Ligas milionárias são golos de ouro nas grelhas da TV

A cinco dias da final da Liga Europa, em Turim, e a dez da Liga dos Campeões, em Lisboa, quanto valem as duas competições para as estações? Isto a quatro meses de as negociações com a UEFA recomeçarem.

Ter duas vezes o Benfica na final da Liga Europa... isto não podia ser melhor", diz, orgulhoso, Luís Marques. Um ano após ter perdido o troféu para o Chelsea, em Amesterdão, a equipa encarnada vai agora a Itália tentar conquistar o título frente ao Sevilha. O administrador editorial da Impresa, que detém a SIC, festeja o facto de o clube da Luz estar a pôr Carnaxide a voar mais alto nas audiências e na rentabilidade.

Na próxima quarta-feira, 14, a SIC vai transmitir a final da Liga Europa. E para um jogo que vai durar hora e meia na noite de quarta-feira, certo é que a cobertura começa muito antes e entrará em cena no canal generalista, SIC, e no cabo, SIC Notícias, a qualquer momento.

Alcides Vieira, diretor de Informação de Carnaxide, revela que os protagonistas do teatro de operações de uma das mais aguardadas finais dos últimos tempos estão aptos a entrar a qualquer momento. "Vamos preparar uma emissão especial, vamos ter 22 pessoas envolvidas na operação informativa da final da Liga, vamos enviar sete jornalistas para Itália, por exemplo. Cobriremos a preparação do evento, o jogo em si - com narração de Luís Marçal e comentários em direto de Nuno Luz e de Nuno Pereira -, e, ao longo de um dia normal de emissão, as equipas estão preparadas para entrar em direto no daytime. O pivô desta operação vai ser Pedro Mourinho e 90% dos jornais serão feitos a partir de Itália", avança o diretor de Informação.

Quanto a investimento na competição, Luís Marques não fala em números, mas sustenta: "O futebol nunca se paga por si só, tem de se ver estes campeonatos como um conjunto, tendo em conta as audiências que dá, a contaminação de consumos televisivos noutros formatos. Se formos ver o investimento associado a cada jogo de futebol, e não há racional, no conjunto tem sido um bom investimento para nós", sustenta.

A ideia de que o futebol nunca se paga é repetida por vários responsáveis contactados pela Notícias TV e que conhecem por dentro os meandros do negócio. "Um intervalo nunca tem a capacidade de se fazer pagar com os anúncios que inclui", explicam à nossa revista. Então e o antes? E o depois? "O rasto de audiências que deixa ligado ao canal e que podem seguir para outros produtos é essencial", explicam.

No top 20 dos programas de futebol mais vistos desde março de 2012, era GfK, a SIC conta com dez entradas na Liga Europa. José Alberto Carvalho, diretor de Informação da TVI, é mais cauteloso na análise da rentabilidade da Liga dos Campeões - que vai estar na estação até 2014-15: "Não tenho dados para responder sobre isso, temos um contrato de três anos."

As marcas não têm dúvidas. "Estes eventos são sempre muito bons porque há muita emoção envolvida e, hoje, com a fragmentação dos media, há muito pouca gente a ver em direto conteúdos televisivos. O live é aquilo por que todos lutam e é ali que as empresas garantem que os seus spots são vistos", explica Manuela Botelho, secretária-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes.

E os Campeões?

"As equipas portuguesas têm tido este comportamento fantástico", resume Luís Marques. Fantástico? O Benfica tinha começado a época na Liga dos Campeões, mas acabou por cair para a competição abaixo. "Pois, essa parte é porque eles saem da Champions, mas depois vêm para a SIC", contemporiza.

Mas representa isto um mau investimento da parte da TVI? José Alberto Carvalho, diretor de Informação de Queluz de Baixo, é perentório. "Francamente, a competição não desvaloriza por não ter equipas portuguesas. Valoriza mais essas competições onde elas estão agora do que desvaloriza a Champions, que tem um valor muito próprio" e que decorre, na opinião do responsável, de vários factos.

"Ter a Champions é uma questão de posicionamento da marca na estação, é a prova de desporto mais competitiva do mundo e é feita com enorme profissionalismo. A UEFA tem uma organização extraordinária, e isso transparece na emissão. Esse posicionamento é claro tanto na TVI como na TVI24, uma vez que desde o início que anunciámos que a cobertura da prova nos dois canais fazia parte da nossa estratégia", explica José Alberto Carvalho. E os resultados estão à vista: em abril, a TVI24 liderou no horário nobre em matéria de canais noticiosos no cabo.

Uma conquista que parece levar a SIC a considerar que Queluz de Baixo pode estar a fazer carrinho no desporto. "Eles foram líderes do prime time em abril na TVI24, mas é preciso descontar os jogos de futebol, e a Champions é muito forte", contrapõe Luís Marques.

Audiências, impacto e o selo de exibir uma das mais importantes competições do futebol mundial são razões para a TVI não perder pitada da Liga Milionária (que também tem expressão na área multimédia da estação), sobretudo quando há portugueses envolvidos, como vai ser o caso de Cristiano Ronaldo, o número 7 do Real Madrid. "As vantagens são diretas e indiretas. Obviamente que as audiências são de altíssimo nível. Quem não sabe muito de bola gosta de ver este tipo de futebol, os jogos são muito disputados e tem as melhores equipas. E apesar de ser sempre uma lotaria e não se saber como vai evoluir a prova - porque estamos muito dependentes das equipas que se vão apurando -, temos tido a sorte de ter jogadores portugueses em competição nas equipas das fases finais, como Cristiano Ronaldo ou ter o treinador José Mourinho."

O madeirense apresenta-se no relvado a 24 de maio, no Estádio da Luz, na final da Liga dos Campeões, e apesar de José Alberto não querer revelar para já qual a cobertura prevista, certo é que a operação vai ser longa e conduzida pelos jornalistas Joaquim Sousa Martins e Cláudia Lopes. Pedro Sousa vai narrar o jogo e os ex-futebolistas Dani e Vítor Baía serão os comentadores do duelo das equipas madrilenas: Real e Atlético.

Sport TV é "host broadcast" da final

As duas competições europeias estão, em sinal codificado, na Sport TV - que vai ser o host broadcast da final da Champions, sinal que vai ser enviado para todo o mundo, contando com 170 pessoas e 33 câmaras na transmissão do jogo e recurso a helicópteros.

Bessa Tavares, diretor-geral e administrador da Sport TV, faz uma análise às competições e explica que "há uma importância relativa das duas competições. A Champions é mais apelativa ao nível mundial. No caso português, a Euroleague ganhou particular importância porque as duas melhores equipas portuguesas entraram nesta prova."

O investimento nos jogos, cujos montantes negociados com a UEFA variam consoante a saúde das economias de cada país, não é revelado, embora o administrador fale "em valores muito próximos aos praticados para sinal aberto, mas tendencialmente mais elevados". O rendimento, prossegue, "mais do que a publicidade", o "alvo dos canais codificados são, em primeira mão, os subscritores".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG