José Carlos Malato: "Apesar de parecer um grande maluco, não sou"

O apresentador de Decisão Final escolheu a praia da Torre, em Oeiras, para conversar com a Notícias TV. "Foi o local onde passei a minha juventude, para onde vinha sempre que queria estudar", justificou. Ao longo de mais de uma hora, José Carlos Malato falou de si e da viagem interior que diz ter feito nos últimos meses. Uma entrevista que revela o novo homem.

Regressa ao horário nobre da RTP1 com Decisão Final, depois de alguns meses afastado do ecrã. Esteve fechado para balanço?

Foi bom ter tido oportunidade de estar parado, porque estive no ar dez anos seguidos. Desde que fiz o Portugal no Coração, nunca mais parei. Fez-me bem.

Aproveitou para descansar?

E para trabalhar. Fiz outro tipo de trabalhos, mais de investigação. Como a série documental O Fado pelo Mundo, que me obrigou a ler muito sobre fado. E li outros livros que queria e que vinha a adiar sucessivamente. Mas durante esse período estive a colaborar com a RTP. Fui apresentando alguns programas. Só não tive aquele ritmo intenso. Mas foi bom porque me permitiu repensar uma série de coisas na vida e sobretudo fazer aquele trabalho sobre o fado, que é de minha autoria e sou eu também que faço a direção do projeto.

Escrever e dirigir é uma outra forma de comunicar com o público. Sente-se tão à vontade como na apresentação?

É uma linguagem diferente. Neste caso tive de pensar na poética da imagem e vincular a um tipo de conteúdos que são muito mais perenes e consistentes do que a pura espontaneidade dos concursos. A comunicação tem esta característica: tudo o que se diz é muito rápido. Apetecia-me fazer alguma coisa que ficasse e esta oportunidade de fazer O Fado pelo Mundo foi justamente isso.

A série está pronta a ser emitida?

Ainda não totalmente. Mas também parei para que as pessoas sentissem um bocadinho de saudades, sentissem falta. Nestas coisas da televisão toda a gente faz paragens e isso é bom. Quando voltamos temos outro impacto.

E agora aparece com menos 20 quilos.

Foi uma repaginação [risos].

Disse que aproveitou para repensar uma série de coisas na sua vida. Como, por exemplo?

Uma vez disseram-me que os homens fazem o balanço da vida na mudança para os 50. E eu já me sinto com 50 nessa fase de transição. Este tempo fez-me pensar no futuro, não só em termos profissionais mas também pessoais. Ainda continuo a trabalhar, mas em toda a minha vida tive várias atividades, ultimamente só ligadas à comunicação, mas dentro destas há muitas saídas. Estive a pensar nisso. Mesmo que não queiramos, olhamos para o exemplo de outras pessoas, de outros profissionais... A longevidade, em termos televisivos... eu já sou um apresentador tardio, comecei aos 38. É sempre bom saber o que vamos fazer e quais as alternativas.

Está a precaver o futuro?

Estou a pensar que projetos posso fazer, que outras alternativas existem. Estou a pensar no meu futuro, sim! Penso que quando se chega aos 50 já viveu, seguramente, mais de metade da vida, portanto, tenho pensado muito no meu futuro enquanto pessoa. Como vai ser? Como vou preparar-me para estar com os meus pais? Não devemos esperar e temos de conseguir compreender, digamos assim, as conjunturas. Não quero ter desilusão comigo e com o trabalho.

Está com medo do que o futuro possa reservar-lhe?

Não é de ter medo. É uma questão de ser prático. É bom avaliar as minhas possibilidades, o que faria se estivesse a apresentar, enfim...

Esse processo de avaliação aconteceu antes de saber que ia apresentar Decisão Final?

Não tem nada que ver. Tenho contrato com a RTP e não está em causa o meu futuro nos próximos... enfim... tempos. Mas ponderei. Com 53 anos o que estarei a fazer? O que podem querer que eu faça quando chegar a essa idade?

E chegou a alguma conclusão?

