Patrícia Tavares: "Não quero que olhem para mim e pensem "que canastrona!""

Apaixonou-se pela apresentação no cinema, mas é na televisão que está desde Roseira Brava, em 1996. A Susana Pureza da série da TVI I Love It confessa que o seu medo é desiludir os telespetadores.

Em 1996, perdeu a virgindade com o Pedro Górgia na novela da RTP Primeiro Amor. 17 anos depois são marido e mulher, com filhos, em I Love It. Como é que foi reencontrar o seu primeiro amor?

[gargalhada]. Não fui eu, foi a Xana! Afinal deu certo! Temos filhos, e coincidem, as idades dos meninos [risos]!

Como está a ser voltarem a trabalhar juntos?

Está a ser ótimo! O Pedro é muito talentoso, é ótimo colega e tem sido desafiante para os dois. Vínhamos de registos cómicos com alguma continuidade [Patrícia Tavares em Doida por Ti e Pedro Górgia em Louco Amor] e temos, neste trabalho, não só a aprendizagem com as câmaras, que tem toda uma dinâmica diferente, como também temos esse cuidado de o pé não nos fugir para a comédia... que foge com alguma facilidade [risos].

É muito diferente trabalhar com o tipo de câmaras com que é filmado I Love it?

É. Até agora, para mim, a linguagem televisiva estava dominada. Sentia-me em casa. Hoje, não. Não tem que ver só com as câmaras em si. Tem que ver com a linguagem com que estamos a trabalhar. A forma como as câmaras estão posicionadas, a forma como utilizamos os décors... isso tem sido uma aprendizagem. Curiosamente, para nós, atores com mais experiência, tem sido mais difícil. Às vezes, é um bocadinho castrador, porque estou preocupada em perceber o que estou a fazer.

I Love It tem a tarefa ingrata de ir para o horário onde estava Morangos com Açúcar.

Mas onde já esteve outras novelas, nomeadamente Doida por Ti. Não acho que a pretensão deste produto seja ocupar o lugar dos Morangos com Açúcar. Esta série é outra coisa, outro produto. Claro que se dirige ao mesmo público, ou pretende que o público mais jovem se fixe na série. Mas, na realidade, não creio que esteja a querer ocupar o lugar de Morangos com Açúcar. Também como os Morangos, está a demorar algum tempo a criar raízes. Mas vai criá-las. Eu acredito!

Porque é que acha que está a demorar?

Não sei! Isto tem tempos. A praia acabou agora, os miúdos estão a instalar-se na escola, começam as atividades extracurriculares, a família ainda não sabe que ritmo é que este ano vai ter, sabe? Tenho a certeza de que estamos a fazer um ótimo trabalho.

A Patrícia tem uma filha de 11 anos e, melhor do que eu, sabe que os miúdos veem cada vez menos televisão de forma linear. Escolhem os produtos que querem, veem séries no YouTube, fazem downloads...

Nesse género de plataformas, I Love It é o assunto mais falado da internet, creio que com imensas visualizações no YouTube. O que também é um fenómeno engraçado. Temos de começar a perceber a televisão de outra maneira. Fazer parte desta mudança também é muito interessante.

Tendo isso em conta, não considera redutor que as televisões continuem a reger-se apenas pelas audiências?

Parece-me que sim. Mas isto também é uma coisa a que nos estamos todos a habituar. Não sei bem dizer o quê, mas estamos a viver uma mudança qualquer, onde acho que é importante olharmos para outras plataformas e começar a pensar a televisão por aí. Como? Não faço ideia. Mas também não me pagam para isso [risos]!

Consegue perspetivar o I Love It como série com várias temporadas?

Não sei qual é a intenção, nem estou preocupada. Não me preocupo com essas coisas [risos].

O que é que achou da mudança de horário de Doida por Ti, da semana para o sábado?

Fiz o meu trabalho da melhor maneira possível e que sei. A minha parte está feita. Tenho de aceitar a decisão das outras pessoas. Posso ou não gostar, mas...

Acha que é confuso para o telespectador que quer acompanhar todos os produtos de ficção da TVI ver o mesmo ator em dois registos completamente diferentes em simultâneo?

Se forem dois registos completamente diferentes, acho que não. Mas, se for uma coisa muito parecida, pode tornar-se chato e desagradável não só para a pessoa que vê mas também para o próprio ator, que não tem possibilidade de mostrar que é mais versátil. Não acho que a Soraia [Doida por Ti] e a Susana [I Love It] tenham alguma coisa que ver, a não ser o S do nome. Isso, por um lado, é bom. Eu tento sempre ver o lado bom da coisa. Não vale a pena encucar muito [risos]!

"O meu professor de teatro do liceu dizia que o melhor era eu escolher outra área"

Vinte e quatro séries e novelas depois, qual o balanço do seu percurso televisivo?

