Moniz divide-se entre a TVI e a RTP

Consultor para a ficção da TVI e na produtora Coral Europa, o vice-presidente do Benfica volta ao xadrez do mundo mediático e cumpre o desígnio: "Nunca me afastei da televisão."

O panorama televisivo está a mudar a uma velocidade galopante e José Eduardo Moniz volta a ocupar uma das mais proeminentes posições no valioso tabuleiro de xadrez que é a televisão. Tornar-se, em março deste ano, consultor da TVI para a ficção - e estar a ser bem-sucedido numa das primeiras tarefas que tomou para si, a recuperação de audiências de O Beijo do Escorpião - é apenas uma parte das suas funções como consultor da JEM Media Consultancy.

Por essa altura, Moniz era já um consultor da produtora internacional Coral Europa. A empresa chegou a Portugal há cinco anos, tendo, desde aí, acumulado no seu portfólio trabalhos com a TVI e , agora, com a RTP. "A produtora está numa fase importante de crescimento", diz um dos elementos próximos da produtora.

Jose Eduardo Moniz "é, como já foi oportunamente tornado público, consultor desta empresa. Exerce aqui a sua atividade de acordo com esse pressuposto. Além disso, é um bom amigo", sublinhou à Notícias TV José Silva Pedro, diretor-geral da Coral Europa. Na verdade, esta produtora conta com as opiniões e sugestões do atual vice-presidente do Benfica para os projetos em marcha.

"Nunca me afastei da televisão, é um meio de que gosto muito, faz parte da minha vida e não tenciono decididamente afastar-me", declarou José Eduardo Moniz à nossa revista no dia em que a RTP comemorou 57 anos. Nesse mesmo momento, o antigo diretor-geral da TVI e da RTP remeteu para "outra altura" explicações sobre a sua relação e futuro profissional quer com o canal de Queluz de Baixo quer com a estação pública, tendo em conta as futuras alterações da empresa, entre elas, a eventual externalização da produção da empresa.

TVI CONTA COM MONIZ PARA LIDERAR

"Sem dúvida, queremos ser líderes", declarou Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, à margem da gala de aniversário da RTP, a 7 de março. "Espero ter uma boa relação e grandes resultados com Moniz", afirmou então a responsável.

"Há objetivos definidos e há projetos de ficção que vão imediatamente contar com ele [Moniz]", frisou Cullell. "Por agora, temos um contrato por tempo determinado, vamos avaliar, vamos ver se será por um, dois ou mais anos", enumerou. Quanto ao futuro desta parceria, Cullell foi cautelosa: "Vamos ver como trabalhamos juntos, acho que vamos entender-nos muito bem. Gostamos muito um do outro do ponto de vista profissional. Ele trabalhou na TVI, conhece bem a empresa, a casa e as pessoas e vai ser fácil."

Apesar da sua influência crescente na ficção da TVI, e da "excelente relação" entre ambos, de acordo com fontes da nossa revista, Moniz terá também o seu dedo no day time da RTP, uma vez que a empresa pública contratou a Coral para remodelar a programação matinal do canal. Este, porém, pode não ser o único interesse na mira da produtora.

A externalização da produção da estação do Estado (mantendo a Informação na casa) é, como já assumiu o presidente Alberto da Ponte, no início de abril, "uma questão de tempo", ainda que seja um tema a discutir com a tutela, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro. "Sou da opinião que uma produção da informação deve ser completamente in-house [interna], não deve ser externalizada", ao contrário da área de entretenimento "e, no futuro, é o que vai acontecer. Se não tomarmos esta decisão em 2014, teremos de tomar em 2015 ou em 2016 porque é exatamente essa a tendência", disse à agência Lusa.

Recorde-se que houve várias empresas a manifestar, junto da RTP, interesse em consultar o caderno de encargos para a eventual externalização dos meios de produção da RTP quando a hipótese foi avançada. Tanto a Coral Europa como a SP Televisão, liderada por António Parente e que assina projetos na SIC (Sol de Inverno) e RTP1 (Bem-Vindos a Beirais e Os Nossos Dias), foram as únicas produtoras que admitiram publicamente estar interessadas em consultar o processo.

PIET-HEIN BAKKER PODE ESTAR A CAMINHO DE NOVOS VOOS

O xadrez televisivo joga-se, entretanto, noutro tabuleiro. O antigo responsável pela produtora Endemol em Portugal, e que trouxe êxitos como Chuva de Estrelas (SIC) ou Big Brother (TVI) e atual proprietário da empresa Milkyway, que desenvolveu conteúdos como o programa Olé (emitido na SIC em 2013), pode integrar a equipa da produtora Coral Europa. O objetivo desta parceria, explica uma fonte próxima do processo à nossa revista, é de "desenvolver a parte internacional dos formatos da produtora".

Um "namoro" que, apurou a Notícias TV, estará ainda numa fase preliminar. Contactado, Piet-Hein Bakker não quis tecer comentários sobre o que poderá vir a fazer no futuro nem confrimar se estaria de facto a caminho da Coral Europa, em Espanha. Já o seu diretor-geral, José Silva Pedro, à NTV, é perentório: "Piet Hein não vai integrar os quadros da Coral Europa." "Espero que isto ponha fim a qualquer especulação", adiantou, sem contudo esclarecer se o produtor holandês pode vir a assumir outras funções, como, segundo várias fontes contactadas pela nossa revista, consultor da empresa.

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