Linhas de Sintra e Cascais: 40 jovens apanhados a roubar

Furtos e roubos aconteceram mais dentro dos comboios, cheios de turistas nesta época. PSP identificou bandos de jovens

Pelas janelas dos comboios que atravessam a linha de Cascais, as praias de mar azul convidam ao lazer. Só nessa linha e na de Sintra viajam, em média, por dia, 300.000 passageiros, número que no verão é mantido e acrescido com turistas portugueses e estrangeiros. A CP admite que o volume de viagens de turismo a bordo dos comboios é já 20% do total de passageiros, a nível nacional.

A segurança nos comboios tem de acompanhar esse crescimento. Este ano a PSP até antecipou a operação de reforço de vigilância nas linhas urbanas de Sintra e Cascais para início de junho mas, mesmo assim, a criminalidade juvenil voltou a atacar.

Três revisores agredidos, 14 assaltos a passageiros, 24 detidos e 16 identificados (40, no total) por furtos e roubos no interior das composições feitos por jovens da periferia urbana de Lisboa que atacam nos comboios das linhas de Cascais e Sintra. É este o primeiro balanço da da operação Verão Seguro (do início de junho até fim de agosto) nas linhas com maior volume de passageiros do país, segundo dados avançados pela PSP ao DN.

A Linha de Cascais, pelo fácil acesso às praias a partir das estações ferroviárias, registou nos três meses da época balnear um acréscimo de passageiros fora das deslocações habituais no resto do ano, ou seja, "pessoas em deslocações para as praias, portugueses e estrangeiros, turistas no geral", como descreve Ana Portela, porta-voz da CP. Com os comboios cheios de turistas, aparecem grupos de jovens da periferia urbana de Lisboa, de três, quatro e cinco elementos, segundo a polícia. Muitos deles viajam sem bilhete. Mas são "roubos esporádicos", por enquanto, ainda não associados a uma criminalidade juvenil organizada e especializada nos comboios.

Revisores são alvos fáceis

Este ano, a PSP antecipou a operação Verão Seguro nas linhas por causa de episódios de violência registados no dia 8 de junho na estação da Damaia (linha de Sintra) e que incluíram um revisor e vários passageiros agredidos por um grupo de 30 jovens. O profissional da CP Ficou de baixa médica duas semanas.

Os revisores nem gostam de contar de viva voz as situações por que passam "porque têm medo, também vivem em localidades nas linhas de Sintra e Cascais e receiam cruzar-se com esses jovens", explica ao DN o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, Luís Bravo. A situação mais grave, até hoje, foi a de "um revisor que ficou cego de uma vista depois de ter sido agredido o ano passado, à saída da estação Agualva-Cacém, por um grupo de jovens que o perseguiu depois de ele ter terminado o turno". Tudo porque o profissional os multou por viajarem sem bilhete.

Rui Ramos, 71 anos, residente em Agualva (Sintra), que frequenta a linha de Sintra há 40 anos, faz um retrato de insegurança: "Algumas estações fecham cedo à noite, os comboios noturnos circulam com poucas pessoas. Na estação de Agualva-Cacém estão sempre a rebentar com as portas e os alarmes a disparar".

Rui Ramos foi um dos fundadores e porta-voz da Comissão de Utentes da Linha de Sintra, onde esteve 25 anos. "Desde que a PSP deixou de ter aquele corpo de polícia ferroviária que andava nos comboios e no Metro, e que foi criado a pensar na Expo 98, tudo piorou a nível de segurança nas duas linhas. Eram 60 agentes dedicados diariamente à vigilância das linhas de Sintra, Cascais e ao Metro", recorda. "Algumas funções desses polícias foram para elementos segurança privada, mas não é a mesma coisa", lamenta.

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