Aplicação que alerta para tendências suicidas chega a Portugal

Amigo ou seguidor que veja publicação suspeita pode chamar a atenção. Instituição Voz de Apoio já colabora com rede social

A rede social Facebook vai ter em Portugal uma ferramenta que permitirá ajudar a prevenir o suicídio. Dentro de poucos dias, a empresa criada pelo americano Mark Zuckerberg vai anunciar a parceria com uma instituição nacional para qual serão encaminhados alertas sobre pessoas que colocarem posts na rede social que possam ser entendidos por quem os ler como eventuais tendências suicidas.

A aplicação começou por ser testada nos Estados Unidos e tem vindo gradualmente a estender-se a outros países. O DN sabe que os responsáveis pela rede social já estabeleceram uma parceria com uma instituição portuguesa ligada à prevenção do suicídio, cuja identidade será revelada nos próximos dias. Neste momento "estão a ser preparados os conteúdos para Portugal", soube o DN junto de fonte ligada ao processo.

Desde fevereiro que a ferramenta está a ser usada em diversos países. Embora não existam ainda dados estatísticos sobre a aplicabilidade prática ao nível dos resul- tados, a verdade é que o Facebook estabeleceu parcerias com centros de apoio e instituições do mundo inteiro. Até agora Portugal aparece agregado ao Brasil nessa funcionalidade do Centro de Ajuda daquela rede social. No item "Ferramentas e Recursos de Segurança", ao lado das ferramentas já disponíveis para denunciar casos de bullying, reportar abusos diversos ou conselhos para pais e educadores, é possível aceder ao link "Prevenção de Suicídios".

"Se te deparaste com uma ameaça direta de suicídio no Facebook, contacta imediatamente as autoridades ou uma linha direta de prevenção de suicídios", pode ler--se no Facebook. Acontece que, até agora, quem acede em Portugal ao link dessa "linha direta" é encaminhado para o Centro de Valorização de Vida, uma organização brasileira que "realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias". O centro tem sede em São Paulo, de modo que os números disponibilizados são, também eles, do Brasil. Contactado pelo DN, André Lorenzetti, assessor de comunicação do CVV, esclareceu a função: "O que ocorre é a indicação do CVV para pessoas da língua portuguesa em todo o mundo onde a empresa ainda não tiver feito parceria com iniciativa local, uma vez que falamos o mesmo idioma e podemos atender pelo Skype, por chat e e-mail." Além disso, "o centro faz parte do Befrienders Worldwide, entidade que reúne iniciativas de prevenção do suicídio em todo o mundo, existindo, provavelmente, entidades no Portugal". É um facto. É a Voz de Apoio, de Vila Nova de Gaia, que disponibiliza "apoio emocional, de carácter pontual, anónimo e confidencial, sem julgamentos".

Atualização alertou polícia

Enquanto prepara a comunicação dessa ferramenta para Portugal, o Facebook tem sido alvo de notícia por todo o mundo, à conta desta ajuda. Na semana passada, o The New York Times contava a história de Carrie Simmons, uma americana que - sem querer - acabou não só por evitar o suicídio de um amigo como também por alertar para a importância de criar esta ferramenta. Em 2014, ela deparou-se com uma atualização de estado de um antigo colega de escola, que a alarmou: "Obrigado a todos os que me tentaram ajudar. Adeus." Carrie alertou um polícia amigo e as autoridades conseguiram evitar o pior: encontraram o amigo dentro do carro, estacionado na berma de uma estrada, com uma pistola no colo. "Os polícias conseguiram evitar que puxasse o gatilho." O homem acabou por ser encaminhado para um centro de apoio.

"Está vivo até hoje. Se não tivesse visto aquela atualização de estado, alertando as autoridades, não sei o que teria acontecido...talvez ele tivesse mesmo disparado", afirmou Carrie Simmons, certa de que histórias como esta conseguiram despertar a consciência dos mentores do Facebook. Sabendo que a rede é utilizada regularmente por mais de 1,65 milhões de utilizadores, em que a maioria a utiliza para relatar estados de alma, esse o foi o mote para que os seus responsáveis decidissem passar a ter um papel mais ativo na prevenção do suicídio. Com a nova ferramenta, qualquer pessoa pode evitar que isso aconteça. A ideia é que amigos ou seguidores de alguém que tenha manifestado uma intenção suicida possam alertar o Facebook ou a linhas de apoio. A partir daí, caberá à instituição parceira em cada país apoiar a pessoa em risco.

"Se alguém no Facebook vir uma ameaça de suicídio, pedimos que contacte os serviços de emergência locais imediatamente", lia-se num post da página Facebook Safety, em março. "Temos equipas a trabalhar em todo o mundo, 24 por dia, que reveem todas as denúncias que nos chegam. Elas priorizam as denúncias mais sérias, como automutilação, e enviam ajuda e recursos a quem está em sofrimento", escreveram os responsáveis Rob Boyle e Nicole Staubli na mesma página.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG