China prepara missão à Lua para recolher amostras do solo

Chang E-5 tem lançamento previsto para novembro e será a primeira do programa lunar chinês com regresso previsto à Terra

A China pretende lançar no final de novembro uma nova sonda lunar, a Chang E-5, a primeira cuja missão é de ida e volta para a Terra, segundo informou a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CASC), citada pela imprensa oficial.

O objectivo desta missão não tripulada é recolher amostras do solo lunar, no que será mais um importante passo no programa da China para a Lua que inclui a possibilidade de instalação ali de uma base autónoma dentro de década e meia.

A Chang E-5 é composta por quatro módulos (de órbita, retorno, alunagem e ascensão), com um peso total de 8,2 toneladas e partirá desde o centro espacial Wenchang, situado na província insular de Hainan (sul do país).


A missão terá três fases: órbita em redor da lua, aterragem e regresso, e acontece quatro anos depois da última missão de uma sonda chinesa à Lua, e que deixou de funcionar em agosto do ano passado.

Após recolher amostras, o módulo que aterrará na superfície lunar irá depositá-las numa cápsula que regressará à terra.

A Chang E-5 será a quarta missão lunar da China, que está a preparar uma quinta, para 2018, com o nome Chang E 4 e destinada ao lado oculto da Lua.

Rússia e Estados Unidos enviaram várias missões à lua desde a década de 1960, mas a última alunagem - antes da viagem da Chang E-3 - foi realizada em 1976, pela então União Soviética.
O programa de exploração lunar chinês Chang E, nome de uma deusa que segundo uma lenda do país vive na Lua, lançou os seus primeiros dois satélites terrestres em 2007 e 2010.

O programa espacial chinês iniciou-se há duas décadas e hoje dispõe de foguetões, taikonautas e uma estação espacial próprios, além de planos para a instalação de uma base autónoma na Lua.

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