Abrir a porta à saúde digital é o tema da 6.ª edição dos Prémios HINTT

Os 10 finalistas a concurso já são conhecidos e, em breve, serão desvendados os vencedores de cada uma das categorias, a que se junta este ano a "Born from Knowledge Awards". Esta, entregue pela Agência Nacional de Inovação, distinguirá o projeto que mais se evidencia em atividades de Investigação & Desenvolvimento (I&D).

Já começou a contagem decrescente para a 6.ª edição do HINTT - Health Intelligent Talks & Trends, cujo tema central é este ano "Healthcare Digital Front Door: let"s open it!". Anualmente, este evento dedicado à área da saúde procura refletir e partilhar conhecimento sobre o futuro do estado da saúde, quer em Portugal, quer no mundo, tendo como foco o cidadão e a tecnologia. Jane Thomason, empreendedora social, autora, investidora, consultora e estratega em Blockchain, subirá ao palco para a palestra principal que antecede a entrega dos Prémios HINTT, o momento alto de cada edição. O tema escolhido pela oradora, que é também consultora global de saúde pública, será "Web3, The MetaHealth Ecosystem and the Future of Health Care" e promete cativar a atenção do público.

Recorde-se que, desde 2017, os Prémios HINTT distinguem projetos tecnológicos relevantes para a segurança do doente, apoio à decisão clínica e eficiência global, e são uma referência no setor da saúde em Portugal, enquanto "montra" de ideias que demonstram a criatividade e o espírito inovador de instituições e startups. StartUp Innovation, Value Proposition, Clinical Outcomes, Patient Safety e Born from Knowledge Awards - BfK são as categorias a concurso. Conheça os 10 finalistas.

CHLO comunica EDI3

Comunicar com os fornecedores dados que, até à data, não eram passíveis de comunicar é a principal inovação do projeto desenvolvido pelo Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, que inclui os Hospitais de Santa Cruz, São Francisco Xavier e Egas Moniz. Trata-se, nas palavras de Hernâni Duarte, diretor do Serviço de Logística e Distribuição, de dinamizar "a interoperabilidade EDI avançada, potenciando a logística hospitalar com informação mais precisa e mais rápida, que é usada de forma preventiva e não reativa, beneficiando profissionais e utentes".

O projeto surge na sequência da implementação das comunicações EDI para a Faturação Eletrónica, com vista a "melhorar a performance relacional com os fornecedores em diferentes planos, contribuindo para a transformação digital", explica o responsável logístico.

Grande parte dos benefícios do projeto tem maior foco no utente, que contará com um melhor agendamento cirúrgico (alterações de intervenções por irregularidades no abastecimento de dispositivos médicos), gestão melhorada da capacidade instalada para receber doentes com necessidades especiais (necessidades de compra de dispositivos médicos, que normalmente não existem em stock), redução de erros nos registos logísticos (erros de registos de movimentos de mercadorias), entre outros.

Sistema de Custeio por Doente

O projeto apresentado pelo Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), através do Hospital de Santa Marta, enquadra-se numa estratégia de criação de valor para o doente, centralizando um conjunto de informação de diferentes fontes de dados, de forma normalizada e detalhada dos custos. Este sistema permite, por exemplo, aferir a adequação da estrutura de produção ao financiamento dos cuidados, de forma consistente e contínua, e identificar as oportunidades de melhoria, possibilitando a otimização dos recursos. "Não se trata de fazer gastar menos, mas de fazer gastar melhor", explica a administradora hospitalar adjunta do Conselho de Administração, Anabela Ferreira da Costa.

O Sistema de Custeio por Doente é um modelo de apuramento de custos suportado por uma ferramenta de exploração de dados desenvolvida internamente pelo centro hospitalar, em parceria com a Glintt. Esta ferramenta, explica a administradora, "estabelece a integração dos dados do sistema de saúde, assentes em diferentes sistemas operacionais de FrontOffice (Gestão de Doentes, Gestão Clínica, Gestão de Apoio Clínico, etc.) e de BackOffice (Gestão Financeira, Recursos Humanos, Logística e Farmácia e outros), combinando informação da atividade clínica e financeira, e permitindo efetuar análises e relatórios padronizados com indicadores selecionados para suporte às decisões da gestão de topo e operacional".

Inovação digital: das normas ao cidadão

Resultado de uma parceria entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a UpHill Health para promover a transformação digital no setor da saúde, esta iniciativa recorre a sistemas digitais para disseminar as normas definidas pela DGS. Estas plataformas surgem acompanhadas de instrumentos de apoio à decisão disponíveis em qualquer local através de dispositivos médicos. O principal objetivo passa por assegurar a transferência, rápida e simples, do conhecimento científico para o cidadão, permitindo a autogestão e os autocuidados nas situações de suspeita e confirmação de Covid-19.

O impacto na vida do utente é claro, mas alarga-se também à sustentabilidade do sistema de saúde, já que permite aumentar a sua capacidade de resposta e eficiência, em especial nos cuidados de saúde primários. Os algoritmos especialmente desenvolvidos para apoiar os cidadãos já registaram, desde o início do projeto, cerca de 1,5 milhões de utilizações. Por outro lado, os algoritmos dirigidos ao apoio à decisão dos especialistas alcançaram cerca de 10 mil profissionais de saúde.

