"Xanana vai tentar destruir o sistema judicial timorense"

Glória Alves liderou os principais processos por corrupção que atingiram membros do governo timorense. Acredita ter sido expulsa do país porque investigava o núcleo próximo de Xanana.

A procuradora da República Glória Alves tem 56 anos e está na estrutura do Ministério Público há 24. Esteve dois anos a residir e a trabalhar em Timor ao abrigo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da Organização das Nações Unidas (ONU). Viajou para esse país precisamente por ser um Estado em reconstrução. Foi a primeira vez que residiu e trabalhou no estrangeiro. Agora está proibida de entrar no país liderado pelo homem que, anos antes, a procuradora defendia em manifestações realizadas em Portugal a favor da libertação timorense.

Trabalhando na área da Justiça, sensível em qualquer país, em algum momento pensaram que podiam ser expulsos?

Sinceramente não. Fomos todos contratados por concurso internacional organizado pela ONU. Para tribunais ou para o Ministério Público (MP). Íamos ajudar em duas áreas: na formação e na titularidade dos processos. O sistema timorense não tinha quadros suficientes para a totalidade dos inquéritos. Por outro lado, os crimes das milícias de 2006 só podem ser julgados por um coletivo de dois juízes internacionais e um timorense. Ainda há processos desses a correr e agora, sem juízes internacionais, não poderão ser julgados.

Neste momento Timor não tem juízes internacionais nem Ministério Público (MP) internacional. Foram todos abarcados pela resolução.

Leia mais pormenores na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG