"Ele é um miúdo giro e eu uma miúda cheia de graça"

A entrevista começou sem Júlia Pinheiro. Brincalhão, mas sóbrio, João Baião falou das expectativas do seu regresso à SIC e do que os espectadores podem esperar de si. Mas a chegada da apresentadora com quem vai dividir, a partir de amanhã, o palco de Sabadabadão trouxe uma dose de "loucura saudável" à conversa.

João, ao final de seis meses de namoro, a Júlia lá conseguiu que dissesse "sim" a uma proposta de casamento...

João Baião (J.B.) - Ai... e que belo casamento. Estamos muito felizes e no sábado vamos ter muitos filhos. Todos os que estão na plateia [de Sabadabadão] vão ser filhos [risos].

E o parto é já amanhã, dia em que se estreia o programa...

J.B. - É verdade! O que sei é que nestas duas últimas semanas, em que tenho gravado algumas coisas, me tenho divertido muitíssimo. Obviamente que ainda estou a arrumar a casa. Saí de uma e estou a instalar-me noutra. Quando tudo ainda estava a terminar [Praça da Alegria na RTP1 e A Grande Revista à Portuguesa no Teatro Politeama], já eu estava com a cabeça neste programa.

Como tem sido a adaptação a esta nova casa?

J.B. - Tem sido lenta, mas dá para ter o devido efeito de distanciação e perceber que este programa é muito divertido, e também por isso aceitei fazê-lo. Era para ir de férias, mas o Sabadabadão faz muito o meu estilo.

Porquê?

J.B. - Para já, é um tipo de programa que não se faz há muito tempo em Portugal, que tem uma interação muito grande com as pessoas - pode literalmente entrar dentro de casa delas. Depois, esta partilha desta grande festa com a Júlia [Pinheiro] também me está a deixar muito entusiasmado.

É a primeira vez que vão trabalhar juntos.

J.B. - É. Há muito tempo que a admiro e que gosto muito do trabalho dela. A Júlia é uma pessoa muito bem-disposta, com muito sentido de humor e, sobretudo, tem uma dose de loucura saudável muito compatível com a minha. Acho que podemos perspetivar uma grande festa, apesar de, além de entusiasmado, me sentir muito ansioso e nervoso.

Nervoso porque se trata de um programa novo ou pelas expectativas depositadas em si com esta mudança da RTP para a SIC?

J.B. - Coisas novas são sempre coisas novas. O Sabadabadão tem tudo novo, desde a transferência da RTP para a SIC, o que implica uma outra linguagem, passando pela abordagem a um novo horário, até ao próprio programa, que é uma aposta como já não se faz há muito tempo na nossa televisão. Agora, se vai perguntar se tem algo de original...

Não ia, mas posso...

J.B. - É que tem! Basta ter duas pessoas que nunca se encontraram à frente da mesma câmara. Só por isso já é diferente. E porque a televisão mudou muito nos últimos anos, há uma abordagem diferente mesmo em relação a coisas que as pessoas já conhecem.

Sente uma responsabilidade acrescida por ser o seu regresso à SIC?

J.B. - Eu não faço essa distinção!

Mas o espectador pode fazer.

J.B. - Não sei... Encaro sempre qualquer trabalho com a mesma responsabilidade e com o mesmo empenho. Quem está do outro lado merece todo o nosso respeito e toda a nossa dedicação, independentemente da antena em que estamos a transmitir ou do que estejamos a fazer. Num país democrático, o juízo cabe ao espectador.

Foi o poder apresentar Sabadabadão que o fez aceitar trocar a RTP pela SIC?

J.B. - Não foi o programa que pesou na minha decisão.

O que é que pesou?

J.B. - Tudo.

A mudança?

