Associação de discotecas exige explicações sobre "medidas incoerentes"

José Gouveia, presidente da Associação de Discotecas Nacional, não compreende a "incoerência" de o Governo permitir "eventos que estão programados em várias salas do país", e "não permita a abertura de bares e discotecas".

O presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN) disse esta sexta-feira à Lusa que as medidas do Governo para a passagem do ano são "incoerentes" e exigiu explicações, apelando à abertura dos espaços no dia 31.

"Queremos a via do diálogo e que, no limite, António Costa, Marta Temido, Siza Vieira, os principais protagonistas desta pandemia, como também Graça Freitas, nos venham explicar a razão de uma medida contraditória e incoerente assumida", exigiu José Gouveia.

Isto, porque, explicou, o Governo "permite que as festas de fim de ano sejam realizadas em pavilhões, que mais não são que ampliações de discotecas, com milhares de pessoas lá dentro e as discotecas estejam fechadas, que têm, no limite, umas mil pessoas e estão estruturadas para as coisas serem feitas de forma segura".

"Pelo menos, que nos venham explicar, para que possamos entender, porque às tantas quase não sabemos se somos nós que estamos malucos ou se são os outros que estão. Que nos expliquem o porquê", exigiu.

Este responsável disse à Lusa que não compreende a "incoerência" de o Governo permitir "eventos que estão programados em várias salas do país como o pavilhão Carlos Lopes e o Coliseu dos Recreios, por exemplo, e não permita a abertura de bares e discotecas".

O encerramento destes espaços começa hoje, lembrou, e a reabertura está prevista para o dia 9 de janeiro, uma vez que "está dependente da próxima reunião com o Infarmed" agendada para 5 de janeiro.

Associação levanta a hipótese de avançar para outras formas de luta

O presidente da ADN assumiu que quer "esgotar a via do diálogo", mas se "até dois dias do fim do ano" não for permitida a "abertura no dia 31 para dia 1, com encerramento imediato", então "haverá outras formas de luta".

"A única forma que este Governo tem de manter alguma dignidade para este setor, de permitir que este setor não sofra consequências devastadoras, seria permitir, uma interrupção nessa suspensão da atividade no dia 31", reforçou.

No entender de José Gouveia, "não se trata só de uma situação do foro económico e financeiro, mas também de saúde pública, já que no ano passado, com as discotecas fechadas as pessoas comemoraram em festas particulares e nas semanas seguintes os números [de casos positivos] bateram recordes".

José Gouveia referiu ainda que "se um evento destes incumprir não tem consequências, porque é um ato único", já uma discoteca, frisou, "se não cumprir pode determinar o encerramento do estabelecimento".

"Precisamos que o Governo, para nos calar, nos explique o porquê de uma medida tão incoerente e injusta, como se houvesse filhos e enteados nas atividades económicas"

"Por isso, nós estamos mais bem preparados e estruturados, mais fiscalizados e criámos condições e todo esse trabalho e investimento é deitado por terra. Precisamos que o Governo, para nos calar, nos explique o porquê de uma medida tão incoerente e injusta, como se houvesse filhos e enteados nas atividades económicas", reforçou.

Este responsável considerou ainda que os apoios decretados pelo Governo e que "foram diretamente negociados com a associação ao longo deste tempo das novas medidas" acabaram por "não corresponder ao desejado, porque não são suficientes e não chegam a todos".

"Os apoios não são suficientes e não são proporcionais às quebras e, infelizmente, ficaram de fora as que abriram nos últimos três meses e também veem o funcionamento suspenso, quando já tinham investido em centros de testagem e técnicos de saúde e os apoios não cobrem aquilo que foi investido", disse.

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