Cri@Home

Promovido pelo Hospital do Espírito Santo, em Évora, este projeto visa melhorar a prestação de cuidados de saúde numa unidade de hospitalização domiciliária, criada durante uma das fases críticas da pandemia, em dezembro de 2020. O objetivo inicial passava por monitorizar à distância todos os doentes naquele modelo de tratamento, com a dificuldade acrescida pela dispersão geográfica local.

Esta unidade, como refere Ireneia Lino, médica responsável pelo Centro de Responsabilidade Integrada de Hospitalização Médica em Casa, acabou por evoluir para CRI - Centro de Responsabilidade Integrada, com uma equipa polivalente e novas necessidades. Para dar resposta aos novos desafios, "desenvolvemos uma plataforma de raiz, em conjunto com a EDGE, com vista a recolher todos os dados dos utentes necessários a garantir a monitorização", explica a responsável.

Para o futuro, o objetivo é ampliar o projeto, permitindo o controlo e a gestão da equipa, e de toda a informação não clínica, através da mesma plataforma de dados. Numa terceira fase, o CRI@Home pretende informatizar toda a documentação necessária ao suporte da sua atividade, com vista "a aproximar o hospital das pessoas, adequando o cuidado a cada utente", reforça Ireneia Lino.

+PERTO

Numa altura em que a necessidade de levar o hospital até casa do utente é uma realidade na maior parte das unidades hospitalares, o projeto +PERTO - Programa de Enfermagem de Reabilitação Tecnológico - foi a resposta encontrada pelo Centro Hospitalar Tâmega e Sousa para este desafio. De uma forma inovadora e pioneira na área em que se enquadra, este projeto pretende dar resposta de forma muito célere a um grupo de utentes, mas com possibilidade de rapidamente se tornar transversal a vários outros grupos de doentes no que se refere a cuidados de enfermagem de reabilitação.

O projeto consiste na implementação de um programa de reabilitação digital, acompanhado por um canal de comunicação e monitorização, via APP, em pessoas propostas e submetidas a Artroplastia Total do Joelho e aos seus cuidadores. "Através desta Aplicação Móvel, será possível, desde o pré-operatório, a preparação física, psicológica e aumento das capacidades da pessoa para uma melhor experiência cirúrgica, empoderamento no seu processo de reabilitação, bem como na recuperação pós-operatória", explica Tiago Araújo, um dos responsáveis.

A Aplicação ""+ PERTO"" tem permitido aos utentes e seus cuidadores terem toda a informação necessária e pertinente devidamente desenvolvida e validada por peritos ao seu alcance, independentemente do local e da hora, permitindo assim que os cuidados de saúde e o CHTS estejam ""+ PERTO"".

eBreathie

O eBreathie, desenvolvido pela startup com o mesmo nome, é um smart-inhaler - ou seja, um dispositivo médico que se liga ao inalador tradicional de um doente asmático, transformando-o num inalador "inteligente" e conectável. "De cada vez que o doente usa o seu inalador, o nosso dispositivo recolhe vários dados, cria o seu perfil inspiratório e dá-lhe feedback imediato de se fez a sua medicação de forma correta", explica Ana Rita Constante, CEO. Estes dados são depois disponibilizados ao médico assistente, o que garante um cuidado de saúde personalizado e à distância.

Um dos objetivos do projeto é também capacitar os doentes asmáticos para controlarem melhor a sua doença, enquanto são monitorizados em tempo real. "Ao utilizarem o eBreathie, os doentes terão um melhor controlo da sua doença e conseguirão melhorar a sua qualidade de vida", salienta a CEO.

Apesar dos testes com o eBreathie, Ana Rita Constante refere que ainda não é possível ter dados suficientes sobre o seu impacto. Contudo, acrescenta que existe evidência científica validada sobre os impactos da utilização de smart-inhalers no geral. Esta demonstra que o seu uso aumenta em 23% o número de dias sem quaisquer sintomas, após um ano de utilização; diminui em 39% a utilização de medicação de alívio, no mesmo período; e que 62% dos utilizadores com asma não controlada passaram a ter a doença controlada, com menos idas à urgência e menos hospitalizações.

PeerCare

Relatos de solidão e falta de apoio por parte de pacientes, desinformação para com os familiares e falta de tempo e sobrecarga dos profissionais de saúde são temas de extrema importância no setor da saúde, não só em Portugal, mas em todo o mundo. A humanização das experiências hospitalares é, na perspetiva da equipa da PeerCare, a solução para estes desafios. O projeto, que partilha o nome com a startup que lhe dá origem, desenvolveu uma plataforma digital que dá suporte ao paciente e apoia os familiares e profissionais de saúde antes, durante e após hospitalizações. "A missão da PeerCare é humanizar experiências hospitalares, sejam pacientes, familiares ou profissionais de saúde", reforça Sandro Costa.

