Júlia Pinheiro: "Não preciso de festas à minha volta ou de reconhecimentos públicos"

A 15 dias da estreia de "Splash! Celebridades", SIC , a apresentadora fala do elenco, comenta a queda de audiências do "Big Brother VIP" e evita novas polémicas com Teresa Guilherme. "Karaoke Killer" é tabu, mas diz que vai estrear um produto atrevido nos Globos de Ouro e que a dupla de "Você na TV" continua a ser um sonho...

Foi fácil convencer 24 celebridades a saltar para a piscina do Jamor? Não é muita gente?

Foi muito fácil. As imagens do formato espanhol, que são muito bonitas, ajudaram bastante, mas também a componente surpresa e o facto de ser feito à beira de uma piscina. As pessoas vão ver mulheres lindas como Raquel Strada, Carolina Patrocínio, Cristina Areia, Filipa de Castro, Merche Romero, Dora, Liliana Aguiar, Filipa Gonçalves, Rita Andrade e Simone Fragoso, uma atleta paralímpica. Não nos esquecemos dos rapazes bonitos! Vamos ter Sisley Dias, Ricardo Guedes, Rui Porto Nunes, Rui Barros, que foi treinador de Peso Pesado, Alexandra da Silva, José Moutinho e João Ricardo. Este está doido, completamente doido para saltar da prancha de dez metros. O elenco é maravilhoso e estou ansiosa pela estreia, a 26 de maio. Alguns concorrentes têm uma história relacionada com água porque sofreram um acidente a mergulhar, como é o caso do ex-hoquista Filipe Gaidão. Temos a protagonista de um acidente violento que parou o país, a atriz Sónia Brazão, para quem este desafio é uma superação física.

Quem acha que vai ser a maior surpresa?

As pessoas terão uma grande surpresa quando virem em cima da prancha Jorge Pina, que está cego. Ele foi um pugilista famoso, que cegou à conta do boxe, mas que vai saltar no Splash! Temos um homem que não sabe nadar, Cláudio Ramos. Espero que comecem a organizar rapidamente a criatura em relação aos treinos porque ele está aterrado e não gosta de perder nem a feijões. José Castelo Branco também está convidado. Ele tem uma performance única e estonteante, mas é muito competitivo e destemido. Vamos ter uma avó, quase bisavó, que é a atriz Rita Ribeiro, uma senhora de quase 60 anos, sem qualquer problema em vestir o fato de banho e atirar-se para a piscina. O Toy também vai saltar e cantará, o que é extremamente sensual...

Que famosos sugeriu e porquê?

Sugeri, sugeri, sugeri... mas não vou dizer.

Telefonou a convidar algum famoso seu amigo?

Sim. Sim. Mas também não vou dizer.

Tiveram muitas negas?

Curiosamente não. Recebemos para aí umas sete negas. Não vou revelar nomes, mas essas pessoas têm pavor de saltar.

E vergonha de se expor de fatos de banho?

Não. Nós garantimos que não faremos uma exposição de mau gosto ou gratuita dos corpos dos concorrentes, até porque o tom do programa é de grande brincadeira e boa disposição.

Houve quem se tivesse oferecido?

Apareceram alguns voluntários. Essas pessoas fizeram-nos chegar a informação que estavam disponíveis para participar, mas não me fica bem dizer quem foi.

Quem queria e não conseguiu?

Estão lá todos aqueles em que inicialmente tinha pensado. É um lote muito fixe!

Qual é o cachê semanal? E o prémio final vai ser de 50 mil euros, como na edição espanhola?

Eu não faço a mais pequena ideia de quanto é que as celebridades vão ganhar e até faço questão de não saber. Isso é um detalhe da produção. Em relação ao prémio final, o valor ainda está a ser decidido.

Além dos saltos, que mais vai ter as galas?

Espetáculos de natação sincronizada, saltos acrobáticos executados por profissionais, música e dança. Será um grande espetáculo de entretenimento e muito bonito. Garanto!

Vamos assistir a declarações de amor, pedidos de casamento, como aconteceu no Splash! espanhol?

Deus queira que isso aconteça. Ficaria muito feliz. A Carolina Patrocínio está noiva de Gonçalo Uva, que é um jogador de râguebi e pode ser que ela se queira casar lá...