Não cheguei. O que sei é que conheço as minhas qualidades, as minhas possibilidades. Sei o que posso e o que gosto de fazer. Apesar de parecer um grande maluco, não sou. O que aconteceu foi que a vertigem do dia a dia, o ter feito televisão durante tanto tempo não me deu tempo para pensar e, de repente, como tive mais algum tempo para mim, pensei. E pensei em tudo. A minha mãe costuma dizer "lá estás tu com essas coisas, mas o que se passa contigo?". Quer dizer, estou a pensar a minha vida, o meu futuro todo.

Não quer que acredite que toda essa avaliação se deve apenas à idade, ao facto de estar a chegar aos 50 anos?

A sério que esta é uma idade em que temos de pensar em tudo. Agora já tenho a minha família a viver toda junta, ao pé de mim, equacionei todas as hipóteses e tracei objetivos e metas. Acho que este tempo me ajudou a preparar para a velhice. No sentido em que calculei algumas coisas, pensei noutras.

Isso quer dizer que até aqui andou ao sabor do vento?

Exatamente. Há uma expressão engraçada da Amália [Rodrigues], "eu não vivi a vida, foi a vida que me viveu". Ao longo deste tempo, e à medida em que vou avançando na idade, tenho tentado tomar mais conta da minha vida. Coisas simples e práticas como quanto pago de eletricidade, qual é, afinal, o meu plano de saúde... sei lá, coisas que desconhecia. Por exemplo, agora até tenho homebanking [risos].

Não sabia quanto pagava de eletricidade?

Existiam coisas de que não fazia ideia.

E fazer ideia dessas coisas tornou-se uma necessidade porque?

Não é uma necessidade. É porque tem de ser.

Estava infeliz sem esse controlo que agora quer ter?

Não, mas tê-lo evita que possa ser infeliz ou que possa ter desilusões. E não quero ter. Quero ser eu a traçar a minha vida. Estou a acautelar tudo. Não quero depender de ninguém.

Quem o ouve falar fica com a impressão de que saiu de uma desilusão e que, para não voltar a ser magoado, está a edificar muros à sua volta.

Mas não é isso. Acho que este país não é para velhos, como diz o título do filme. E vemos tantos exemplos que me faz pensar que tenho de tratar de mim para não vir a ser um desses exemplos. Se não me apetece ter desilusões no trabalho, não vou deixar que isso aconteça. Ou seja, tenho uma série de alternativas, de coisas que posso fazer. Se não for a apresentar é a escrever, se não for a escrever será a fazer qualquer outra coisa. Isso relativamente ao trabalho. Depois vem a saúde e já tenho o meu plano. Se um dia tiver Alzheimer, há já quem esteja autorizado a dizer "este homem vai para ali". Eu sei que isto pode parecer estranho, mas quero ser eu a tomar conta de mim. Não quero ser deixado ao... [pausa]Vejo tanta gente magoada. E gente altamente improvável e com muito valor a passar dificuldades, abandonada, sem saber o que fazer. Não quero isso para mim. Quero rever tudo, e pronto. Dá-me descanso. As pessoas que têm mulher e filhos e netos passam por problemas. Eu, que não tenho esse tipo de natureza, também tenho de pensar em mim. Faço contas à vida. Em tudo, mas mesmo tudo, tudo. Nas relações, na família... em tudo.

Sente que há pessoas que se relacionam consigo por interesse?

Não ligo nenhuma a isso. Desde que me tratem bem. Só quero isso. Quero é trabalhar e estar com pessoas que gostem de mim.

Consegue isso quando está a gravar a Decisão Final?

Consigo. Tenho uma equipa que quero. Quero é estar o menos exposto na medida do possível, estar descansado.

Profissionalmente, não é uma pessoa ambiciosa?

Não corro atrás de nada, mas também não me enganem. Nem me apetece ter desilusões com coisas ou pessoas... nem sequer com a vida. Não quero ter desilusões com a televisão, por isso tenho de me preparar para tudo. Não quero ter desilusões com a família, por isso tenho de preparar o meu futuro. A vida muda e as pessoas depois não têm tempo. Quero viver com o mínimo de preocupações e de sofrimento. Não quero acelerar mais, quero desacelerar confortavelmente e para isso tenho de reunir condições. Mas quero fazê-lo agora, que ainda posso.

