A vida de três mineiros. A febre do ouro dos tempos modernos

Pode ser um programa de TV, mas mostra como é vida de quem procura o precioso metal. Beets, Hoffman e Schnabel falam sobre uma profissão que tende a tornar-se de família

"Nem é tanto pelo dinheiro ou pelo ouro. Gosto mesmo de o encontrar, de o recuperar. Gosto mesmo deste trabalho e do estilo de vida, estar ali com a família todos os dias. É muito diferente do estilo de vida na cidade". Mineiro de profissão, mineiro por paixão. É assim que se define Tony Beets, que está há 35 anos no negócio do ouro, depois de ter ganho a vida a ordenhar vacas e na construção de tubulação.

Tony Beets é um dos três homens que se tornaram um sucesso mundial devido a um programa de televisão, mas que continuam focados no objetivo de cumprir a sua profissão: encontrar ouro. A "Febre do Ouro" tornou-se num dos programas líderes de audiência do Discovey Channel. Portugal não foge à regra. O conceito de reality tv permite mostrar como estes três mineiros planeiam a procura do ouro, que equipamentos usam e claro que haverá sempre os momentos de drama, discussões, tal como de alegria, principalmente se no final todo o esforço for recompensado por umas boas onças de ouro. Mas o dinheiro não é tudo. Garantem Tony Beets, de 57 anos, Todd Hoffman, 48, e Parker Schnabel, o mais novo, de 23 anos, que decidiram expor a sua vida na busca do metal precioso. Explicam que uma boa temporada significa que podem fazer milhões, e numa má e as contas apertam mesmo.

"Quando eu comecei isto rendia 300 [cerca de 254 euros], 400, 500 dólares. Depois passou para 800 [678 euros]no final da década de 80. Agora, nos últimos anos, tem sido muito rentável porque o preço do ouro está muito acima dos mil dólares [850 euros]", contou.

Para Beets, que tem a sua filha a trabalhar com ele, o preço do ouro foi a principal mudança, pois o processo de encontrá-lo e recuperá-lo é idêntico: "Honestamente o processo mineiro não mudou muito. Temos equipamento novo e melhor, que gasta menos combustível, é maior e, por isso, há menos pessoas. Mas para recuperar o ouro o processo basicamente não mudou muito nos últimos 100 anos. É um processo muito simples, nada sofisticado."

A febre do ouro foi o sonho americano no século XIX. Passaram quase 200 anos, mas há quem ainda possa dizer que está a viver esse sonho devido a este cobiçado metal. "Posso dizer que só um dos que está a viver o sonho americano. Não é fácil. Há dias difíceis", confessou Todd Hoffman. Disse sentir-se abençoado, mas não tanto pelo ouro que tem no cofre, destacando a sua fé e a sua família: "É muito mais importante. Sinto-me o homem mais rico do mundo apesar da minha conta bancária se calhar não o demonstrar."

Hoffman dedicava-se ao negócio da aviação, mas em 2010, perante as dificuldades, mudou de vida e foi à procura do sonho americano no ouro. Foi no Alaska que começou. Apesar da crise económica, o preço do ouro continuava a subir. O pai de Hoffman também foi mineiro, ainda que não tenha tido sucesso. Todd conseguiu só no ano passado mais de três milhões de dólares (cerca de 2,6 milhões de euros) e o seu filho há lhe está a seguir as pisadas.

Num mundo que parece dominado por homens, Hoffman garante que as mulheres podem ter um papel importante. "Aguns dos melhores condutores são mulheres. Elas conduzem com mais cuidado. Não têm ideias de cortar caminho e meterem-se em problemas", afirmou, acrescentado que nesta indústria as mulheres são muito valorizadas neste tipo de função.

Parker Schnabel é o mais novo do trio. Mas toda a sua vida foi marcada pela procura pelo ouro. O seu avô liderava a busca pelo metal numa mina no Alaska e aos 16 anos Schnabel demonstrou que tinha capacidade para esse trabalho. "Gosto muito de fazer isto agora, mas acho que não vou fazer para o resto da minha vida. Adoro Yukon, adoro a liberdade, mas há muitas coisas que quero fazer na vida e a certa altura irei seguir em frente. Por isso, sempre disse que estou a aproveitar isto agora e quando encontrar algo que capte o meu interesse ou surja uma oportunidade melhor, então vou-me embora. Mas, por agora, gosto mesmo do que faço", realçou.

Ouro não tem faltado na América do Norte, pelo menos para estes três mineiros. E parece que ir procurar noutro lado não é opção. Tony Beets já recebeu propostas para mudar o seu negócio, mas gosta demasiado do norte do Canadá. Hoffman defende que é no Colorado que pode render mais a procura. Porém, esta busca pelo ouro tem o seu lado negativo e Hoffman falou disso mesmo ao recordar a destruição que se tem verificado em alguns países: "Fiquei surpreendido com a devastação no Peru, tal como em Guiana. Não estão a fazer as coisas bem. Não sou um ambientalista, mas eles têm razão: a selva está a ser destruída por mineiros que trabalham de forma ilegal e legal."

Fiéis à América do Norte, não se verá Beets, Hoffman ou Schnabel a exlorar em Portugal. Apesar de algumas intenções de recuperar esta exploração por cá, não passou disso e desde 1992 que não se extrai ouro, com as minas de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, a serem as últimas a encerrar em outubro desse ano.

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