Mortes de mulheres por cancro vão aumentar 60% nos próximos 15 anos

Cancro vai matar 5.5 milhões de mulheres por ano até 2030

Dois relatórios divulgados esta semana alertam para o grande aumento do número de mortes de mulheres com cancro no futuro. A mortalidade feminina devido a esta doença deverá aumentar 60% e até 2030, cerca de 5.5 milhões de mulheres vão morrer por ano, principalmente com cancro da mama.

As previsões são de um relatório da Sociedade Americana de Cancro apresentado esta terça-feira no Congresso Mundial do Cancro, em Paris, e de um artigo publicado esta quarta-feira na Lancet Medical Journal.

Uma em cada sete mulheres morre de cancro

O artigo científico explica que o número de casos de cancro da mama vai praticamente duplicar no mundo, passando de 1.7 milhões por ano em 2015 para 3.2 milhões por ano até 2030, segundo o Guardian.

A Sociedade Americana de Cancro afirma que, em termos globais, uma em cada sete mulheres morre de cancro neste momento e que esta é a segunda maior causa de morte, depois das doenças cardiovasculares.

Os tipos de cancro com as mais altas taxas de mortalidade feminina são o cancro da mama, o cancro do cólon e reto, o cancro do pulmão e o cancro do colo do útero. Grande parte das mortes poderiam ser evitadas com um diagnóstico precoce e o tratamento a tempo, continua o relatório.

As principais afetadas pelo aumento dos casos de cancro serão as mulheres dos países em desenvolvimento, pois é mais difícil ter um diagnóstico preciso a tempo nestes países ou acesso a tratamentos.

Centenas de milhares de mulheres estão a morrer desnecessariamente todos os anos

Além disso, estas mulheres estão expostas a fatores de risco como má alimentação, inatividade física, obesidade e fatores reprodutivos, afirma o estudo da Sociedade Americana de Cancro.

"A comunidade internacional não pode continuar a ignorar o problema: centenas de milhares de mulheres estão a morrer desnecessariamente todos os anos", afirmou Richard Sullivan, co-autor do estudo publicado na revista Lancet, segundo o Guardian.

"Para além dos custos dos serviços essenciais de cancro para as mulheres serem baixos, diagnósticos, cirurgias e tratamentos são um investimento eficaz comparando com o custo económico para os países, comunidades e família", continuou Sullivan.

O peso do cancro aumenta em países com baixo e médio rendimento devido "ao envelhecimento e ao crescimento da população", indicou Sally Cowal, da Sociedade Americana de Cancro. A maioria das vítimas mortais é jovem ou adulto, o que aumenta os encargos nas economias subdesenvoldidas.

Neste momento, a maior proporção de diagnósticos de cancro por população regista-se nos países desenvolvidos da Europa, América e Ásia, provavelmente pelos melhores cuidados de saúde.

A maior proporção de mortes por cancro regista-se, por outro lado, em países pobres como o Zimbabwe, Malawi, Quénia, Mongólia e Papua Nova Guiné.

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