"Rui Unas não tem tido sorte"

Porque escolheu Rui Unas para coapresentador?

Fui eu que sugeri o nome de Rui Unas e empenhei-me muito para que fosse ele o escolhido. É um homem com muita graça, mas que não tem tido sorte nos formatos da SIC generalista. Este programa dá-lhe espaço para brincar e estará completamente à vontade. Rui Unas tem muito talento e irei ter bastante prazer em trabalhar com ele. Vamos dar-nos às mil maravilhas.

Qual vai ser o papel de Rui Unas?

Vamos estar os dois a apresentar, só que ele subirá mais vezes as escadas das pranchas do que eu, porque tem umas pernas melhores que as minhas e é mais novo pelo menos dez anos. O plateau do Splash! é enorme e temos de cobrir vários pontos, e o Rui vai lá.

Depois de rebolar, atreve-se a vestir o fato de banho e saltar para a piscina?

Essa é uma questão que deixo em aberto. Pode muito bem acontecer num certo domingo apetecer-me vestir o fato de banho... e mergulhar.

Quanto custam as piscinas do Jamor?

Sei lá. Não tenho nada que ver com a produção. Tenho umas ideias e depois alguém faz, neste caso a Fremantle Media.

O Splash! tem diários?

Não. É um programa de domingo para a família. Não é um reality como nos habituamos a ver. É um concurso bem-humorado. Apenas isso.

Como vai vestir-se para os diretos?

O meu guarda-roupa vai ter um bocadinho de tudo, desde vestidos compridos a vestidos curtos, mas nada de minissaia, porque já não tenho idade e já sou avó.

Está preocupada com as lesões e a seguranças dos concorrentes?

Houve pessoas que ficaram alarmadas com as notícias de uma morte na China. Só que o acidente foi com o assistente de um concorrente e não teve nada que ver com o programa. O caso merece investigação porque o assistente morreu afogado, mas ninguém se afoga numa piscina cheia de gente. Nós vamos ter umas cem pessoas à volta da piscina, entre atletas da natação sincronizada, nadadores-salvadores e até um operador de imagem dentro de água. Jamais alguém irá afogar-se. Jamais! Quantos às lesões, vão aparecer, com certeza. Em qualquer concurso em que os concorrentes são sujeitos a provas físicas aparecem lesões. No Peso Pesado tivemos coisas complicadíssimas e gerimo-las todas muito bem.

Porque se chegou à frente para apresentar este formato?

Quando vim para a SIC estava no pacote negocial fazer o PesoPesado. Por ser o primeiro reality show da estação e porque eu era uma espécie de símbolo. Muito bem, fiz! Mas a segunda temporada de Peso Pesado tornou-se impossível conciliar com as manhãs e acabou por ser a Bárbara Guimarães a fazê-la. Entretanto, devido a solicitações várias, não deu para avançar com outro projeto, mas avançou o Ídolos com a Cláudia Vieira e o João Manzarra. Veio o Toca a Mexer! e fazia todo o sentido que a Bárbara continuasse com os gordinhos. Agora, sim senhora! Sei que vou competir com um grande formato do lado de lá. A SIC não vai para uma guerra com a TVI, mas para uma competição, e espero ter bons resultados.

Em Espanha, o Splash! afundou o Big Brother. Que expectativas têm em relação ao confronto com o BB VIP da TVI?

As melhores. A primeira gala do Splash! vai chamar muito a atenção.

Já viu o BB VIP? O que pensa do casting e das novidades de casa rica/casa pobre, concorrentes a entrar a qualquer momento...?

Já vi, mas é uma matéria muito interessante para eu falar dentro da SIC. O Big Brother é um grande formato. Às vezes não se é feliz no casting, fazem-se afinações que não são muito eficazes, não sei se é o caso, mas o BB tem vindo a perder público.

Na primeira semana, o BB VIP perdeu 500 mil espectadores, na segunda perdeu mais 60 mil. Prevê-se uma boa estreia de Splash!?

