Um português nos bastidores da festa

Eurofestivaleiro convicto, há muito que Pedro Granger aponta a semana do Festival na sua agenda. Pelo segundo ano consecutivo, partilha com os nossos leitores o que viu...

Amado por uns, odiado por outros, o Festival Eurovisão da Canção é, sem dúvida alguma, um dos maiores eventos televisivos do mundo. E isto é um juízo de facto, não uma opinião pessoal.

No ano passado mais de 170 milhões de espectadores assistiram às duas semifinais e grande final que tiveram lugar em Malmö, na Suécia. Este ano, o festival viajou até à Dinamarca (grande vencedora de 2013 com Only Teardrops, de Emmelie de Forest), e milhares de fãs, artistas, bem como cerca de 1600 jornalistas de mais de 80 países tomaram Copenhaga de assalto, fazendo dela a capital eurovisiva do mundo e, da B&W Hallerna, o palco eurovisivo deste ano.

Depois do interregno de 2013, Portugal voltou a marcar presença na Eurovisão com Suzy e o inesperado sucesso Quero Ser Tua.

Sim, leu bem, escrevi mesmo inesperado sucesso.

Embora não tendo passado à final deste sábado, a verdade é que os fãs eurovisivos presentes aqui em Copenhaga estão completamente rendidos ao fenómeno da nossa música (pimba para alguns, popular para outros). Aliás, todas as noites no Euroclub (discoteca onde fãs, imprensa e delegações se encontram) a música portuguesa passa várias vezes, e pessoas de toda a Europa fazem o já famoso "Suzy shake" (coreografia da nossa música que Suzy fez questão de ensinar aos fãs eurovisivos através do YouTube), havendo até direito a comboio, bem ao jeito dos bailaricos e feirinhas populares do nosso país.

Suzy, que quando chegou passou pela infelicidade de ser assaltada, tendo ficado sem carteira, telemóvel e documentos, depressa se animou com a reação positiva dos fãs, e, pensando bem (e esta é já a quarta Eurovisão a que venho), nunca vi tão boa reação à nossa música, mesmo que muitos digam que não gostam nada dela, embora os divirta e os deixe bem-dispostos.

Suzy não foi, porém, o único português a pisar o palco este ano. O cantor Rui Andrade, que participou nas três últimas edições do Festival da Canção, consegui finalmente concretizar o seu sonho de vir à Eurovisão. Não com as cores verde e vermelha, mas é através da delegação da Rússia que ele cá está, sendo um dos cantores que faz os coros da música russa, que, como vimos na passada terça feira, marcará presença na final deste sábado, embora tenha sido alvo da maior vaia da noite por parte do público, devido ao conflito da Crimeia entre a Ucrânia e a Russia.

Na história recente de todo o Festival Eurovisão da Canção, não há, aliás, memória de uma sala inteira a vaiar um país como aconteceu este ano com a Rússia, o que confirma que este não é mesmo um concurso só de canções mas um palco onde se jogam amizades, parcerias e estratégicas geopolíticas.

Quanto a possíveis vencedores e vencidos, este ano a coisa está mais complicada do que na última edição, onde se previa desde cedo a vitória da Dinamarca, e do que em 2012, quando a Suécia já tinha ganho mesmo antes de o Festival começar.

Há quem diga que a Suécia é uma das grandes favoritas este sábado, se bem que a Arménia também esteja entre as mais bem cotadas, arriscando-se a organizar o festival do próximo ano, caso ganhe.

Uns preveem muitos votos por simpatia na Ucrânia, tendo em conta a situação que o país está a atravessar. A Dinamarca também terá provavelmente um lugar no top 10, mas o certo é que este ano ninguém consegue mesmo identificar um vencedor logo à partida.Quanto às excentricidades a que este festival já nos habituou, salienta-se a performance das bailarinas polacas, e, no que diz respeito a surpresas, a eliminação da Bélgica era algo que os fãs não previam, bem como o afastamento da Moldávia, pois tinha vários países ex-soviéticos a votar na sua semifinal.

Já a opinião da imprensa presente aqui em Copenhaga elegeu a Itália, com Emma Marrone, como a melhor performance no palco e Tijana Dapcevic, da antiga república da Macedonia, como a artista mais simpática deste ano.

Em 2015 o Festival fará 60 anos e é grande a expectativa em saber quem e como o irá organizar. Para já, na semifinal de terça-feira (a outra terá acontecido ontem, já depois do fecho desta edição) a televisão dinamarquesa provou ser capaz de inovar e surpreender tudo e todos com uma produção cénica e de luzes nunca antes vista num evento televisivo, com direito a simulações em 3D e toda uma parafernália de fogo, vento e projeções que tanto ajudam este espetáculo a ser o evento televisivo com maior audiência do mundo.

O que vai acontecer sábado ninguém sabe. Estocolmo? Viena? Baku? Kiev?... Uma coisa é certa, em Lisboa não será certamente. É que ao contrário do que muitos no nosso país pensam, o Eurovision Song Contest está mesmo na moda por essa Europa fora. Só em Portugal é que parece que não percebemos o potencial que um evento desta envergadura pode ter para as comunidades emigrantes dos vários países, já para não falar do enorme mercado potencial que o festival pode ser para os cantores.

No dia em que a classe artística portuguesa perceber isso, aí sim, talvez seja mesmo um enorme orgulho levantar a nossa bandeira neste que é o maior festival de música do mundo. Até lá vamos ter de esperar por melhores dias. Uá, uá, uá, uá, uê...

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