Alunos portugueses são dos que têm mais férias no verão

Três meses de férias nas escolas portuguesas. Será que compensa? O DN fez a comparação com outros sistemas europeus

Para a esmagadora maioria dos alunos portugueses - a exceção são os estudantes do 9.º ano e do secundário, ainda envolvidos em exames nacionais - as férias grandes começaram na passada quinta-feira. Com cerca de 13 semanas de duração, a pausa letiva de Verão portuguesa está entre as maiores da Europa, a par de outros países do Sul, como Itália, Grécia e Malta. Mais do dobro das seis semanas praticadas em algumas regiões da Alemanha, em Inglaterra ou na Holanda.
Por outro lado, a distribuição das pausas letivas pelo resto do ano poderá deixar alguns alunos (e pais) portugueses com dúvidas sobre qual será o melhor dos modelos.
Em muitos países europeus, apesar de as férias de Verão serem mais curtas, o primeiro período é interrompido por uma semana de pausa - as chamadas férias de Outono - que em Portugal nunca existiu. No ano passado, o Conselho das Escolas - órgão consultivo que representa as escolas públicas do país - chegou a propor ao Ministério da Educação, então liderado por Nuno Crato, a inclusão de uma paragem de alguns dias no calendário. Mas a resposta limitou-se a uma promessa de "análise" nunca desenvolvida.
"Essencialmente, a nossa recomendação tinha três propostas", lembra José Eduardo Lemos, presidente do Conselho das Escolas: "O termo do ano letivo ser ao mesmo tempo para todos os anos letivos, a haver provas [antes do 9.º ano] que fossem na última semana de aulas e que houvesse uma interrupção curta, de dois ou três dias, de Outono. Neste momento, como acabaram os exames do 4.º e 6.º ano, esse problema acabou. Mas em relação ao restante a nossa posição continua a ser a mesma."
A proposta das escolas foi na altura muito criticada pela Confederação Nacional das Associações de pais (Confap), segundo a qual esta medida teria como consequência criar um problema de logística acrescido para as famílias, que teriam que encontrar ocupação para os alunos nessa pausa: mas a contraproposta das associações não foi menos polémica: um calendário escolar que seguisse de setembro a julho, deixando apenas um mês para a paragem estival. E a resposta das escolas foi igualmente negativa, com argumentos curiosamente semelhantes: 30 dias de pausa simplesmente não bastariam para organizar todo um ano escolar.
"Nunca defendemos a atividade letiva continuada até julho", esclarece agora ao DN Jorge Ascensão, presidente da Confap. "Mas defendemos que deve haver uma resposta educativa, que possa ser feita no tempo das pausas, nomeadamente de Verão". Hoje, lembra, "as famílias que já têm forma de o fazer, mantendo os filhos ocupados, já o fazem. Umas vezes pagando, outras vezes beneficiando das iniciativas das autarquias. O que pensamos é que isto poderia ser feito de uma forma mais conjugada e coordenada, uma resposta da sociedade a um problema em vez das atuais soluções assistencialistas".

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