Judite Sousa: "Os espectadores estão a ficar fartos de política"

A diretora adjunta de Informação de Queluz de Baixo regressou há uma semana, na TVI24, às grandes entrevistas. Um género jornalístico que já não deixa Judite Sousa nervosa. "O difícil vai ser conciliar tudo o que faço de forma a não me cansar em demasia", confessa.

Três anos depois de se ter mudado da estação pública para a de Queluz de Baixo, a jornalista volta, finalmente, ao formato de entrevista semanal, algo que não lhe é estranho, ou não tivesse Judite Sousa conduzido durante vários anos o espaço Grande Entrevista, na RTP1. "É agradável retomar este formato de uma forma mais sistemática, como fiz quando estive na RTP. Claro que continuo a fazer todas as outras coisas, portanto, o difícil vai ser conciliar tudo o que faço de forma a não me cansar em demasia", salientou diretora adjunta de Informação e pivô do Jornal das 8.

Para este Judite Entrevista, que vai para o ar todas as quintas-feiras, às 23.00, na TVI24, a jornalista - que apresenta ainda, às segundas-feiras, Olhos nos Olhos ao lado de Henrique Medina Carreira - quer "alargar o mais possível o leque de convidados". "Não são entrevistas centradas apenas na área política e económica. Essa solução está esgotada", disse, explicando que "já na RTP tinha percebido que os espectadores estão a ficar fartos de política e acabavam por aderir muito mais a conversas que fugissem a essa área". "Por aqui vão passar pessoas muito diferentes", adianta, recordando que para a primeira emissão convidou Carlos Moedas, secretário de Estado e adjunto do primeiro-ministro, e para a segunda, que foi transmitida ontem, a atriz Maria Rueff.

Judite Sousa enfatiza ainda que um programa de entrevistas como este "não fazia sentido ser transmitido na TVI generalista". "A realidade mudou muito. Hoje em dia, os programas de informação estão todos no cabo e não há hipótese de assim não ser. A TV generalista perdeu muitos espectadores para o cabo", justificou. "Atualmente, nas generalistas, só podem estar os jornais das 20.00 e das 13.00, entretenimento, reality shows e ficção. Tudo o que são programas de informação têm de estar no cabo. E, mesmo no cabo, a competição é muito grande porque, basicamente, acabam todos por oferecer as mesmas coisas. Além disso, em Portugal, os rostos da notícia não são assim tantos quanto isso. As mesmas pessoas acabam por circular pelos diferentes canais", aponta.

Quanto ao futuro deste novo programa, a jornalista frisa não ter "ninguém que gostasse especialmente de entrevistar". "Esse tipo de ansiedade já eu vivi durante os anos da Grande Entrevista na RTP. Foram tempos que corresponderam a esse tipo de sentimento. Agora, sendo um programa da TVI24, encaro com mais distinção, de uma forma menos stressada. No cabo não temos de fazer um programa para 25% ou 30% de share. isso provoca menos stress aos profissionais de televisão", termina.

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