"A máquina está bem oleada, a série está melhor do que nunca"

Eleita pela Time como "a melhor série fora do cabo", vencedora de cinco Emmys e vista por 11 milhões nos EUA, The Good Wife regressou esta terça a Portugal. Julianna Margulies, estrela do drama político, e Christine Baranski falam em exclusivo à NTV sobre a sexta temporada, o sucesso do formato e a importância de haver mulheres no poder.

"É a melhor série fora do universo por cabo." A afirmação é forte e foi publicada pela revista Time. Palavras que ilustram bem a forma como The Good Wife tem recebido o aplauso do público e da crítica. Esta terça-feira, a série dramática que gira em torno do mundo da advocacia, misturando corrupção, poder e política, regressou a Portugal com a sua sexta temporada, na Fox Life, com um primeiro episódio que mostrou ser "um pouco chocante e com um ritmo de ação muito rápido", como explicou em entrevista exclusiva à Notícias TV Julianna Margulies, a atriz que dá vida à protagonista da aclamada trama, Alicia Florrick.

Mas desengane-se quem pensa que já viu tudo da advogada que iniciou a trama desta série a regressar ao trabalho como advogada - cargo que não exercia há mais de uma década, depois do seu então marido e procurador de Estado, Peter (Chris Noth), ter sido preso por corrupção política e por um escândalo sexual. A sexta temporada traz uma nova Alicia, que vai surpreender os espectadores, conta a protagonista.

"Vão poder ver uma Alicia menos boazinha e mais forte, alguém que já se magoou demasiadas vezes e que percebe, finalmente, que quem pratica sempre o bem nem sempre é o último a rir. Ela quer tomar o controlo da sua própria vida e escolher o seu caminho, sem receber ordens do ex-marido, dos patrões nem de ninguém. Ela tem sede de mudança e tem feito isso aos poucos, ao longo dos últimos seis anos", explica à NTV a atriz que já recebeu dois Emmys para Melhor Atriz numa Série de Drama, tanto em 2011 como em 2014, por este papel principal em The Good Wife, além de elogios consensuais dos críticos e até da comparação da sua complexa e forte Alicia ao protagonista de Breaking Bad, Walter White, pela revista The New Yorker.

A ajudar a esta nova etapa na vida da advogada estão vários fatores decisivos e recentes na trama criada em 2009 pelo casal Robert e Michelle King: a morte de uma das personagens principais da série, no final da anterior e quinta temporada, também seu colega e ex-amante, Will (Josh Charles), e a saída de casa do seu filho mais velho, Zach, que vai para fora estudar.

"A morte do Will deixou a Alicia num estado de choque que a obrigou a ter uma nova vida. Da mesma forma que isso também tinha acontecido logo no início da série, com o escândalo em torno do então marido. A morte do Will atirou-a para a cama durante três dias consecutivos e isso não a matou, por isso ela sabe que terá de ser forte e seguir em frente. Agora também vai ser o tudo ou nada para a Alicia. E quando o seu filho sai por aquela porta de casa, outra porta abre-se para ela. É a possibilidade de haver uma mudança que a deixa interessada", acrescenta a atriz norte-americana de 48 anos que já tem no currículo séries de êxito como ER - Serviço de Urgência e Os Sopranos e filmes como Barco Fantasma, Amigos Inseparáveis e Confusões em Família.

Assim, a sexta temporada vai mostrar Alicia Florrick interessada no cargo de procuradora de Estado, ao mesmo tempo que tenta convencer Diane (interpretada pela atriz Christine Baranksi) a entrar na sua nova firma de advogados, depois de perder o seu aliado, Cary Agos. "Há seis anos, a minha personagem apareceu na empresa da Diane para lhe pedir emprego. Por isso acho que agora é um bom timing para que haja um volte-face e para que estas duas mulheres se juntem e liderem esta a empresa da Alicia", conta Margulies.

Christine Baranksi conta à NTV que a sorte poderá finalmente sorrir a Diane nesta nova temporada. "Ela começa a trabalhar com a Alicia na empresa de advogados. A Diane é uma mulher que sofreu vários contratempos nesta série. Se virmos bem, ela teve a sua empresa, com que sempre sonhou, e depois perdeu-a; ela sempre quis casar-se mas nunca vê o marido por causa do trabalho; ela quis reconciliar-se com ele e tudo parecia que ia mudar até que a Diane o perdeu. Por isso, nunca se sabe o que poderá acontecer com a minha personagem desta vez", diz, entre risos, a norte-americana de 62 anos que já conta com uma carreira de quatro décadas, somando sucessos como Mamma Mia! ou Chicago.

