Afinal, qual é a cena das mulheres com os carros?

Alguém sabe a resposta à pergunta do título? Os homens nunca perceberam bem qual é a relação das mulheres com os carros. Com os carros deles. Os carros delas são outra conversa. Eles acham que sabem, atiram umas bocas para o ar e - se ganharem coragem - fazem algumas perguntas à mulher, às irmãs e às amigas. Não para tentarem perceber se elas, afinal, ligam ou não alguma coisa ao bólide, mas na esperança de encontrar respostas que vão ao encontro do que eles próprios pensam. Intrigado com a pergunta do título, resolvi conduzir um apurado inquérito junto de umas quantas mulheres (foram mais de três). As passageiras frequentes que entrevistei ajudaram-me a desfazer alguns mitos.

É o carro ou é o condutor? Algumas mulheres não acham grande piada ao veículo, para lá daquilo para que serve: para nos transportar, com conforto e segurança, do ponto A para o ponto B. E para levar coisas na bagageira, também. Mas nós, os homens, estamos convencidos que boa parte das mulheres (não há ainda estatísticas oficiais para isso) gosta de gajos com bons carros. Não se trata do factor show off ou - menos ainda - porque isso signifique que os cavalheiros estão bem na vida, o que poderá ter reflexos no que podem proporcionar à namorada ou mulher. Isso é uma visão redutora e sexista da coisa. A razão é outra. Para quem dá mesmo valor a um carro, a viatura é, para todos os efeitos, uma extensão da forma como um fulano se apresenta. Se tem bom gosto ou não, portanto. O que significa que, para elas gostarem, não precisa de ter muitos cavalos, alta cilindrada, pintura metalizada, estofos de pele, poucos quilómetros e teto de abrir. O que elas gostam é isto: estilo. Um carro tem de ter pinta. Atitude. Tal como um gajo. E isso, já se sabe, pode ser mais fácil de atingir com um carro pequeno mas carismático, do que com um carro grande e potente. Além disso, muitas delas continuam a acreditar que o tamanho do nosso carro e a velocidade a que o conduzimos é inversamente proporcional ao tamanho do nosso órgão sexual. Não é um mito urbano.

É importante para elas que nós percebamos de carros? As opiniões dividem-se. Algumas gostam que eles percebam o suficiente para as safar em caso de problemas mecânicos. Outras detestam a ideia de precisarem deles para os safar de problemas mecânicos. Umas quantas acham isso tão excitante como a ideia de um fulano ser um artista com o berbequim. E uma das inquiridas ficou com pele de galinha quando falei de binário, potência, transmissão e consumos. Elas são capazes de achar tanta graça a programas como o Top Gear, mas poucas ficarão horas no sofá a ver dois ingleses a experimentar carros em pistas de aviões.

As mulheres gostam de ailerons? Não. As mulheres não gostam de carros transformados. Mesmo que namorem ou estejam casadas com um piloto de ralis, elas não ligam muito à quantidade de mariquices com que se pode artilhar um carro. Convenhamos: o tuning é um poderoso anticlímax. O xuning (esta é a expressão correta) poderá servir, quanto muito, para chamar a atenção de uma miúda de Chelas que viu no cinema o Velocidade Perigosa . Faróis de xénon, pneus largos, volantes novos, pedais alterados ou luzes que fazem o carro parecer o kit vão para lá do foleiro. Um carro pode dar nas vistas por ser bonito. Um carro pode dar nas vistas por ser novo. Mas um carro não pode dar nas vistas por ser espalhafatoso. Mesmo que seja único no mundo.

O carro tem de estar imaculado? Só se quiserem fazer uma cirurgia lá dentro. De resto, a limpeza do carro é tão importante como a limpeza da casa de banho dele. Ou dele. Apenas isso. Ah, mas se tiver cheirinho é diferente. As miúdas gostam de carros a cheirar bem. Todas concordaram com isso.

[25.08.2013]

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?