Insisto, houve qualquer coisa que desencadeou essa mudança.

É a questão de idade.

A chamada crise da meia-idade?

Não é crise. É como andar a 200 km/h. Não vemos a paisagem porque vamos concentrados na máquina e na estrada que temos pela frente. Abrandei e ao fazê-lo percebi que havia paisagem. Comecei a olhar à minha volta e não vi nada. Depois, os exemplos da nossa sociedade. Pensamos "eu também estou a chegar àquela idade e..." acho que é um sinal de maturidade. E ainda bem, porque as pessoas que vivem sempre na vertigem em muitas coisas, e eu vivo em algumas, mas quando o fazem toda a vida, ao pararem e olharem à volta verificam que não têm nada. Acho que esta crise... [pausa] veio provocar-me isso. A crise que vejo. Isto é um processo que tem que ver com uma consciência maior da vida.

Isso não é um discurso um pouco melodramático para quem tem 48 anos?

Sempre fui velho. Mesmo quando era novo já me sentia velho. Se não começar a construir agora, construir do ponto de vista formal, depois já não vou a tempo.

Qual a sua relação com a morte?

Péssima. Não nos podemos ver um ao outro. O processo assusta-me. A degradação, a doença [silêncio]. Há uma enorme fragilidade das pessoas quando estão doentes e quanto mais se depende dos outros mais se sofre. Eu não quero depender de ninguém, só daquilo que as pessoas generosamente me querem dar. Ge-ne-ro-sa-men-te. Não de outra maneira. Quero ser eu também o dono dessa parte da minha vida.

Está a tornar-se controlador.

Estou num processo de controlar as coisas.

Isso não é desgastante?

Não. Não quero controlar tudo. Quero apenas controlar as coisas. Não tinha controlo nenhum sobre absolutamente nada. Achava que as pessoas eram todas boas e agora estou a tornar-me mais desencantado com os outros.

Isso reflete-se no programa? Controla a condução do concurso de uma outra forma ou o José Carlos Malato apresentador não mudou?

O meu controlo é uma questão pessoal. Mas estou ali no programa e aquilo é a minha vida. O que respondo, o que digo aos concorrentes tem que ver com o que fiz até agora ao longo dos anos. O que tenho é a minha história. A única coisa que é realmente nossa é o passado. Estou na Decisão Final com todo o meu património. Digamos que sou uma espécie de IPAR de mim próprio. Trato do meu património material e imaterial. Que me sinto diferente, isso sinto. Ainda estou em processo. Digamos que sou um operário de mim próprio em construção. Só não sei o que é que isto vai dar.

Está a conhecer-se a si mesmo?

É um processo assustador quando tentamos conhecer-nos a nós mesmos, mas não nos conhecemos como somos mas como nos representamos. Tenho uma representação de mim próprio e acho que muitas vezes ela é errada. Ao falar com os outros percebo que têm uma perceção que não é a realidade. Será que estou diferente quando estou no ar? Não sei. Já agora, o que é que você acha?

Não está mais contido na sua forma de apresentar?

[silêncio] Sim, bastante mais contido. Sabe porquê? Porque há coisas que não valem mesmo a pena. Há pessoas que com a idade ficam mais desbragadas e eu já tive alguns dissabores por, em televisão, dizer o que pensava ou ter um tipo de brincadeiras e uma imagem mais ousada, por ter pisado um pouco mais o risco. Acho que não tenho de pisar risco nenhum. Não me apetece que as pessoas me critiquem. As pessoas de sempre, as que gostam de mim, continuam a gostar. Depois há uma certa elite de gente hipócrita, conservadora e católica, no pior sentido da palavra, que ficou muito chocada com algumas coisas que disse e agora prefiro ficar calado.

Pessoas que conhece?

Espectadores, público. Às vezes, no final do Quem Quer Ser Milionário, esticava-me um bocado e feria suscetibilidades. Isto é extraordinário, porque na sociedade portuguesa as pessoas que parecem intocáveis e cheias de valores estão envoltas em fraudes e negócios escuros. Nunca houve tanta escandaleira com tanta gente aparentemente tão bem-comportada e composta. Prefiro não falar com hipócritas e ser mais contido. Fiquei cansado dessa corja de pseudoconservadores, queixinhas e delatores, que se tratam pelos títulos e que vão fazer queixas ao provedor [do Telespectador]. E também, qualquer programa que apresente não é o meu spreakers corner, onde vou dizer o que penso. Não é o meu palanque. Faço o meu trabalho e vivo a minha vida. Cada um que fique com as suas convicções. Estou farto de queixinhas. Portugal é um país de sepulcros caiados.

