lisboa, mas não só.

"Começamos por um passeio de barco para atravessar o Sado e vamos ao encontro do descanso, do golfe, da possibilidade de correr na praia e andar de bicicleta com os miúdos sem estar preocupado com os carros", justifica, assumindo estar "ansioso" para que cheguem os cinco dias de férias, que começam este sábado, tendo prometido à família um passeio no rio para ver a famosa comunidade de golfinhos.

Mas o negócio não se afigura promissor para quem trabalha neste ramo. Também por causa da chuva. Que o diga Pedro Narra, sócio da empresa Vertigem Azul, dona de um catamarã que navega no Sado à procura dos cetáceos. "Vai mexer mais um bocadinho do que o habitual, mas com o tempo bom seria muito melhor", sublinha, tendo a empresa estabelecido mesmo um pacote especial para a época da Páscoa com o cinco estrelas do Troia Design Hotel, proporcionando descontos a quem utilize os dois serviços.

Pedro Narra faz votos para que "o sol apareça, apesar das previsões", enquanto Hélder Chagas, que tem outro restaurante em Sesimbra, destaca que a chuva penaliza Troia com especial incidência, face a outras zonas da orla costeira, devido à localização da península. "As pessoas não vêm a Troia como vão ao Portinho da Arrábida ou ao Cabo Espichel, por exemplo. É que para chegarem aqui é preciso usar o barco ou dar a volta por Alcácer do Sal, o que tem implicações de custo e tempo. A maioria das pessoas que vem a Troia é para passar fins de semana. Mas se chove não há atrativo e as pessoas prefere outros locais", descreve o empresário que este inverno optou por encerrar portas em dezembro e janeiro. Alega que "não justifica" trabalhar nesse período do inverno, porque perderia dinheiro.

De resto, a maioria dos estabelecimentos comerciais fizeram algo parecido. Ao ponto de haver dias em que Ricardo Martinez, um dos oito moradores da península a tempo inteiro, nem encontrava um café aberto. "Isto voltou a ser a uma aldeia fantasma, porque não havia nada, mas é verdade que nos últimos dias já começou a mexer um bocado", congratula-se, revelando que quando não está em casa a trabalhar ao computador, passa o tempo entre o campo de golfe e a praia a tirar fotografias. O avio da casa é feito ora na Comporta, a 20 quilómetros, ora em Setúbal, onde se desloca uma ou duas vezes por semana. Sim, Troia tem supermercado da Sonae, mas os moradores queixam-se que "os produtos são mais caros".

Das regatas aos DAMA

São as famílias com crianças até 10 anos quem mais procura Troia nas épocas festiva. Tendencialmente as reservas para estas miniférias são marcadas com pouca antecedência, o que levou a administração do Troiaresort a apostar num programa o mais diversificado possível para tentar agradar a todos. As regatas do Sado são um dos atrativos, para os amantes da náutica, este sábado à tarde, dia em que as Ruínas Romanas ainda vão estar abertas. Os DAMA vão animar a noite com um concerto agendado para o Centro de Espetáculos do Casino. Para os clientes da hotelaria, haverá alguns ateliers para os mais pequenos e uma tradicional caça aos ovos. A maioria dos restaurantes e lojas estão abertos.

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