Manifestação de trabalhadores da Administração Pública esta sexta-feira contra atualização salarial de 0,9%

Foi ainda feito um aviso prévio de greve por 24 horas (a partir da meia-noite), pelo que é possível que alguns serviços, como escolas, venham a ser afetados.

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Está prevista para esta sexta-feira uma manifestação nacional organizada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública contra a atualização salarial de 0,9%, que "agrava a perda de poder de compra em 2022". Foi ainda feito um aviso prévio de greve por 24 horas (a partir da meia-noite), pelo que é possível que alguns serviços, como escolas, venham a ser afetados.

A decisão foi tomada a 26 de abril numa cimeira de sindicatos da Frente Comum, afeta à CGTP, em resposta ao resultado de uma reunião com o Governo seis dias antes.

"Face à postura assumida pelo Governo, que não apresentou nenhuma proposta salarial, mantendo os 0,9% que nos foram impostos em janeiro, nem respondeu ao nosso caderno reivindicativo, os sindicatos da Frente Comum decidiram avançar com esta forma de luta, uma semana antes da votação final global do Orçamento do Estado" para 2022 (OE2022), disse na altura o coordenador da Frente Comum Sebastião Santana à agência Lusa.

Para o sindicalista, a atualização de 0,9% "é completamente inaceitável porque, face ao aumento do custo de vida que se verifica hoje, representa o agravamento da perda de poder de compra".

Sebastião Santana salientou que, se o Governo tiver vontade de sanar o conflito, ainda tem tempo de alterar a situação antes da aprovação final do OE2022.

As três estruturas sindicais da administração pública reuniram-se a 20 de abril, pela primeira vez, com a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e com a secretária de Estado Inês Ramires, para definirem as matérias prioritárias para a negociação.

Antes da reunião, dirigentes e ativistas sindicais da Frente Comum concentraram-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, onde entregaram o caderno reivindicativo, que inclui o aumento dos salários para todos os trabalhadores da função pública, a valorização das carreiras e o reforço dos serviços públicos.

Além do aumento geral dos salários em 90 euros, a Frente Comum reivindica a correção da Tabela Remuneratória Única, o descongelamento efetivo das promoções e das progressões nas posições remuneratórias e a revisão do sistema de avaliação.

A reunião com o Governo ocorreu uma semana depois da entrega da proposta do OE2022 no parlamento, que não prevê aumentos salariais para 2022, além dos 0,9% já aplicados em janeiro, apesar da subida da inflação.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, quando apresentou a proposta de OE2022 aos jornalistas, afastou a possibilidade de aumentos salariais intercalares dos funcionários públicos em 2022, para fazer face à escalada dos preços, defendendo que essa decisão poderia agravar a inflação.