O novo Marlon Brando que emocionou os EUA

Regressa à SIC este fim de semana como Jesus Cristo na série 'A Bíblia'. Antigo atleta, adora cozinhar, mas não gosta de fazer sobremesas. Fascinado por pessoas, batizou o filho com o nome da personagem que interpretou em 'Vingança'.

O calendário marcava o ano 1981. Na música, Carlos Paião representava o país no Festival da Eurovisão com Playback, nascia Britney Spears e morria Bob Marley. O atentado ao Papa João Paulo II fazia as manchetes dos jornais, o Benfica vencia o FC Porto na final da Taça de Portugal e Francisco Pinto Balsemão substituía Sá Carneiro como primeiro-ministro.

Mas o que fica na memória de Fátima Morgado é o dia 17 de janeiro. No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, dava à luz Diogo Morgado, sem poder adivinhar que 32 anos mais tarde o seu menino seria Jesus Cristo na série A Bíblia, que se estreia amanhã na SIC.

Saltos e estúdios de fotografia

Sentado no muro de uma praia de T-shirt castanha, em 1997, Diogo Morgado gravava um dos seus primeiros papéis para a televisão como figurante. Tratava-se do famoso anúncio "Busca, Alex!", de uma conhecida marca de refrigerantes.

Tinham passado poucos anos desde que pôs de lado o sonho de atleta, após sofrer uma rutura muscular. "Fazia 100 metros barreiras e saltos em altura. Lesionei-me e já não conseguia ter a mesma performance. Então fui para a canoagem", admitiu o ator, que é federado na modalidade, no programa da SIC Mulher Entre Nós.

Inscreveu-se aos 14 anos, por brincadeira, num concurso da revista Super Jovem e anúncios publicitários como "Alex" não mais pararam de chegar. Dos catálogos da Loja das Meias e de anúncios de televisão, passou rapidamente para os palcos do teatro, estreando-se na peça Geração Out, assinada por Carlos Sampaio. "Ele era um miúdo que revelava já ter talento para a profissão e era muito bonito", relata Almeno Gonçalves, encenador do projeto, à Notícias TV". O gosto pelo teatro ficou-lhe no sangue e anos mais tarde chegou a aconselhar Teresa Guilherme nos estúdios da novela Vingança. "A coisa mais cómica que ele me disse quando participei em Vingança foi: 'Porque é que não começaste mais cedo? Podias ter sido uma excelente atriz de teatro", revela a apresentadora de Big Brother VIP, também produtora da novela, atualmente em reposição na SIC. " Nós riamo-nos muito com isso porque ele era um garoto ao pé de mim."

Garoto que teve o primeiro papel numa novela, Terra Mãe (RTP1), sob o olhar atento de Virgílio Castelo, em 1998. "Na altura reconheci nele características de um ator que penso que vão estar presentes até ao fim da vida dele. E fui também eu que o escolhi para interpretar Salazar na série da SIC A Vida Privada de Salazar." Quem também recorda os primeiros passos de Diogo Morgado na caixinha mágica é Lídia Franco. "Ele foi uma grande surpresa. Lembro-me das primeiras gravações, que foram comigo. O Diogo fazia de meu sobrinho e creio que se notava que queria aprender."

Carla Chambel, que contracenou com o jovem Diogo em A Febre do Ouro Negro (2000), recorda que as primeiras impressões que teve do ator não foram as melhores. "Por ele ser bastante jovem, estava com um arranque de carreira a correr muito bem e, pela imaturidade dessa altura, a imagem que tinha dele era de um rapaz convencido. Depois, essa imagem veio completamente a dissolver-se quando trabalhei com ele em Vingança", conta, divertida. No mesmo ano, o nome de Diogo ganhava projeção nacional com o telefilme mais visto da história da televisão portuguesa, Amo-te Teresa, em que a sua personagem vivia uma paixão tórrida com uma professora, interpretada por Ana Padrão. "A diferença foi que as pessoas começaram a conhecer o meu nome", contou o ator à SIC Mulher.

O Plágio e a Carreira Internacional

Estava no auge da carreira quando, em 2001, escreveu a peça de teatro (O)pressão. As parecenças com o filme The Breakfast Club (O Clube), de 1985, geraram críticas de que o projeto de Diogo não passava de um plágio e a peça acabou por ser suspensa. É um tema de que Diogo raramente fala. Mas quebrou o silêncio numa entrevista à revista Focus, no mesmo ano. "Realmente as semelhanças são grandes e eu tenho de assumir que me inspirei no filme", admitiu, garantindo que nunca chegou a ver a obra de John Hughes na sua totalidade.

Parte para a Amazónia, onde gravou o filme A Selva, de Leonel Vieira, e regressa a Portugal para gravar Tudo Por Amor, onde contracena com a ex-namorada Sofia Duarte Silva. Contactada pela Notícias TV, escusou-se a fazer comentários. Regressa ao ativo com a participação no filme O Crime do Padre Amaro, Vingança (2007), Podia Acabar o Mundo (2008), A Vida Privada de Salazar (2009) e Laços de Sangue, trama vencedora de um Emmy em 2011.

Alentejo e a discrição da família

"Persistente" é como os amigos o definem. "Fizemos o filme (A Teia de Gelo, 2011), na serra da Estrela, com tempestades de neve horríveis, e eu dizia-lhe que tínhamos de fazer uma pausa. "Não, Nico, vamos fazer", respondia-me o Diogo", recorda Nicolau Breyner. Diogo admite não ter tendência para desistir. "Para mim é difícil lidar com pessoas que desistem", contou em entrevista ao Alta Definição.

Natural de Lisboa mas com o coração no Alentejo, Diogo Morgado, que já foi comparado a Marlon Brando por uma produtora de Hollywood, é "fascinado por pessoas", especialmente pelas mais velhas, e gaba-lhes a sabedoria. Adora cozinhar e comer, mas não gosta de fazer sobremesas. É fã de desporto e gosta de futebol, mas não percebe "nada da modalidade".

A discrição com rege a sua vida aplica-se também à sua família. A mulher, Cátia Oliveira, raramente marca presença nos eventos públicos em que o ator comparece. Descreve o pai "como um gigante" e não se contém ao elogiar o irmão Pedro, seis anos mais novo, de quem tem o maior orgulho.

Com 2,800 quilos e 48 centímetros, Santiago mudou-lhe a vida quando nasceu, no dia 2 de setembro de 2009. Batizado com o nome de uma das personagens que mais marcou Diogo Morgado, o Santiago de Vingança, o filho de três anos é o menino dos olhos do pai. "Adoro o cheiro do meu filho", contou o profissional. Teresa Guilherme corrobora: "Ele é um pai babado."

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