Anton Musgrave: "quando há uma crise, as empresas devem apostar nas tecnologias existentes para alcançar resultados extraordinários."

Anton Musgrave é um futurista reconhecido mundialmente e o orador internacional da 5ª edição do HINTT - Health Intelligent Talks & Trends. Com o foco sobre o futuro da saúde e a importância da sua digitalização, o keynote speaker destaca o que pode ser feito para impulsionar o crescimento de forma estratégica e as suas previsões sobre o futuro.

Como será o futuro? Que projetos inovadores vão surgir e representar ganhos para a sociedade e para os setores? Com o contexto pandémico em que vivemos há mais de um ano, as dúvidas sobre o futuro continuam bem presentes na sociedade, principalmente quando falamos de saúde.

Tendo o futuro como ponto central, a 5ª edição do HINTT, evento totalmente dedicado à Saúde e organizado pela Glintt, vai contar com Anton Musgrave como orador internacional. Futurista, keynote speaker, empresário e estratega, aquele que é um dos comunicadores e palestrantes mais conhecidos e aclamados mundialmente vislumbra, nesta entrevista, o futuro.

As novas tecnologias têm ganho cada vez mais espaço na nossa sociedade e a saúde não é exceção. Como é que as empresas podem aproveitar o uso da tecnologia para crescerem dentro deste mercado?

Bem, deixe-me começar por dizer que a tecnologia é apenas um facilitador. Os líderes precisam de definir um sonho ou uma aspiração primeiro e, de seguida, abraçar e aproveitar a tecnologia para ajudar a concretizar essa aspiração! Tudo começa com a ambição humana! A indústria da saúde tem muita sorte, porque são vários os novos conceitos tecnológicos que já estão a impactar o seu futuro, criando inúmeras oportunidades para impulsionar o crescimento exponencial deste setor, com novas soluções para grandes problemas.

A primeira etapa passa pela necessidade de as equipas de liderança compreenderem como estas tecnologias funcionam e como podem ser aproveitadas no dia-a-dia para entregar um melhor bem-estar à população. Em segundo lugar, é necessária coragem da parte dos líderes para definir metas e aspirações verdadeiramente ambiciosas. E em terceiro lugar, trata-se de adquirir as habilidades e capacidades tecnológicas certas ou formar parcerias com as equipas certas para trazer essa experiência para cima da mesa. Eu diria que é necessária uma vontade para mudar, para dar um passo ou um grande salto no caminho da mudança, sem ficar preso a investimentos feitos anteriormente em tecnologias já obsoletas.

Por fim, é necessário imaginar soluções como se fossem os próprios utentes a fazê-lo, entrar na sua cabeça e ver pelos seus próprios olhos.

A saúde e a tecnologia têm uma relação em crescimento. Qual é a mais-valia da era tecnológica nos serviços de saúde, tendo em conta o contexto pandémico em que vivemos?

A pandemia mostrou-nos que, quando há uma crise, as empresas podem alcançar resultados extraordinários usando as tecnologias que têm ao seu dispor - desde o teletrabalho, ferramentas de produtividade a novos métodos e velocidades em I&D, novas metodologias de produção e inovadoras plataformas de comunicação, etc. Na área da saúde e bem-estar, as soluções para o futuro poderão cada vez mais ser uma fusão entre as várias tecnologias, criando plataformas inteligentes que vão facilitar a vida de profissionais e pacientes. Com isto será possível reforçar alicerces, tais como a transparência e a confiança, bem como o aparecimento de soluções a preços acessíveis, o acesso e análise de dados pessoais e, acima de tudo, o acesso facilitado dos utilizadores a este tipo de plataformas.

Disse que algumas das mais recentes tecnologias vão criar novos negócios e novos setores. Numa altura em que olhamos muito para o futuro e para o que ele nos reserva, o que podemos esperar de diferente nos próximos anos no campo da saúde?

Acho que a consequência mais importante para a indústria serão os novos modelos de negócio - a forma como vendemos e entregamos soluções de saúde e bem-estar será radicalmente diferente e acessível para a maioria da população. Já não é possível limitar as soluções da área da saúde a consultórios, clínicas, farmácias e infraestruturas hospitalares formais.

Graças ao digital, as populações rurais terão acesso imediato aos melhores profissionais de saúde do mundo. À medida que as populações envelhecem, veremos novas soluções na área da saúde viradas para grupos demográficos mais seniores - desde soluções de cuidados pessoais através de robôs até interações pessoais com jovens, uma vez que a interação entre estes dois grupos é uma excelente forma de promover a saúde. Para além de tudo isto, as soluções de tecnologia wearable são outro setor que irá prosperar. Modelos de negócio que conectem dados pessoais em real time com soluções tecnológicas e novos modelos de pricing vão ser cada vez mais uma realidade.

Este ano o Prémio HINTT vem reforçar e salientar os projetos que passaram da ficção científica à realidade. Que inovações saíram das páginas dos livros ou das telas do cinema para o mundo real nas últimas décadas? Quais as que antevê, que venham a ganhar forma no futuro?

Uma das inovações que podemos ver agora no mundo real é a cirurgia remota. Quanto ao futuro, vamos ouvir falar em avanços tecnológicos tais como ingeríveis (imagine nanorobôs pessoais que limpam veias e artérias do nosso corpo); sensores de transmissão de dados em órgãos vitais, que serão conectados a apps de saúde e bem-estar, possibilitando soluções de mitigação de risco em tempo real; bem como novos modelos de seguros de saúde.

A área da saúde tem sido um exemplo desta evolução. Acredita que existem ainda alguns desafios a enfrentar pelo caminho? Quais?

O maior desafio é ainda a privacidade e a proteção de dados pessoais. Com as recentes violações de dados a conquistar tempo de antena, será necessário construir plataformas tecnológicas robustas, que sejam projetadas com o utilizador como o ator principal e na posição de controlo, com a proteção de dados como a principal preocupação. As empresas de bem-estar e saúde devem transformar o utilizador numa prioridade. Ganhar a confiança do público é fundamental para qualquer futuro alavancado pela tecnologia.

Assim, ética na saúde e na proteção de dados será um dos grandes temas no futuro: em que marcas e empresas o público confiará? Por que deverá confiar na marca A em detrimento da marca B?

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