Catamarã. Grávidas e diabéticos saíram primeiro

A travessia rápida Lisboa-Montijo passou a quatro horas de espera para 91 passageiros dentro de um barco encalhado perto do cais

Duas mulheres grávidas, três doentes diabéticos e uma mãe com uma criança pequena foram os primeiros passageiros a ser retirados de um catamarã que esteve encalhado quatro horas no rio Tejo, a poucos metros do terminal do Montijo. O resgate e desembarque só foi possível depois das 21.00, com a subida da maré. Às 21.10, o barco já conseguia flutuar. Um outro navio foi rebocá-lo com êxito até ao Cais do Seixalinho, no Montijo. "Às 21.25 começou o desembarque. Primeiro, saíram as seis pessoas com condições prioritárias. Mas todos os 91 passageiros desembarcaram", adiantou ao DN a porta-voz da Transportes de Lisboa (holding que agrega a Transtejo).

"Os passageiros estão calmos e correu tudo bem", acrescentou a responsável da empresa. O comandante da Capitania do Porto de Lisboa, Malaquias Domingues, declarou à Lusa que a situação "está resolvida"."As pessoas, que aguardaram pacientemente a conclusão da operação, seguiram as suas vidas."

Durante quatro longas horas, as luzes do cais estavam tão perto e, porém, distantes para os 91 passageiros. Avistavam apenas a escuridão do céu e do mar, que à noite formam um só, e a chuva que teimava em cair.

Para que o desfecho fosse feliz, assim que se verificou o incidente foi acionado o plano de emergência. Uma lancha dos bombeiros deslocou-se, antes do desembarque, até ao catamarã para dar comida às pessoas retidas a bordo.

No cais do Montijo juntaram-se familiares e amigos dos passageiros, à espera do desembarque.

Avaria nas máquinas e maré baixa

Segundo Isa Lopes, porta-voz da Transportes de Lisboa, a embarcação partiu do Cais do Sodré, em Lisboa, às 17.00, e, na aproximação ao cais do Montijo, encalhou "devido a uma avaria nas máquinas e à maré baixa". O comandante Malaquias Domingues acrescentou que a embarcação encalhou pelas 17.25, a cerca de 50 metros do cais do Montijo, no rio Tejo.

As autoridades foram alertadas para o acidente cerca das 17.45 e para o local foram mobilizadas duas embarcações da Polícia Marítima, de acordo com Malaquias Domingues.

Mesmo com esta explicação, o Ministério do Ambiente anunciou, ainda antes do desembarque, que vai abrir um inquérito para apurar as circunstâncias que levaram o catamarã a encalhar no rio, anunciou fonte governamental à Lusa. O Ministério do Ambiente tutela os transportes públicos urbanos de Lisboa e do Porto.

Se o reboque feito por outro navio não tivesse resultado, as autoridades já tinham um plano B em vista. Seria "equacionado um trans- bordo dos passageiros através de meios da polícia marítima", explicou o comandante da Capitania do Porto de Lisboa.

Tudo acabou bem. Muito longe da tragédia do Tollan, um porta-contentores britânico que naufragou no rio Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, em Lisboa, depois de ter colidido com um cargueiro sueco. Foi a 16 de fevereiro de 1980. Morreram quatro tripulantes.

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