Sentiu essas críticas quando foi publicada uma imagem sua numa discoteca gay em Madrid? Ou melhor, a publicação dessa imagem ajudou a essa contenção?

A Amália diz que as particularidades de cada pessoa não se perguntam nem se comentam. Aceitam-se. E eu tirarei sempre a camisola. Primeiro, quando tiver calor. Segundo, quando me der na real gana.

O contacto com o fado, durante o tempo em que esteve a preparar O Fado pelo Mundo, ajudou a transformá-lo numa pessoa mais nostálgica?

Nós tivemos um editor que teve de sair porque ficou deprimido. O fado é brutal. Aliás, pensando bem... este processo começou exatamente... Descobri agora! Estava a perguntar-me o que levou a isto... Foi o fado. Foi justamente o fado. Estive, o final de dezembro e o janeiro todo, fechado em casa a estudar e a ouvir fado. Sabe aquelas bolas que andam de mão em mão nos concertos, entre o público? Pronto. O fado tem a função de falar da vida e... as palavras são carícias mas podem ser punhaladas também. Como é que não pensei nisto? Nunca me tinha questionado. Achava que era os 50, mas foi o fado. Mergulhei mesmo naquilo. A sério. Pensei muito. Vendo bem, isso mexeu com as minhas estruturas. Agora gosto mais de mim.

Não deixa de ser engraçado como é que, depois de dez anos a apresentar concursos e programas de entretenimento, é uma série documental que muda toda a sua perspetiva de vida.

Só ouço fado. O último disco sem ser de fado que comprei deve ter sido Like a Virgin, da Madonna [risos]. A Aldina Duarte tem uma profundidade artística e pessoal extraordinária. Foi isso. Agora percebi [silêncio]. Escrevi dois guiões de 50 minutos e li muito. Muito Nery, ouvi muito, muito fado, dos antigos aos modernos.

Foi complicado escrever esses guiões?

Não, porque eles saíram. Escrevi dois ou três fados, que já foram cantados.

Olhando para este Malato e para o outro, voltava, por exemplo, a apresentar um talk show como o Sexta à Noite ou gato escaldado de água fria tem medo?

Não. Não gosto de estar sozinho a apresentar. E cada vez gosto menos de diretos, ao contrário do que acontecia. O direto é a vertigem, não há tempo para pensar. Agora preciso de recuar e de ter esse tempo.

Mas continua a gostar de apresentar concursos ou já está cansado?

Gosto muito. São divertidos. Mas não faço aquilo com uma perna às costas porque, apesar de tudo, é preciso ter cuidado. Tenho de observar as pessoas, estar atento aos seus sinais de nervosismo e isso é complicado. As portas abrem-se e as pessoas desaparecem. De repente o chão cai e... lá está, lá vão elas!

Esse processo de que tem estado a falar foi o que o fez querer vender o monte que tem em Monforte?

Já viu como as coisas mudam? Toda a minha vida está em mudança.

Mas o monte não era o seu porto de abrigo?

Mas não é. O porto de abrigo tem de ficar onde a gente o veja. No meio de uma tempestade o que é que me interessa que o porto de abrigo esteja a 200 quilómetros? É a distância ficcional, emocional. Os meus pais vão lá menos. Não conduzem à noite, não têm tanta força. Uma pessoa vai para ali e fica longe. Mais uma vez, tenho aqui a questão do passado. A experiência disse-me que no ano passado entrei na piscina que lá tenho apenas duas vezes. A experiência disse-me que a minha família vai lá aos fins de semana, mas nunca lá estivemos todos juntos. A experiência disse-me que não é prudente os meus pais estarem lá sozinhos durante 15 dias.

É uma questão prática?