J.B. - Essa palavra teve um peso gigante: a mudança. O sentir que aqui tenho projetos diferentes, com uma outra linguagem, o poder trabalhar com outras pessoas, recuperar o trabalho com aquelas com quem já tinha trabalhado. Embora estivesse muito bem, e com uma dose de confiança por parte da direção de Programas da RTP muito grande, e estivesse muito ligado a uma pessoa que ficará para sempre na minha vida...

Está a falar da Tânia [Ribas de Oliveira].

J.B. - Sim, da Tânia. Quando nós trabalhamos com amigos é uma coisa, quando começamos por trabalhar com colegas que depois se tornam nossas amigas é outra. Quando se tem uma estabilidade muito grande dentro do que se estava a fazer, quando temos uma parceira de trabalho, uma companheira, uma amiga, tudo é bom. Mudar é sempre complicado porque deixamos para trás um pedaço do coração muito grande.

Foi isso que o fez ponderar o convite durante seis meses?

J.B. - Foi um período de autoanálise. Foi um trabalho solitário e longo da minha parte no sentido de perceber o que é que me apetecia nesta altura. Porque sou um Balança, como as pessoas entendidas nestas coisas dos signos dizem, e um bocado desequilibrado e inquieto em termos de decisões, foi mais um período de introspeção.

Além da necessidade de mudança, regressar ao canal em que de notabilizou com Big Show SIC há quase 20 anos teve influência nessa decisão?

J.B. - O apelo da cor da SIC, do brilho, foi sempre aquilo que esteve presente... [pausa]. Mas todos começámos na RTP, que foi a grande escola de televisão em Portugal. Antes do Big Show SIC, que é a referência que as pessoas têm, já tinha feito A Grande Noite para a estação pública, que também teve um impacto muito grande.

Não tanto como o Big Show SIC.

J.B. - Porque na altura de A Grande Noite os canais privados estavam a nascer. A força da RTP era muito grande. O que digo é que este "namoro" com a SIC não foi bem um namoro, mas um período de introspeção da minha parte. Isolar-me no meio da confusão, para analisar o que seria melhor para mim, foi complicado. Qualquer dos dois caminhos eram bons para mim. Eu acabei por dar este salto, que é perigoso.

Perigoso?

J.B. - Sim, porque é sair da casinha que já está instalada.

Sair do conforto do lar?

J.B. - Sair do que estava estabilizado.

Precisava do desafio?

J.B. - Do desafio, do estímulo. Com 50 anos e da forma como me sinto, com muita energia, acho que ainda é muito cedo para me acomodar a uma situação que está estável. As propostas que a SIC me apresentou seduziram-me muito.

O canal não o vai deixar descansar. Além de Sabadabadão, ainda vai participar na novela Lágrimas de Sal, integrar a partir de junho o programa de domingo à tarde Portugal em Festa e, em setembro, conduzirá as tardes da SIC, agora entregues a Conceição Lino...

J.B. - A RTP também tinha uma panóplia de programas à minha disposição.

Hugo Andrade [diretor de Programas da RTP] disse à NTV que contava consigo para protagonizar uma próxima série.

J.B. - O Andrade é uma pessoa fora de série. Antes de ele ser diretor de Programas já éramos amigos e nutro por ele um respeito e uma admiração muito grande. Mas, de facto, o difícil disto tudo foi não o desiludir e... deixar a minha Tânia.

Tentou não a deixar, ao procurar que a SIC também a contratasse.

J.B. - Porque é uma dupla que faz sentido em qualquer estação, não é? E quando acontece esta empatia é bom que ele se mantenha. Mas tenho a certeza de que ainda nos vamos encontrar profissionalmente por aí.

É verdade que disse à SIC que não era o "salvador da pátria"?

J.B. - Quando me abordaram a primeira vez, eu disse que, independentemente de tudo, o que assusta não é o trabalho nem dedicar-me às coisas. O que me assusta é as pessoas depositarem em mim uma esperança. Não sou o salvador da pátria de um canal que não está bem, embora já tenha estado pior, e pensarem "vem lá o João Baião e é tudo nosso. Vamos ganhar a concorrência e pronto". Não é assim. A conjuntura diz-nos que é preciso muito mais do que uma ou duas pessoas para se conseguir dar a volta.