Não quero um confronto entre a SIC e a TVI. Não quero um confronto entre mim e a Teresa Guilherme. Please! Nós queremos apresentar um grande formato e introduzir novidade. Somos uma estação com uma grande tradição no entretenimento e vamos fazer uma coisa que ainda não foi vista cá.

O Filho Rui Maria Pêgo no Karaoke Killer?

Karaoke Killer é outra das grandes apostas da SIC para o verão?

O que é isso? Que programa é esse?

É o programa que a NTV anunciou em primeira mão que a SIC ia fazer a seguir ao Splash! Quem vai ser o apresentador?

Estou em modo Splash! A minha cabeça neste momento é Splash! e Globos de Ouro.

Aos Globos já lá iremos, em relação ao Karaoke Killer vai ser um humorista como na edição americana? Poderá ser César Mourão, Marco Horácio ou Fernando Rocha?

É muito cedo. Não está fechado.

O seu filho [Rui Maria Pêgo] escreveu no Facebook que dava um braço para apresentar esse programa? Vai dar-lhe a oportunidade?

Ai é?! Está pateta! Acho que lhe faz falta o braço. As pretensões do meu filho são coisas que retenho com muita ternura. Percebo que ele está... está a pensar nas coisas, na indústria. Mas não tenho mais nada a dizer sobre isso.

Assim, está a cortar-lhe as pernas na SIC generalista?

Não estou a cortar nada. Nem sequer confirmo que vamos fazer o Karaoke Killer. Neste momento essa é apenas uma projeção dele. Eu também gostava de apresentar um talk show como o do Jon Stewart e não vai acontecer. São coisas da vida.

O seu filho está num beco sem saída por o pai ser diretor de Programas da rádio da RTP [Rui Pêgo], a mãe apresentadora e diretora de Conteúdos da SIC... Alguma vez conseguirá impor-se com o peso da herança que tem?

Ele está a trabalhar lindamente. Mudou de rádio, está agora na Mega Hits e começou a colaborar com o Canal Q. Não acho que esteja num beco sem saída. Mas pensei que esta entrevista era sobre mim e não sobre ele..

Voltemos à SIC, enquanto diretora de Conteúdos da estação, o que está a preparar para a rentrée em setembro?

Coisas fantásticas. Estamos confiantes de que a estratégia que desenhámos nos vai trazer ainda mais dividendos. Estamos atingir as metas a que nos propusemos, a consolidação e a aproximação do público.

O concurso Vale Tudo volta em setembro?

Não sei quando voltará. Mas é um formato em que voltaremos a apostar.

As novelas Ambição e Salve Jorge vão herdar bons resultados no horário nobre. Conseguirá a SIC continuar a ganhar às novelas da TVI?

Ambição vai ser uma grande novela, como é Dancin" Days. É uma história atual, muito feminina e com um grande elenco. Em relação ao Salve Jorge, não está garantida que seja essa a novela brasileira para setembro. Ainda estamos a avaliar com a Globo. As nossas novelas têm tido mérito, mas também temos sido bafejados pela sorte. Que já merecíamos. E, claro, outras circunstâncias...

Circunstâncias relacionadas com as novelas da TVI? Não evoluíram?

A máquina de produção de ficção da TVI está com algumas dificuldades. Fazer novelas com menos recursos, cortar em tudo e mais alguma coisa acaba por afetar o produto. A culpa não é de quem produz as novelas, de quem as programa, que neste caso é o Luís Cunha Velho, que não irá ter uma liderança fácil porque a relação com a Prisa é difícil.

Como vai ser a participação de Diogo Morgado em Ambição, já que o ator é uma estrela de Hollywood?

Ele domina à escala global! Vamos tentar conciliar as necessidades profissionais do Diogo com as nossas necessidades na novela.

Em relação ao Ricardo Pereira, está excluída a participação dele em novas novelas da SIC?

Ele está muito empenhado na sua carreira no Brasil, mas um dia vamos voltar a tê-lo numa novela da SIC.

Luciana Abreu anda entre a SIC e a TVI, poderá tornar-se exclusiva da SIC?

As exclusividades estão difíceis de manter nos tempos que correm e criar essa ilusão é grave. Estamos muito interessados no talento da Luciana. Ela tem capacidades acima do comum e queremos continuar a contar com ela.