É mais prático ter uma casa aqui perto, na zona de Sesimbra, que é onde quero comprar. Há um fado da Teresa Salgueiro, com letra de Tiago Torres da Silva, que diz "voltarei à minha terra, quando já estiver cansado do destino que me leva a andar de estrada em estrada". Antes de voltar à minha terra tenho muitas coisas para fazer e, pensando bem, não sei se quando for mais velho aquele será o lugar ideal para mim. Com quem à minha volta? Rodeado de quem?

Isso posso perguntar: com quem?

Pois... todas as pessoas têm as suas vidas.

Não se vê mais velho rodeado de gente?

Vejo. Mas o monte fica muito longe da minha vida nos próximos dez anos.

Como vai ser essa vida?

Pelo menos não me estou a ver muito residente ali.

Aquilo que vivenciou quando trabalhou durante nove anos no Hospital de São José, em Lisboa, antes de se ter estreado em televisão, e os casos das doenças dos seus pais [o pai sofreu um enfarte e a mãe lutou contra um cancro no intestino] contribuíram para a sua mudança?

A doença é horrível. A fragilidade de uma pessoa na doença é assustadora. Tive essa experiência e ainda bem que tinha estrutura para proporcionar aos meus pais as condições que eles precisavam e desejavam. O que é que me interessa estar a pagar os custos da interioridade quando posso ser feliz aqui?

Nessa sua nova forma de vida continua a haver espaço para a pintura?

Não com a mesma assiduidade. É uma forma de expressão minha, mais nada. Tenho o meu atelier em casa e há o projeto de fazer uma exposição com a minha pintora, a Ophelia Marçal, do Porto, no Casino Estoril, que provavelmente será ainda este ano. Será sobre o fado.

É um projeto que está em que fase?

Já está falado e estamos a trabalhar nisso. Mas tenho de ter tempo para arrumar a casa. Para me arrumar. Estou a arrumar-me.

Voltando à televisão, o José Fragoso dizia em tempos que o Malato era quem melhor defendia o prime time da RTP, que conseguia share de 18, 19 e 20 por cento. Hoje, com Decisão Final, não é bem assim. Pode-se dizer que juntamente com os quilos também perdeu espectadores?

Nós começámos muito bem e vamos agora fazer um programa mais de verão, com uns jogos novos e interação através da Net. De um modo geral, as fracas audiências que a RTP tem fazem parte de um processo de emagrecimento da estação. Foi exatamente o que aconteceu com esta nova forma de medir as audiências. Toda a gente concorda que a amostra está mal feita e continua assim. Retiraram da amostra pessoas com mais de 65 anos. Ficaram reduzidas a números residuais e são essas as pessoas que veem televisão. Está a ver como este país não é para velhos? Isto é uma campanha ignóbil. Não sei qual é o objetivo nem sei por quem é pensada. Parece-me que é um pouco o que aconteceu com a TVI quando foi vendida: baixar as audiências para vender mais barato.

É isso que se pretende com a RTP?

Não sei. Mas é estranho que haja períodos de meia hora em que ninguém vê a RTP. O que sei é que é ridículo deixarem que isto aconteça. Do ponto de vista científico, sociológico e académico da coisa, acho que as pessoas deviam insurgir-se. Não há nada pior do que uma amostra mal feita. As pessoas ganham e perdem eleições com sondagens e isto é... Não sei. Mas nós começámos bem, mas com a novela em cima de nós baixámos. Uma coisa é entrar numa "batalha" de audiências com as mesmas armas e outra .. quer dizer, a história de David e Golias aconteceu uma vez, sem exemplo. Não podemos combater com as mesmas armas nesta guerra. Não vale a pena.

É uma preocupação?

Claro, sempre. Vejo as audiências todos os dias. É como se fosse um exame. É como se todos os dias fizesse uma prova e depois quisesse saber qual foi a classificação.

Não é daquelas pessoas que diz que não se importa com as audiências?

Trabalhei nove anos na SIC, não é? Estou absolutamente preocupado com as audiências, mas compreendo que é impossível que tudo tenha passado de bestial a besta de um dia para o outro.

Daqui a dez anos o que se vê a fazer?

Coisas como O Fado pelo Mundo. Cada vez mais.

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