Eh pá! A sério? Que fixe! 24 anos foi a idade com que fui mãe... Nunca tinha pensado nisso mas... com esta profissão que escolhi... sinto-me muito mais insegura hoje do que há uns anos.

Porquê?

Porque tenho muito mais responsabilidade, percebe? Porque devo isso a mim mas aos outros também, que olham para mim e esperam que eu tenha alguma coisa para lhes transmitir. E não quero fazer mal, não quero que olhem para mim e pensem "que canastrona!" [risos]. Não sei porquê, mas estou, sem dúvida alguma, mais insegura em relação àquilo que sou capaz de fazer ou não. Espero que passe.

Lidou com essa insegurança quando fez direção de atores pela primeira vez?

Não! A primeira vez que fiz era muito novinha. Foi na série SOS Crianças [TVI, 2000], um projeto muito giro... deram-me tanta responsabilidade e eu nem percebi! E correu muito bem. Só não queria não corresponder às expectativas das pessoas. Empenhei-me, trabalhei muito e correu muito bem, mas, olhando para trás... bolas, o que eu tinha de fazer! Fazia os castings, escolhia as pessoas, ensaiava-as antes de irem para o plateau e estava no plateau. Não sei como consegui, mas havia uma certa dose de inconsciência, uma grande vontade de fazer, sabe? Eu queria muito fazer! E acho que esse espírito, graças a Deus, é o que nos vai mantendo vivos.

Como é que começou a representar?

Isto começa com um sonho de criança. Fiz figuração em cinema [Mala de Cartão, 1988], quis ser atriz por isso, para viver esse sonho. Para uma miúda, tudo tem uma grandiosidade.

Quem foi o ator para o qual olhou e pensou "eu quero fazer isto"?

Não sei... sabe que não sou muito boa com nomes... Fiz figuração no filme A Vida do Jovem Toscanini, de Franco Zeffirelli, e aquilo era de época. Na praça do São Carlos estava montada uma feira com animais exóticos... uma grandiosidade fora do normal. Lembro-me de estar a olhar para aquilo de fora e de me sentir absolutamente esmagada com aquela grandiosidade toda e de pensar "quero pertencer a isto". Depois, foi o percurso normal. Estava inscrita numa agência, fiz algumas publicidades, castings, ouvi milhares de nãos... estreei-me em televisão aos 11 anos, numa série musical da RTP chamada Chuva de Maio. Depois, estive imenso tempo a ouvir nãos, fiz uma série para os EUA muito gira chamada UnsolvedMysteries (que existe desde 1987, transmitida em Portugal pelo canal CBS Reality). O episódio era sobre o milagre de Fátima e eu fazia de irmã Lúcia. Foi aí que queimei a retina. Hoje tenho algumas dificuldades em fotografar com esta luz porque tive algum tempo exposta à luz solar, por causa do milagre do Sol. Fui muito bem tratada e achava que as coisas a partir dali iam correr muito bem. Mas depois estava na idade da parvoeira e, na altura de começar a levar a escola mais a sério por causa das médias, pensei "acho que não quero isto. Vou desistir, vou dedicar-me a outra coisa". Depois, fui fazer o casting para a Roseira Brava (novela da RTP, 1995). E fiquei. E tudo muda na minha vida a partir daí. Cumpre-se o meu sonho de menina [gargalhada]!

Disse numa entrevista, em 2006, que tinha tido uma depressão depois de Roseira Brava.

Tive.

Porquê?

Foi muito complicado. Era uma personagem com uma carga dramática muito intensa. Fui bem acompanhada, mas aquilo mexeu comigo! A história daquela miúda era muito violenta! Eu não fazia mais nada senão trabalhar, decorar os textos até às duas da manhã e ir gravar às sete. Foi muito violento fisicamente, não estava preparada. Mas não estou arrependida, fez-me crescer imenso. A vida é mesmo assim, não temos de chegar a todo o lado de sapatos cor-de-rosa. Às vezes é bom calçar as botas da tropa!

Em Roseira Brava fez algumas cenas ousadas. Como é que lidou com isso e com a reação das pessoas?

Sempre lidei muito bem com isso. Não sei explicar porquê, mas nunca me incomodou nem nunca permiti que as outras pessoas me melindrassem. Hoje, às vezes, conseguem com mais facilidade. Não tive tempo para viver mais nada que não aquilo, e estava protegida pelo ambiente e pelos colegas. O meu pensamento constante era "aprende!". Já estava numa idade em que ou corria bem ou tinha de seguir outro rumo. Curiosamente, o meu professor de teatro do liceu dizia que o melhor era eu escolher outra área.

Porquê?

Talvez por ser um género de representação muito emotivo, não sei...

Voltou a encontrá-lo?

