Agualusa e o caótico voo de Maputo: "Desrespeito total pelos direitos das pessoas"

Escritor angolano diz que nunca viu "uma desorganização tão bem organizada" como a que aconteceu no aeroporto de Lisboa, no sábado. "Um caos total e absoluto"

DN
José Eduardo Agualusa© Getty Images

José Eduardo Agualusa é um dos 282 cidadãos que no sábado chegaram a Lisboa no polémico voo de repatriamento de Maputo, em que os passageiros tiveram de fazer e pagar testes à covid-19 para embarcar e para desembarcar. "Acho que nem nunca vi em toda a minha vida uma desorganização tão bem organizada. Em primeiro lugar os funcionários contratados para fazerem a triagem dos passageiros para o teste obrigatório (85 euros) eram poucos, mal treinados e muito mal informados. Embora estivesse nas primeiras filas demorei quase três horas até conseguir sair do aeroporto", denunciou o escritor no Facebook.

"Houve gritaria, tentativas de rebelião e até de fuga, que não resultaram, porque depois do teste nos colocaram pulseiras e quem não as tinha foi forçado a voltar para trás na polícia de fronteira (fecharam as cancelas automáticas). Enfim, um caos total e absoluto. Filas e mais filas", relatou o angolano.

Ainda segundo Agualusa, a situação caótica atingiu "famílias com crianças" e "doentes", num "desrespeito total pelos direitos das pessoas e pelas regras básicas de distanciamento e higiene num contexto de pandemia". E à saída a presença de mais "polícias para controlar, uma última vez, quem tinha e não tinha testes. Uma vergonha!"

Se no sábado, à RTP, a secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, disse que são essas as "regras que estão em vigor, por precaução", no domingo lamentou "alguma desorganização", mas reforçou a importância da testagem com o anúncio de dois casos positivos detetados nesse voo. E acrescentando que o INEM irá reforçar a testagem à chegada dos aviões. O próximo já na segunda-feira.