A SIC também sabe que não é assim?

J.B. - Toda a gente que tem acompanhado a evolução da televisão em Portugal sabe que é preciso haver um trabalho de equipa e uma aproximação ao público de forma coletiva. Agora, aos 50 anos, saber que há 11 deixei sementes na SIC e que o meu perfil enquanto profissional ainda cabe nesta estação é mesmo muito bom. Nós sabemos como está o mercado, como vivem alguns dos nossos colegas, portanto é muito bom.

Já disse que vai ser um programa muito divertido. O objetivo passa por conseguir ganhar à TVI e à RTP em audiências?

J.B. - O objetivo de todos nós é chegar ao maior número de pessoas.

Mas quer vencer o MasterChef Portugal da TVI e o Desafio Total da RTP1?

J.B. - Todos queremos ganhar. Eu importo-me com as audiências, mas também acho que as coisas têm um tempo para se implantarem. E quando digo que me importo é mais pela estação, porque ia sentir-me muito mal se ao confiarem em mim não alcançasse os resultados. Mas estas coisas não acontecem de um momento para o outro. O futebol é a única área que tem a magia de chegar, ver e vencer. O importante é mostrar uma alternativa diferente de programa.

Ser uma alternativa é o que a RTP, enquanto estação de serviço público, costuma dizer...

J.B. - Não é o que todos dizem? Se fossemos fazer um programa de cozinha era mais do mesmo. O que temos aqui é uma vertente de espetáculo diferente do Desafio Total da RTP1 e do MasterChef na TVI. As pessoas que escolham.

A dupla com Júlia Pinheiro poderá resultar tão bem como a com a Tânia?

J.B. - É diferente. Não há comparação possível. As pessoas dizem muito nas redes sociais que eu destrui a dupla. Não tem nada que ver. São programas diferentes.

Quando lhe pergunto se irá resultar refiro-me à química entre ambos.

J.B. - Aqui vamos lidar de uma forma diferente, com outro tipo de emoções. Não vamos fazer entrevistas, não vamos falar de problemas da sociedade diários, domésticos, enfim... Vamos lidar com espetáculo, que no Portugal no Coração e na Praça da Alegria também tínhamos, mas de uma forma diferente. De qualquer forma, quando mudamos não é para procurar o que tínhamos, mas para fazer diferente. Eu não fiz esta mudança para desistir da Tânia e vir procurar algo quase igual. Obviamente que estarei com a Júlia de uma forma diferente da que estive com a Tânia.

Além de o acusarem nas redes sociais, também lhe dizem na rua que destruiu a dupla com a Tânia?

J.B. - Isso não. As pessoas só dizem que têm pena.

E dizem-lhe que estão satisfeitas por ter regressado à SIC?

J.B. - Muita gente [risos]. Hoje em dia, com as redes sociais, as pessoas sentem-se no direito de dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem conhecerem minimamente as coisas. Falam de uma forma gratuita. Perguntam como é possível eu ter destruído uma amizade por dinheiro. Nem sabem se a RTP me ofereceu mais dinheiro, porque eu nem falo de dinheiro. Nem vou falar.

"SOMOS UMA DUPLA MADURA E SEXY"

Nunca tinha trabalhado com a Júlia. Nestas duas semanas, o que é que o surpreendeu mais?

J.B. - Quer dizer... O que sinto agora é aquilo que já via nos programas: uma mulher que, apesar dos seus 51 anos, é disponível e pronta para tudo. Sem tabus, sem complexo, sem barreiras. Ela anda de mota, salta, canta, dança... Isso pode trazer uma grande compatibilidade com a minha forma de ser.

