12 mortes. Carrinha viajava com excesso de passageiros

Acidente. Autoridades francesas investigam a colisão. Carrinha que só podia transportar seis pessoas seguia com 13 emigrantes desde a Suíça. Condutor de 19 anos foi o único sobrevivente

Tem apenas 19 anos e era o condutor da carrinha que sofreu o acidente em que morreram 12 emigrantes portugueses, em França. A carrinha Mercedes Sprinter que Ricardo Pinheiro conduzia, a partir de Romont, na Suíça, rumo a Portugal, só poderia transportar seis passageiros. Mas levava 13 pessoas e ainda tinha um reboque. Um choque com um camião depois de sair da sua via, na Estrada Nacional 79, em Aillers, França (perto de Lyon), atirou para a morte os 12 portugueses, com idades entre os 7 e os 63 anos. O condutor foi o único sobrevivente de uma tragédia que é uma das maiores a atingir portugueses nas estradas europeias e que está a ser investigada pelas autoridades francesas.

A viagem total, que era de 1780 quilómetros, acabou abruptamente aos 360, num troço acidentado da chamada "estrada da morte", a RCEA (Estrada Centro Europa-Atlântico), em França (ver infografia), devido aos muitos acidentes ali registados e que já motivaram protestos do autarca e da população local. Foi às 23.45 de quinta-feira. Sobreviveu apenas o jovem motorista, que foi internado com ferimentos e em estado de choque no hospital de Moulins. Os dois motoristas do camião, italianos, também sobreviveram.

As autoridades francesas ainda não tinham ontem conseguido falar com Ricardo, mas já abriram um inquérito para apurar as causas do acidente. Também disponibilizaram uma célula de apoio psicológico para familiares das vítimas.

Outra carrinha conduzida pelo tio

A Mercedes Sprinter teria capacidade máxima para seis pessoas. Na conferência de imprensa, com o procurador de Moulins, surgiu a dúvida: "Uma carrinha de seis lugares podia levar 13 pessoas a bordo?" "É um ponto a esclarecer no inquérito", respondeu o porta-voz da Gendarmerie (equivalente à GNR portuguesa).

O veículo é propriedade de um tio de Ricardo - residente em Palhais, Trancoso - que viria a conduzir outra carrinha. Quem avançou este dado foi o deputado Carlos Gonçalves, do PSD, eleito pelo círculo da emigração, que foi para o local onde estão os corpos, em Moulins, para apoiar as famílias. "A carrinha era uma Mercedes Sprinter de matrícula portuguesa em que viajavam 13 pessoas, e tinha um reboque muito grande atrás, com vários metros de comprimento, e além de vir com excesso de passageiros, corre a informação de que haveria uma segunda viatura, onde viajava o proprietário das duas", adiantou o deputado que é também presidente do Grupo de Amizade Portugal-França.

Em declarações ao DN, Carlos Gonçalves referiu ainda que "a polícia francesa tem a indicação de que o proprietário das duas carrinhas sofreu ferimentos ligeiros e está internado no hospital de Moulins". Há também a informação de que "a segunda carrinha pode ter seguido para Portugal", conduzida por outra pessoa.

O acidente, na opinião do deputado, deve servir de alerta "para esta forma de transporte dos emigrantes portugueses na Suíça, porque os de França vêm para Portugal em carros particulares".

"Isto deve chamar a atenção sobre as condições em que é feito este tipo de transporte, não sabemos se é legal, mas as autoridades francesas já manifestaram a sua estranheza", sublinhou. "Ninguém sabe se adormeceu, o que se sabe é que chocou de frente com um camião, e os condutores italianos não estão feridos, estão em estado de choque. Tentou evitar a viatura mas não conseguiu, e o motorista foi projetado pelo vidro da frente ainda preso ao banco, seguro pelo cinto de segurança."

Agravante no processo

A sobrelotação será uma agravante no processo-crime que o jovem motorista deverá enfrentar, como explicou fonte policial. Uma carrinha que pudesse transportar 13 pessoas teria de ser um pesado de passageiros e nessa categoria só podia ser conduzida por um condutor com 21 anos ou mais e com certificado de habilitação própria de motorista, precisou fonte da Unidade de Trânsito da GNR.

Fernando Rocha, português que mora há 12 anos em Romont, comunidade do cantão de Friburgo, na Suíça (onde viviam nove dos 13 portugueses mortos no acidente), declarou ser "habitual" este tipo de transporte para ir a Portugal. "As pessoas procuram esses meios [carrinhas, minibus] porque fica mais barato", disse .

Governo e Presidente lamentam

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou estar "consternado com a morte de cidadãos portugueses em França" e expressou "as mais sentidas condolências" às suas famílias. Também o primeiro-ministro, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e o governo "exprimiram as suas condolências às famílias de doze portugueses falecidos". O governo irá apoiar a trasladação dos corpos para Portugal.

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