Empresário raptado em frente da filha. Pedidos de resgate são raros em Portugal

Homem de 43 anos, emigrante, foi raptado por dois homens encapuzados junto à garagem do prédio. A filha de 8 anos entrou em pânico, mas conseguiu alertar a vizinhança

Os dois alegados raptores de um empresário de Braga estavam ontem a ser procurados pelos inspetores da Unidade Nacional contra Terrorismo da Polícia Judiciária do Porto. O empresário da construção civil, imigrado em França, foi raptado na noite de sexta-feira junto aos acessos da garagem do seu prédio em Lamaçães, Braga. A filha de 8 anos assistiu a tudo, entrou em pânico mas ainda conseguiu alertar a vizinhança. A criança precisou de receber apoio psicológico do INEM no local.

O empresário, de 43 anos, foi abordado à porta da sua casa por dois homens encapuzados, que o agrediram e meteram à força num carro, levando-o com eles. Os raptores pareciam conhecer as rotinas do emigrante, pois estavam à sua espera, às 21.00. Segundo o JN, o homem ainda terá tentado pedir ajuda ao irmão através do telemóvel. O empresário está separado da mãe da criança, mas, segundo garantiu o sogro ao jornal, existe um relacionamento cordial entre ambos. O empresário vem a Portugal de duas em duas semanas para ver a filha.

O DN contactou a PJ que se recusou a dar informações sobre o caso para não comprometer a investigação e o objetivo de salvar o homem. Desconhece-se se os raptores já pediram resgate.

Dois ou três dias é a média

A maior parte dos raptos em Portugal não costuma ultrapassar os dois ou três dias. Os raptos de civis para exigir avultadas somas de dinheiro são raros, ao contrário do que acontece na Venezuela, que tem uma enorme comunidade portuguesa, em Moçambique ou no Brasil.

São mais frequentes, no nosso país, os sequestros-relâmpago, como descreveu uma fonte policial. "A diferença para o rapto é que o sequestro é a retirada da liberdade, pura e simplesmente, durante minutos ou horas", refere. O rapto já implica movimentar as pessoas de um lado para o outro, por vezes colocando-os em cativeiro, a troco de dinheiro ou de outras exigências.

Os sequestros-relâmpago têm sido muito usados em Portugal em contexto de crime. Por exemplo, por assaltantes que fecham os empregados de estabelecimentos comerciais numa divisão para poderem concretizar melhor os objetivos.

Tem havido alguns raptos mas mais situados no contexto de vinganças e acertos de contas entre traficantes de droga para exigência de pagamentos devidos. São muito mais raros os raptos em casos de pessoas comuns, como o empresário de Braga levado na sexta-feira.

Em 2011, a Polícia Judiciária desmantelou um grupo criminoso "extremamente violento e perigoso" que raptava traficantes de droga e os torturava com requintes de malvadez, enquanto exigia ao telefone um resgate aos familiares e amigos das vítimas. Chegaram a obter centenas de milhares de euros com os raptos.

Em março de 2013, um empresário foi raptado e agredido selvaticamente em Famalicão por um bando suspeito de ter tentado cobrar à força dívidas superiores a cem mil euros.

Raptavam jogadores de casinos

Num passado mais recente, a Polícia Judiciária apanhou um grupo de seis homens, com idades entre os 23 e os 29 anos, que se dedicavam a raptos, sequestros, agressões e assaltos a clientes de casinos. A Operação Casino Royal foi divulgada a 28 de outubro de 2015. Uma das vítimas foi um jogador chinês que saiu do Casino Estoril, numa madrugada de maio e foi raptado por um bando de encapuzados, de luvas nas mãos, que o meteram num carro topo de gama e aceleraram. A PJ conseguiu deter os seis suspeitos.

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