[Júlia Pinheiro aproxima-se]

J.B. - Ai... [sussurra] Agora não podemos dizer mais mal dela. Ela é muito boa, muito boa [grita]. Ai, o que eu gostava de ver as manhãs da SIC!

Júlia Pinheiro (J.P.) - [Gargalhada] Mas podem continuar. João, já comeste [ao mesmo tempo trinca um prego]?

J.B. - Já, já! Bebi o meu batido antes de vir para aqui.

J.P. - Batido? Estes velhos [a sussurrar]!

Estou a ver que o vosso "casamento" já está a ser complicado [risos].

J.P. - Nós ainda estamos em fase de noivado. É a tal coisa... ele fica apoquentado quando me vê comer pregos. Acha estranhíssimo uma série de coisas sobre os meus hábitos. Mas, como em tudo o que tem que ver com a conjugalidade, os meus defeitos estão a enchê-lo de ternura [risos]. Eu é que ainda não sabia desta coisa dos batidos [risos]!

Apesar desses desaires "conjugais", calculo que estejam em sintonia no que toca ao Sabadabadão...

J.P. - Mas claro. É o melhor programa de todos os tempos porque tem duas pessoas extraordinárias a apresentar. Duas pessoas cheias de experiência. O que me entusiasma mais, além de ser uma grande aposta da estação, é o facto de há muito tempo não se fazer, em nenhum canal, um programa destes. É um formato feito de festa, que está muito virado para a participação do público em estúdio e dos espectadores em casa. É um bocadinho ir buscar o frenesi do Não Se Esqueça da Escova de Dentes, mas numa atmosfera reinventada e produzida para o século XXI.

J.B. - E é feito em direto.

J.P. - Tens toda a razão, esqueço-me sempre desse detalhe. E em direto com ele [aponta para João Baião]. Eu adoro fazer diretos, o João também - aliás, fazer televisão de outra maneira custa-me horrores. Fazer isto com o João, que é um sénior... bem, temos a questão do batido, mas isso... [risos]

J.B. - Enfim, todos temos as nossas espinhas [risos]!

[risos] Batido à parte, como é trabalhar com o João?

J.P. - É um desafio muito grande, mas um aconchego e um conforto imenso ter ao meu lado um homem com a experiência televisiva do João.

Quando a SIC o chamou, há seis meses, pensou de imediato que queria apresentar um programa em dupla com o João?

J.B. - É melhor eu sair [risos].

J.P. - Quando falámos com o João há seis meses este programa não estava ainda comprado. A possibilidade de o João vir fez que pensássemos nele.

E já sabia que iria estar ao seu lado?

J.P. - Secretamente, alguma coisa borbulhava dentro de mim nesse sentido. Na origem, em Inglaterra, este programa é feito por dois homens, dois humoristas. No primeiro momento pensou-se seguir esse modelo e entregar o programa ao João e a outro apresentador, mas depois... gestão de recursos para aqui, disponibilidades de uns e de outros para acolá, e eu comecei a meter o dedinho no ar [risos].

É por isso que vai vestir-se de uma forma mais masculina? Para não desvirtuar o conceito do programa original?

J.P. - Por isso e porque eu e o João somos dois velhos malandros. Tem muito que ver com a cumplicidade de duas pessoas com muita experiência, que já fizeram muitas coisas e que agora têm o privilégio de estar ao sábado à noite, um dia que os canais não têm tratado com muito carinho, e que se pode tornar na grande noite de televisão.

O João já disse que não se considera o "salvador da pátria". E a Júlia e a SIC?

J.P. - Não esperamos isso dele de maneira nenhuma. Uma estação é um conjunto, é um quadro grande com muitas cores e nós seremos apenas uma dessas cores. Jamais nos passaria pela cabeça colocar esse fardo nos ombros do João. As escolhas são da direção de Programas e o João está cá connosco. O que quer que aconteça, a responsabilidade é inteiramente nossa.

