"Vi a cara do bebé dentro da mãe. É uma sorte que poucos têm"

Especialista espanhol, responsável por operações pioneiras em bebés dentro do útero, participa hoje num simpósio organizado pela Cuf Descobertas

Tem 50 anos e leva quase 20 de experiência. Eduard Gratacós é um dos maiores especialistas em cirurgia fetal. Traduzindo, opera bebés quando ainda estão na barriga da mãe, com poucas semanas de gestação, salvando-os de um destino fatal. Sempre quis ser cirurgião e depressa trocou a ideia de ser oncologista para tratar de bebés. Já leva 1800 operações, de todas elas guarda memórias, incluindo da primeira: "Vi a cara do bebé dentro da mãe. É uma sorte que poucos têm no mundo. Vale a pena." Hoje está em Portugal para participar num simpósio organizado pela Cuf Descobertas, onde irá falar sobre as técnicas e evolução de cirurgias que há 30 anos eram vistas como ficção científica.

É um dos médicos mais conceituados na área, à frente de um grupo de investigação e um dos maiores centros mundiais, o Centro de Investigação de Medicina Fetal, que fica em Barcelona e junta os hospitais Clínic, Sant Joan de Déu e a universidade local. Eduard Gratacós é responsável por duas cirurgias pioneiras. A primeira em 2010 num feto que foi operado a um pulmão, a segunda em 2013 quando operou um feto de 21 semanas de gestação com uma obstrução total da traqueia.

Conquistas que farão o médico sentir-se como um mágico? "Não sou mágico... Como todas as operações muito complexas, as primeiras que se fazem podem parecer magia. Estamos a falar de um paciente muito delicado. Há 20 ou 30 anos estas operações eram impensáveis, pareciam ficção científica. São operações muito difíceis com o recurso a técnicas endoscópicas, que permitem que quase não se toque no bebé. A dinâmica e a exigência técnicas são muito grandes. É preciso muita investigação", explica.

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