No entanto, o CEO admite que a inovação não está só na solução, mas também na abordagem. "A PeerCare foca-se, essencialmente, no paciente e na sua experiência, e, com isto em mente, a nossa equipa consegue mudar o paradigma do que são as soluções no setor da saúde". Com o foco no paciente e nas suas dificuldades, a PeerCare conseguiu desenvolver ferramentas que acrescentam valor aos familiares, profissionais de saúde e às instituições que, consequentemente, ajudam os pacientes a recuperar em menos tempo.

De entre os principais benefícios da solução, Sandro Costa destaca o reforçado suporte psicológico e emocional dos pacientes ao longo de todo o processo hospitalar, assim como um maior acompanhamento da situação por parte dos familiares, evitando stress, ansiedade, chamadas e viagens desnecessárias às instituições. Já para os profissionais de saúde, esta solução permite otimizar o tempo nas comunicações e abre a possibilidade de receberem maior feedback dos doentes, com o acesso a informações que os ajudam na sua prática clínica.

iTeams inclusivo

O iTEAMS é o programa informático de Registo Clínico do INEM que substituiu o registo em papel a partir de 2018. É também uma ferramenta interativa que permite emitir alertas de gravidade de doença, aproximar a regulação médica do CODU aos meios operacionais, e otimizar a cadeia de transmissão de informação clínica desde o evento até à entrega do doente no hospital. Adicionalmente, o programa dispõe de uma ferramenta inclusiva, através da ligação a um intérprete de Língua Gestual Portuguesa via SNS24, dirigido à comunidade surda.

Em termos de inovação, Filipa Barros, médica e coordenadora do projeto, destaca a capacidade de resposta desta ferramenta a vítimas com vulnerabilidades prévias ou decorrentes da emergência, "contribuindo para uma comunicação inclusiva e para uma maior equidade na prestação de cuidados de saúde no contexto pré-hospitalar", aponta.

Outra novidade importante do iTeams é a possibilidade de ser usado em todos os meios de emergência. "O INEM tem vindo a disseminar o uso deste programa informático pelas outras entidades que compõem o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) - nomeadamente Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa, que asseguram 80% do socorro pré-hospitalar no nosso país", reforça a responsável.

APIMedOlder

Criado pelo Instituto Politécnico da Guarda, a APIMedOlder consiste numa aplicação online que permite a pesquisa de medicamentos potencialmente inapropriados para a população idosa, segundo a classificação da Lista Europeia (EU PIM List), operacionalizada para a realidade portuguesa pela equipa de investigação daquela instituição. "É um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e que tem como entidade parceira a Universidade de Aveiro", explica a investigadora Maria de Fátima Roque.

Integrado num sistema de suporte à decisão clínica no momento da prescrição e também na gestão dos doentes em farmácia comunitária, a APIMedOlder pode ser consultada de forma rápida durante a prescrição e a dispensa de medicamentos, sendo igualmente útil durante o processo de revisão da medicação de doentes idosos. "A informação acessível no momento da decisão clínica contribuirá para uma maior segurança do doente e para uma melhor utilização dos recursos em saúde", salienta a investigadora.

IVR - Interactive Voice Response

O projeto IVR chama-se SARA - Sistema de Atendimento e Resposta Ágil - e visa a transformação do atendimento telefónico nos cuidados de saúde primários. Agilizar a relação utente-unidade de saúde, via atendimento telefónico, facilitando o seu acesso aos cuidados de saúde primários (CSP) e evitando deslocações desnecessárias, é a sua principal meta.

Desenvolvido pelos SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, o SARA está já implementado em mais 500 unidades dos cuidados de saúde primários, com mais de 3,2 milhões de chamadas de retorno efetuadas com sucesso, estando em curso a contratação da plataforma para abranger as restantes unidades do país. "Trata-se de uma inovação disruptiva no setor público, na medida em que é apresentada ao utente uma forma de contactar a Unidade de Saúde através de um atendimento automático por via da tipificação prévia de assuntos", salienta Luís Goes Pinheiro. Adicionalmente, refere o presidente do Conselho de Administração, "permite também uma gestão do trabalho administrativo das Unidades de Saúde e a alocação a determinadas tarefas de acordo com o volume de chamadas existente, bem como evita deslocações desnecessárias de utentes às Unidades de Saúde, melhorando a sua qualidade de vida".

Desenvolvido pelos SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, o SARA está já implementado em mais 500 unidades dos cuidados de saúde primários, com mais de 3,2 milhões de chamadas de retorno efetuadas com sucesso, estando em curso a contratação da plataforma para abranger as restantes unidades do país. "Trata-se de uma inovação disruptiva no setor público, na medida em que é apresentada ao utente uma forma de contactar a Unidade de Saúde através de um atendimento automático por via da tipificação prévia de assuntos", salienta Luís Goes Pinheiro. Adicionalmente, refere o presidente do Conselho de Administração, "permite também uma gestão do trabalho administrativo das Unidades de Saúde e a alocação a determinadas tarefas de acordo com o volume de chamadas existente, bem como evita deslocações desnecessárias de utentes às Unidades de Saúde, melhorando a sua qualidade de vida".

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