Não, mas não guardo mágoa. Fez-me crescer e ponderar imensas coisas. De facto, a linguagem daquelas aulas de teatro pouco têm que ver com a minha realidade de hoje.

Lili, a prostituta da novela O Olhar da Serpente [SIC, 2002], ainda é uma das suas personagens favoritas?

Continua, mas não tem só que ver com a história da personagem e da novela, que acho que foi das melhores que já se fizeram em Portugal. Sou fã do Francisco Nicholson. Tem que ver também com toda a envolvente do projeto, pela forma como o vivemos, pelo facto de o Álvaro [Fugulin, realizador da novela] ter partido a seguir. Para mim, esse projeto vai ser sempre especial. Sempre.

"A SIC não tinha trabalho para mim e continuava a pagar-me"

A Teresa Guilherme é uma espécie de...

Mana mais velha.

Eu ia dizer protetora.

A minha Teresa é a minha mana. Amo-a do coração, admiro-a. Acho que é uma mulher-furacão mas que sabe exatamente o que vai levantar [gargalhada]. Não é um furacão qualquer! É uma mulher com uma capacidade de trabalho extraordinária e um entendimento de televisão como pouca gente tem. É um prazer e uma alegria partilhar com ela um almoço, uma conversa, um beijinho, um abraço... ela tem um colo maravilhoso. Eu sei que, quando estamos juntas, é verdadeiro. Porque ela é verdadeira e eu também sou.

Costuma vê-la na Casa dos Segredos?

Sempre! Todos os domingos! Para ver se ela está linda! E está sempre.

Em 2006, pela mão de Francisco Penim, na altura diretor de programas da SIC, assinou contrato de exclusividade com a estação. O que é que correu mal naquele projeto Estrelas SIC?

Não correu nada mal, acho eu. A SIC antecipou, na altura do Penim, aquilo que se está a viver agora. De alguma forma, foram visionários. O que entendo é que esta catapulta não foi despropositada e espontânea. Houve um motor de arranque que passou pela Floribella, pelo Jura, pela Vingança... mas as pessoas estavam muito agarradas à TVI. Ali, houve um início do que, agora, a SIC está a viver, por mérito dos meus colegas, da produtora, da televisão, de toda a gente.

Esse arranque do sucesso da ficção da SIC acontece não só pela mão de Francisco Penim mas também de Teresa Guilherme. Tendo em conta isso, percebe a polémica em redor da saída dela?

Vou ser muito sincera. Nunca percebi nem quis perceber o que aconteceu. A minha relação com a Teresa não passa nem nunca passou por essas coisas. Eu só queria que ela estivesse feliz. A minha preocupação com os meus amigos é essa. Não me interessa que estradas é que eles escolhem, desde que tenham capacidade para as percorrer... bom, também pode chamar-me, vou lá de carro buscá-la, se for preciso (gargalhada)! Não me preocupo com essas coisas, não é da minha responsabilidade e se calhar até expus de mais o que penso sobre esta estrutura toda...

Passou pelas duas estações, seria estranho se não tivesse uma visão sobre o assunto.

Claro! Mas isto é assim, é natural. A SIC, A SP Televisão, a Gabriela (Sobral, diretora de produção) e a Júlia (Pinheiro, diretora de conteúdos) também trabalharam para ter estes resultados! E nós também trabalhamos para ter os nossos resultados.

Falemos da sua saída da NBP (atual Plural, produtora das novelas da TVI), em 2005. Na altura, disse que as coisas não tinham corrido bem. O que é que aconteceu?

Já não me lembro [gargalhada]! Já não interessa, já passou. A NBP foi, é e será sempre a minha casa. A profissional que sou hoje devo-o a todas as pessoas com quem me cruzei no início, mas sem dúvida alguma ao Pedro Miranda, Ivan Coletti, Rosa Guerra, ao querido, amado e saudoso Armando Cortez, à Manuela Maria, ao António Parente... estou-lhes eternamente grata.

Quando sai da TVI para a SIC já não eram essas as pessoas que estavam à frente da NBP.

Não vou falar sobre isso. Não me apetece mesmo. Está mais do que resolvido. Jamais posso ter alguma mágoa ou ressentimento porque sou o que aquelas pessoas me ensinaram a ser. Eu era uma miúda com muita vontade de aprender e eles foram muito generosos comigo. Depois, crescemos. Como tudo na vida. Estive um tempo sem contrato, que é exatamente quando conheço a Teresa e faço a peça de teatro A Partilha. Depois, o Francisco Penim leva-me para a SIC.

Foi, juntamente com o António Pedro Cerdeira, uma das primeiras atrizes a terem contrato de exclusividade com a TVI.

Eu e o António Pedro fomos os primeiros atores contratados para um canal televisivo em Portugal.

Porque é que, a determinada altura, deixou de ter?