Se o João não tivesse aceitado o convite, Sabadabadão teria avançado na mesma?

J.P. - Se o João não tivesse aceitado o convite da SIC, se calhar não teríamos feito este programa. Ou não o teríamos feito assim. A presença dele permitiu que nos lançássemos numa coisa com um nível de espetáculo que se calhar eu não tinha confiança para fazer com nenhum outro apresentador. O que é que nos deixa perfeitamente rendidos ao talento do João? É que ele não é apenas um grande apresentador. É um homem de palco, um humorista. Este homem até me faz uma maionese de gambas [risos].

J.B. - [Risos]

J.P. - É um homem com uma série de valências que é um privilégio uma estação ter. Ele faz tudo e é uma riqueza extraordinária para ter nos nossos ativos. Portanto, estou encantada por poder explorá-lo nos próximos anos.

J.B. - Explorem-me à vontade!

A verdade é que vão ser a única dupla "madura" da televisão portuguesa!

J.B. - Somos a única dupla que ultrapassa os cem anos!

J.P. - Ainda no outro dia fizemos as contas. Juntos, temos 101 anos.

Hoje em dia, o comum é as duplas serem compostas por um apresentador mais velho e outro mais novo.

J.B. - Sim, um com mais experiência e outro com menos.

J.P. - Isso tem muito que ver com a falta de recursos que a nossa indústria tem. Não somos muitos e é difícil conseguir alocar ao mesmo projeto dois ativos cheios de experiência. Nós somos uma dupla madura e sexy. Ficamos muito bem ao lado um do outro. Ele é um miúdo giro e eu uma miúda cheia de graça!

Terem idades idênticas é uma vantagem para o que podem dar em antena?

J.P. - Há uma cena de paridade, que senti no dia em que comecei a gravar com o João.

J.B. - Somos contemporâneos!

J.P. - Vivemos as mesmas coisas. Temos as mesmas referências culturais, o nosso universo de memória é parecido e isso nota-se na comunicação. Nota-se no subtexto do que dizemos. É uma questão de geração.

O outro João [Paulo Rodrigues] não vai ter ciúmes deste João?

J.P. - Não! São projetos diferentes. Aliás, eu tenho com o "J" um outro tipo de ligação, que é a da espontaneidade e da frescura que ele trás. Mas há coisas que ele diz que eu não faço ideia do que está a falar [gargalhada], tal como há coisas que eu digo que ele não sabe. Nesse caso há uma descoberta.

Dizem que Sabadabadão é um programa interativo. A TVI deu um grande passo ao estrear há cerca de uma semana o concurso Rising Star, que vive desse fenómeno. O futuro mais imediato da televisão passa por aí?

J.B. - A conjuntura é que mudou. Antigamente havia a participação por telefone ou por carta. Hoje é através do online.

J.P. - A ferramenta que nós usamos para a participação do público não tem nada que ver com a tecnologia utilizada no Rising Star. Aqui é uma participação no sentido mais clássico. É apelo direto: "Apareça", "venha cá ter", "manifeste-se". É transversal, na medida em que toda a gente pode participar.

Sabadabadão é um programa pós-troika?

J.B. - Exatamente.

J.P. - É um programa que vai ser uma alegria imensa, cheio de energia em que vão estar sempre coisas a acontecer.

Portanto, vão conseguir conjugar facilmente as 13 semanas de emissão com tudo o resto que têm para fazer em antena?

J.B. - Claro! Somos maduros, mas não a cair de maduros! Há aqui muita firmeza [risos].

J.P. - [Gargalhada] Nós estamos ótimos. Os novos 50 são os novos 30.

Ainda estão na flor da idade!

J.P. - Estamos antes da flor da idade. Estamos a desabrochar, que é uma palavra de que gosto!

J.B. - Sim, estamos a desabrochar, sim. Sabe o que é, não sabe [gargalhada]?

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