Produto atrevido vai estrear nos Globos

Antes da estreia de Splash! temos os Globos de Ouro. Gostava de recuperar os prémios de televisão nos Globos de Ouro?

Se gostava... Não falemos disso, que é uma velha guerra. Tenho muita pena e já manifestei a minha opinião a quem de direito. Neste momento não é possível, mas um dia quem sabe. É uma esperança que não perco.

Os prémios não perderam sentido quando perderam estes prémios?

Não. Os Globos foram concebidos há 18 anos para premiar não apenas os profissionais de TV, mas a criatividade e o talento em várias áreas, e por isso continuam a fazer todo o sentido. Os Globos são a festa de referência de toda uma indústria.

Sente que o seu trabalho ao nível dos prémios é reconhecido em Portugal?

É uma coisa que não me ocupa o espírito. Não preciso de festas à minha volta ou de reconhecimentos públicos. Fui sempre nomeada para os prémios de TV dos Globos de Ouro e nunca levei um para casa. Sou a eterna nomeada.

Que novela é essa que andam todos a gravar para mostrar nos Globos?

É uma novela fantástica. Um produto novo que vamos estrear nos Globos. Vai provocar perplexidade, mas temos de apontar novos caminhos para a ficção. É um produto atrevido. Queremos inovar no conceito de ficção. Vamos ver como resulta...

Sextas mágicas para namorar o público

As Sextas-Feiras Mágicas vão continuar?

Para já sim. Temos de arranjar janelas de oportunidade de contacto com o público, como dizem os nossos políticos. A SIC precisa de se aproximar das pessoas porque estivemos muito tempo fechados. Deixámos de fazer formatos mais populares e temos de investir aí. As Sextas-Feiras Mágicas são o início de um namoro com o público.

As Sextas-Feiras Mágicas são a primeira piscadela de olho de Júlia para voltar à tarde?

Não creio. As Sextas-Feiras Mágicas são uma experiência para trazer um pouco de volume à antena. Será um trabalho demorado, como tudo o que tem que ver com o day time da SIC. O day time ressente-se da falta de contacto com o público porque não fizemos festas na rua, faltaram os diretos e perdemos muitas oportunidades de nos mostrar às pessoas. Estamos agora a fazer esse caminho e as Sextas-Feiras Mágicas é já um produto mais popular. Até pode ser que depois venha outro...

Querida Júlia completou dois anos e continua longe da liderança. Quanto tempo mais vai aguentar perder para a concorrência?

Gostava de já ter sinais de crescimento mais evidentes, mas as alterações no painel de medição de audiências tem-nos criado algumas dificuldades para traduzir os sinais que nos têm chegado sobre as medições das audiências. Leva tempo a chegar lá em cima e é preciso que a concorrência cometa alguns erros. Mas um belo dia as coisas mudam.

Acha que se estiver à noite pode chamar mais gente para o seu programa da manhã?

Espero bem que sim. Espero que ao verem-me à noite fiquem agradados e queiram ver-me noutros horários.

Foi-lhe dado um prazo na SIC para isso?

Não. A SIC sabe que é assim.

Não se arrepende de ter criado o Você na TV na altura em que foi responsável pela formatação de Conteúdos da TVI?

Não. Isso só prova que sou muito boa. O Você na TV foi um produto difícil de se posicionar, tivemos de aproximar aquela dupla do público e só ao fim de cinco/seis anos é que começámos a ganhar ao nosso concorrente que era a Praça da Alegria, da RTP1. A TVI tem uma ligação com o público muito bem construída. Esse é o legado que o dr. Moniz deixou lá.

A separação da dupla Goucha/Cristina seria benéfica para a SIC. O contrado deles termina no final de 2014. A SIC vai esperar para contratar a Cristina, o Goucha, os dois?

Podemos sonhar, mas precisamos de dinheiro para concretizar os sonhos, o que não significa que tenhamos dinheiro para o fazer.

A SIC não tem dinheiro para pagar a cláusula de rescisão e ir buscar a Cristina Ferreira no verão?

Não. Nem pensar. Nós não podemos ir buscar a Cristina à TVI. Não estamos em Hollywood, nem a SIC é o Real Madrid ou o Benfica.