Eu faço o contrato com a SIC [em 2006] durante três anos. O que aconteceu depois é que a SIC não tinha trabalho para mim e continuava a pagar-me. Aquilo para mim era muito desestabilizador. Ou seja, um dia, alguém se lembra e não me pagam... Queria era trabalhar! Não dá! Porque é aí que aprendo, eu gosto de aprender a fazer, na prática, na experiência. Trabalhar é o que me enriquece, o que me dá prazer. Não é estar em casa a receber o ordenado.

Como é que se dá o regresso à TVI?

Pela mão do José Eduardo Moniz e da Gabriela Sobral. A certa altura sou chamada para falar com a Gabriela. Na realidade, não havia um vínculo escrito com a SIC, não havia trabalho para mim...

Não havia um vínculo escrito?

Não, porque já tinha terminado. Eu queria trabalhar. A Gabriela apresentou-me uma proposta para uma personagem e foi assim.

E voltou a ter contrato de exclusividade.

Sim, que ainda tenho, mas que termina para o ano. E, como todos sabemos, os contratos não têm tido continuidade.

Porque é que acha que a série Sete Vidas, na qual participou, não correspondeu aos gostos dos telespectadores?

Como assim?

A série era exibida em horário nobre mas nunca teve grandes resultados nas audiências. Teresa Guilherme dizia que era um formato alternativo à novela.

Eu acho que é isso que se tem de pensar. Tem de se começar a apostar fora do formato da novela. Mais uma vez, a Teresa tentou perceber se, antes ou depois do noticiário, funcionaria uma coisa mais curta, mais virada para a comédia e depois, sim, entrar o novelão. São experiências! Não correu bem, correram outras coisas.

"A minha filha é muito engraçada. Diz-me "ó mãe, vamos viver o agora!" "

Ao longo da sua carreira, fez várias cenas ousadas. Nunca teve pudor não só em fazê-las como falar sobre elas. É curioso, tendo em que conta que muitas atrizes, algumas mais novas do que a Patrícia, têm ou pudor de as fazer ou pudor de falar sobre elas. Porquê?

Não sei responder. Porque, tal como lhe disse, aprendi com as melhores pessoas. E essas pessoas ensinaram-me que é trabalho e que os meus receios enquanto mulher têm de ser ultrapassados pela minha capacidade de ser atriz. E desde que tudo o que ali está a acontecer é profissional, eu não tenho de questionar o que estou a fazer. Não tenho de ter vergonha porque não estou a fazer nada de mal. Essas barreiras que tenho enquanto mulher... porque penso "bolas, estou com celulite, vou-me mexer, vai-se ver um pneuzinho"... Eu sou mulher, penso nisso. Só que penso nisso dois segundos e depois não posso pensar mais. É assim que estou, o que tenho para mostrar é isto, pronto! Pode ser que da próxima não me peçam para mostrar [gargalhada]!

Têm pedido sempre, é porque está a funcionar.

É porque, até à data, tem corrido bem [risos]!

Essa exposição do corpo foi um dos motivos que a levaram a pôr silicone?

Depois da depressão, perdi não só peso mas peito. Como ganhei peito muito tarde, isso sempre foi um problema enorme. Aquilo foi muito complicado para a minha cabeça. Uma das coisas que quis logo foi, quando tivesse um filho, neste caso, uma filha, porque eu sempre quis ser mãe cedo, era fazer essa intervenção. E fiz! E estou muito satisfeita!

Porque é que acha que as figuras públicas têm tantos problemas em falar das cirurgias plásticas, quando muitas das vezes as alterações são evidentes?

Não sei. Tenho de dizer às pessoas que isto não foi de borla. Não fui ali à bomba e dei ar. Se um dia fizer alguma coisa ao rosto, não vou ter coragem para não dizer às pessoas. Porque as pessoas estão habituadas a ver-me e, de repente, há uma melhoria física qualquer, vão achar que é um creme milagroso? Não há, não é? Não existe! Então, se existe, por favor digam-me qual é [risos]! Mas é a minha postura. Não julgo ninguém.

A sua filha quer seguir a sua profissão?

Espero que não. Ela disse tantas vezes que não, entretanto, agora estreou-se num espectáculo de variedades na minha aldeia... e fiquei um bocadinho receosa porque já estava à espera que ela tivesse essa vontade. Creio que isso lhe vai passar.

Porquê?

Tem que ver com a sensibilidade dela. Não acho que ela vai ser capaz. Mas ela está confiante de que vai e, se calhar, vai acontecer isso. Vai ser capaz e vai querer mais! E pronto, depois vai ter de ir trabalhar e sustentar-se [risos]!

Entretanto, a crise já melhorou...

A minha filha é muito engraçada, diz-me "ó mãe, vamos viver o agora!" [gargalhada].

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