Demolições na ria Formosa ainda não avançam amanhã

Moradores aguardam nova carta a dar conta da data para a tomada de posse administrativa das suas casas

A demissão do presidente da Polis Litoral Ria Formosa e de um outro administrador da mesma sociedade atrasaram a tomada de posse administrativa das casas sinalizadas para demolição na ilha da Culatra, em Faro, que estava prevista para esta terça-feira. O Governo ainda tem em curso o processo de substituição dos dois administradores, sendo que as demolições das casas só deverão avançar quando os novos responsáveis tomarem posse. Os moradores aguardam que lhes sejam enviadas novas cartas dando conta da data estabelecida para entregarem as chaves das suas casas.

Quando anunciou a demissão de Sebastião Brás Teixeira, a 27 de outubro, o Ministério do Ambiente tinha afirmado que "os Planos de Reestruturação, Renaturalização e Requalificação das Ilhas Barreira da Ria Formosa vão manter-se tal como tem sido anunciado", admitindo, porém, "algum atraso devido à renúncia" tornada pública.

Na origem da demissão terá estado o adiamento do processo de demolição das casas. Dois dias antes, o Ministério do Ambiente tinha comunicado à Sociedade Polis da Ria Formosa que a data da tomada da posse administrativa das casas prevista para dia 27 seria adiada, "por respeito à Assembleia da República", que nesse dia iria discutir "um conjunto de recomendações ao Governo sobre este tema." Nessa altura, o Governo adiou para o dia 8 de novembro, amanhã, a dita tomada de posse. Mas as demissões atrasaram o processo.

Na mesma nota, o ministério destacou, ainda, que "as 19 casas que são utilizadas por pescadores, viveiristas e reformados destas profissões, nos aglomerados do Farol e dos Hangares, não deverão ser demolidas, uma vez que a nova estratégia para a Conservação da Natureza privilegia o desenvolvimento das atividades tradicionais".

Contactada pelo DN, Vanessa Morgado, da associação SOS Ria Formosa, diz que "a garantia do Ministro do Ambiente é de que as pessoas vão notificadas novamente" para abandonarem as casas, na sequência do "erro" relativo às habitações usadas por pescadores e viveiristas. Os moradores estão mais tranquilos", porque "finalmente alguém avaliou os processos com transparência".

Vanessa Morgado considera que o reconhecimento como "núcleos históricos", no dia 27 de outubro, foi muito importante. Admite que "há coisas que estão mal - uma parte dos núcleos precisam de ser requalificados", mas a SOS Ria Formosa mantém-se contra algumas demolições. Este adiamento traz "esperança". "A sensação é que alguém parou para pensar no assunto, que agora olham para as habitações e veem pessoas. Isso deixa-nos satisfeitos", refere, destacando que os moradores estão "ansiosos" para saber quem será o novo diretor da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa.

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