Medidas públicas sobre o tabaco devem ser equilibradas e baseadas na ciência, defendem consumidores

Um estudo recente da Philip Morris International inquiriu fumadores e não fumadores em todo o mundo para perceber como olham para o futuro da indústria. Em Portugal, 86% das pessoas recusam adoção de medidas extremadas.

Sentir o pulso à população foi o grande objetivo do estudo "A ballanced approach to tobacco regulation" (em português, "Uma abordagem equilibrada à regulação do tabaco"), realizado pela consultora Povaddo a pedido da Philip Morris International (PMI), que em Portugal detém a Tabaqueira. Para isso, foram inquiridas duas mil pessoas em cada um dos 22 países incluídos na pesquisa, sendo que, destas, metade são consumidores de nicotina. "É um dos maiores estudos que analisam todas estas áreas em torno da redução do dano", explicou William Stewart, presidente da Povaddo, durante a apresentação dos resultados em Lausanne, na Suíça. Uma das principais conclusões aponta que a larga maioria dos participantes defende políticas públicas equilibradas em relação ao consumo de tabaco e recusa claramente a adoção de medidas extremadas, como proibições.

Para o fundador da consultora, "as pessoas estão a par da polarização que existe" na sociedade, com a maioria (71%) a reconhecer que as posições se extremaram em relação a assuntos importantes. "Mas as pessoas acreditam que encontrar o meio-termo é onde o progresso é feito, com 82% a nível global a concordar com isso", aponta ainda. Em relação à regulação sobre produtos de tabaco e nicotina, que varia entre as diferentes regiões do mundo, oito em cada dez consumidores de nicotina em Portugal referem que a sua voz não foi ouvida e que é necessária uma nova abordagem à legislação.

Essa nova forma de pensar a regulamentação do mercado prende-se, sobretudo, com os novos produtos de nicotina que procuram substituir os cigarros tradicionais nos consumidores que não pretendem deixar de fumar. "Não podemos ter excesso de regulação que impeça a entrada de novos produtos no mercado", avisa Lindsey Stroud. A diretora da Taxpayers Protection Alliance"s Consumer Center exemplifica com a proibição, em alguns mercados internacionais, dos cigarros eletrónicos, que considera "não ajudar nada" e "prejudicar o consumidor por lhe tirar produtos que fazem menos mal". O inquérito realizado em Portugal mostra que 92% dos inquiridos acredita que as decisões que afetam a sociedade e a saúde pública devem ser baseadas em ciência e nos factos. "Os governos não estão a financiar a ciência neste campo dos produtos de nicotina alternativos, mas por alguma razão a ciência vinda de produtores de tabaco é vista de forma cética", lamenta Lindsey Stroud, que pede aos responsáveis políticos que "oiçam a ciência" e os consumidores.

Gregoire Verdaux, vice-presidente de External Affairs da PMI, defende ser necessário "ver o que funciona" melhor para que os atuais fumadores possam deixar de o ser - seja por cessarem o consumo, seja por substituírem o cigarro tradicional por produtos que permitam a redução do risco associado. "Esse é o objetivo da empresa: cooperar com os governos para tornar possível o fim dos cigarros em 10 ou 15 anos", reforça. Em países como os EUA, refere Lindsey Stroud, "apenas 9,6% são fumadores" entre os 18 e os 24 anos, quando há cerca de uma década a percentagem rondava os 20%.

Envolver a comunidade médica

O esforço para a redução dos danos provocados pelo consumo de tabaco tem norteado, ao longo dos últimos anos, a estratégia da PMI e da indústria. Os mais de 8,1 mil milhões de dólares investidos em investigação e desenvolvimento têm permitido encontrar soluções que possibilitem a redução da exposição a elementos nocivos em 95%. Este é o caminho que a empresa acredita ser de futuro, ainda que identifique alguns obstáculos, como a regulação do mercado, a comunicação destes novos produtos junto dos consumidores e a falta de envolvimento da comunidade médica. "A outra voz que é muito importante neste assunto é a da comunidade médica", sublinha William Stewart, que aponta esta como uma das principais fontes de informação que os consumidores consideram fidedignas. "Tem de haver uma campanha de sensibilização para que os consumidores e não consumidores tenham a melhor informação disponível", considera a diretora da Taxpayers Protection Alliance"s Consumer Center.

O estudo agora apresentado pela Povaddo parece comprovar esta perspetiva, já que 77% das pessoas inquiridas em Portugal concordam que o Governo deve considerar o papel dos produtos alternativos para tornar o país livre de fumo. Aliás, a opinião colhe também a concordância de não consumidores, com 78% a aprovar esta abordagem. "Acho que é positivo haver alinhamento entre consumidores e não consumidores", remata William Stewart.

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