A propósito de Benfica, José Eduardo Moniz, agora vice-presidente do clube, já a convidou para ir ver um jogo?

Eu só ainda não fui porque me apresentei com 50 pessoas à porta. Ele não sabe deste episódio, mas quando o Desportivo das Aves, que é o meu clube, veio jogar ao Estádio da Luz para uma eliminatória da Taça de Portugal, eu pedi ao Benfica para levar a minha equipa toda. Se calhar foi um pedido um bocadinho exagerado.

Balsemão dá sugestões de conteúdos? De programas? Qual foi a última observação que ele lhe fez?

É bastante crítico, avalia números e questiona resultados. Tem uma excelente memória e quando faz uma pergunta gosta de a ver respondida logo ali ou na reunião seguinte. Na minha primeira década de SIC, e como era operacional do terreno, não me sentava nas reuniões com o Dr. Balsemão. Quando regressei há dois anos, uma das coisas que me deixaram muito feliz foi sentar-se à mesma mesa que o meu patrão e saber o que ele está a pensar. Era uma das minhas angústias na TVI ter essas entidades abstratas, essas administrações que até falam uma língua diferente da nossa e que definem um produto que é tão intrinsecamente português, irritou-me algumas vezes.

RTP dá ano difícil em casa

O assunto RTP é discutido lá em casa?

Muito discutido, como deve calcular.

Como foi acompanhar o seu marido [Rui Pêgo] neste último ano?

Foi muito difícil. O meu marido é um diretor de primeira linha do grupo RTP [diretor de Programas de rádio da RTP] e tem acompanhado todos os percalços e os cortes sistemáticos na empresa. Os profissionais da RTP têm vindo a deparar-se com grandes difilculdades por causa de alterações sistemáticas de liderança. Vem uma liderança e diz que a RTP é para privatizar, depois vem outra e diz que já não é para privatizar. O poder político tem tido um comportamento errado. Não me alongo em considerações sobre a RTP porque eticamente e conjugalmente não me fica bem.

Em que medida a indefinição em torno do futuro da RTP favoreceu os privados? Nomeadamente a SIC?

Algumas alterações na programação, o desinvestimento num ou noutro produto dá-nos vantagens. São as leis do mercado e seguramente quem toma as decisões na RTP sabe o que se está a passar.

Como olha para a RTP neste momento? As audiências...

Devia decidir-se o que se quer para a RTP e criar uma espécie de caderno de encargos para se fazer o que tem de ser feito, mas a partir daí não se podia estar sempre a criticar as audiências. O problema é que há uma grande indefinição. Um dia pretende-se uma coisa e no outro já se quer outra. Fico de coração apertado porque há pessoas com grande talento na RTP.

Com tantos cortes nos salários dos apresentadores da RTP, quem é que gostava de ir buscar?

Há, mas não vou dizer quem são. Há uma série de pessoas da RTP que ficavam muito bem na SIC.

João Baião, Jorge Gabriel, Catarina Furtado?

...[silêncio]

Leonor Poeiras está no mercado sem contrato com a TVI e já fez participações em programas da SIC. Poderá tornar-se uma cara da estação?

Acho que a TVI está a desperdiçar um talento. A Leonor Poeiras é uma comunicadora nata, uma excelente comercial de antena, ou seja, em todos os formatos que impliquem chamadas. Ela é a melhor a fazer isso. De longe a melhor de todos nós. Mete-me a um canto. Temos muitos apresentadores e, portanto, não me parece que ela venha. Mas quem sabe...

Tem falado com Nuno Santos? Ele foi saneado?

Sobre o Nuno Santos não tenho nada a dizer a não ser que espero que ele reorganize e vida dele como qualquer outro colega meu. É matéria sobre a qual não conheço nada.

Muitos dos seus colegas estão a emigrar para Angola? Era capaz de ir?

Acho que sim. O meu marido é angolano, tenho lá família, grandes amigos. Viveria lá com toda a tranquilidade.

O seu marido é de lá, ele faz pressão para ir?

Não. De momento não. Mas ele iria para Angola fazer qualquer coisa porque gosta muito da terra dele.

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