Julianna Margulies acrescenta que o interesse da protagonista pelo cargo de procuradora de Estado vai mexer com a trama da nova temporada e com o próprio percurso da sua Alicia Florrick. "Ela é incrivelmente inteligente no seu cargo de advogada e cuidadosa na forma de trabalhar. Ela pensa antes de falar, ela tem cuidado com tudo. Mas acho que ela é muito inexperiente nesta nova área de criar uma vida política para si. E acho que vamos vê-la a crescer e a ver muitas coisas com outros olhos", explica a atriz, que é atualmente a quarta mais bem paga da TV norte-americana, ganhando cerca de 5,5 milhões de euros por ano só pela série - apenas Sofia Vergara (Uma Família Muito Moderna), Mariska Hargitay (Lei e Ordem) e Kaley Couco-Sweeting (A Teoria do Big Bang) ficam à sua frente, na lista mais recente da revista Forbes.

Sobre a forma como o público da série vai encarar esse desejo da protagonista, Margulies frisa: "É a altura perfeita para isso. Vamos ter eleições presidenciais nos EUA no próximo ano. A ideia que tenho é de que, pela primeira vez, as pessoas estão realmente a torcer para que tenhamos uma mulher como presidente. E isso é muito oportuno, porque nada parece estar a funcionar. Por isso, vejamos o que as mulheres conseguem fazer, uma vez que somos conhecidas por conseguirmos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Quando as mulheres mandarem no mundo, haverá paz", atira a protagonista da série que já acumula cinco Emmys, um Globo de Ouro e o prémio de Melhor Série Drama pela Television Critics Association e que atualmente é vista por 11 milhões de espectadores nos EUA.

Sobre os dois prémios que recebeu por parte da Academia pelo papel de Alicia Florrick em dois anos diferentes, Julianna Margulies conta: "Foi notável ganhar, em especial, o Emmy no ano passado, quando a série já estava em exibição há cinco temporadas. Olho muito para os Emmys como uma forma de chamar novo público para a série. Estas cerimónias de prémios, para mim, são sempre uma excelente maneira de publicitar um programa de televisão. E fico muito feliz por saber que as pessoas estão a ver e a gostar do que fazemos", refere a estrela principal de The Good Wife, na qual também exerce funções como produtora. A protagonista da trama foi, também, eleita pelo site AOL como a 19ª personagem feminina de TV mais memorável de sempre.

Com um total de 35 nomeações para os Emmys nos últimos cinco anos, Christine Baranski explica que o ingrediente principal do êxito do formato reside nas mãos de Robert e Michelle King, os seus criadores. "Os King são extremamente bons a retratar personagens que querem manter-se num determinado caminho mas que, pelas circunstâncias da vida, têm de fazer coisas com as quais não se sentem confortáveis e que comprometem a sua visão moral, as suas ambições ou o seu propósito. Eles são ótimos a dar uma complexidade a tudo, surpreendendo-nos sempre", relata à NTV a Diane da série dramática que, ainda há pouco tempo, e ao lado de outra série da CBS, Investigação Criminal: Los Angeles, ofereceu à estação um aumento do seu lucro em 18%, ao que se refere o valor de um milhão de dólares (840 mil euros), explicou um artigo da Forbes.

Em plena sexta temporada de The Good Wife - que conta ainda com um nome de peso no papel de produtor executivo, Ridley Scott, o responsável por filmes como Telma & Louise, Alien, Gladiador, Hannibal ou Prometheus, Christine Baranski acrescenta que não poderia estar mais feliz com o seu percurso na série.

"Tem sido uma experiência de aprendizagem gigante. Juro que aprendo todos os dias. E quando temos um guião de qualidade emocional tão grande, temos de fazer acontecer em frente da câmara e temos de dar o melhor, cena após cena. E nunca tinha experienciado isso na minha carreira de atriz. Por exemplo, a Jules [termo pelo qual trata Julianna Margulies] já soube o que é isso. Ela fez parte de ER - Serviço de Urgência, que tinha um grande elemento de drama e um espectro emocional enorme, tinha tragédia, tinha choro e isso tudo, mas nunca tinha encontrado nada como esta série na minha carreira. Isso faz-me sentir muito agradecida. Sinto que estou muito melhor nas cenas de tribunal e que já estou familiarizada com a linguagem do mundo da advocacia e da justiça", refere Baranski.

E recorda ainda, divertida: "Quando começámos esta série, em 2009, estávamos todos apreensivos, parecia que estávamos a falar linguagem árabe. Foi uma experiência nova para todos nós, que nunca tínhamos feito uma série sobre advogados, este mundo da justiça e da sua terminologia e também dos procedimentos dos tribunais", adianta a veterana atriz, que conta ainda com a presença dos atores Archie Panjabi, Matt Czuchry e Alan Cumming no elenco da série.

Quanto a uma sétima temporada de The Good Wife, a decisão da CBS só será anunciada nos próximos dois ou três meses. Ainda assim, o cenário parece ser favorável: a atual temporada, que se estreou nos EUA em setembro do ano passado, tem mantido uma audiência de 11 milhões de espectadores por episódio, um número não muito longe do pico de público ao qual a série já conseguiu chegar naquele país, logo com a sua primeira temporada, durante a qual era vista por 13 milhões.

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