Coordenador da task force vacinado esta tarde. "Foi da boa!", declarou ao DN

Gouveia e Melo tem 60 anos e foi chamado pelo seu Centro de Saúde quando estão vacinadas cerca de 93% das pessoas da sua faixa etária (entre os 60 e os 69 anos)

Valentina Marcelino
O vice-almirante Gouveia e Melo é o coordenador da task force de vacinação contra a covid-19© Leonardo Negrão / Global Imagens

O Coordenador da Task Force foi esta sexta-feira vacinado contra a covid-19 no seu centro de saúde na área de Lisboa.

Gouveia e Melo falou ao DN, ainda no recobro, e confirmando que tinha acabado de ser inoculado, não quis dizer que vacina foi utilizada. "Foi da boa!", sublinhou bem disposto, mantendo a regra de imparcialidade que tem adotado nas suas declarações.

O DN sabe, no entanto, que foi a primeira de duas doses da vacina.

A sua deslocação foi discreta e sem a presença da comunicação social e surpreendeu os presentes e as equipas de vacinação.

O Almirante queria só ser vacinado quando toda a população da sua faixa etária já tivesse sido inoculada com, pelo menos, uma dose, tal como o DN já tinha avançado, mas tendo em conta que entre os 60 e os 69 anos já estão nessa situação 93% das pessoas e os números se têm mantido estáveis e sem avanços significativos nos últimos dias, a sua equipa acabou por o convencer a responder SIM ao agendamento.

Fonte oficial da Task Force confirmou ao DN que, ao dia de ontem, 17 de junho, estavam vacinadas, como pelos menos uma dose, 98% das pessoas com mais de 80 anos; 99% entre os 70 e os 79; 93% entre os 60 e os 69; 73% entre os 50 e os 59; e 35% entre os 40 e os 49.

Gouveia e Melo foi nomeado para este cargo em fevereiro passado e tem-se destacado, com a sua equipa, pela grande capacidade de planeamento e organização.

Esteve antes, desde janeiro de 2020 nas funções de Adjunto para o Planeamento e Coordenação do EMGFA e apanhou logo em março a pandemia. Todo o planeamento para manter as Forças Armadas protegidas e ativas veio da sua equipa. Formação nos lares e nas escolas, sistema de saúde militar, ciberdefesa, inovação e até uma equipa "de conhecimento" que pesquisa todas as novidades científicas sobre a covid-19 - tudo esteve sob sua coordenação.

É meticuloso, paciente, tão paciente como aprende a ser alguém que viveu 22 anos da sua vida dentro de submarinos no fundo do mar, como foi o caso de Gouveia e Melo, que comandou o Barracuda e o Delfim. "Vivemos braço com braço, num sítio fechado, por longos períodos. A liderança tem de ser feita pelo exemplo e pela competência", descreveu ao DN quando falámos, em novembro, sobre a importância da sua experiência de vida para o trabalho.

"Este é o combate da nossa geração", destacou na altura este Oficial General da Marinha, conhecido por seu "o homem das missões impossíveis".