Veterinários admitem aceitar pagamentos a prestações

Os consultórios e hospitais veterinários estão a aceitar pagamentos a prestações para evitar que os animais faltem às vacinas ou deixem de ter ração devido às dificuldades económicas dos donos, disse hoje Bruno Rolo, do Sindicato dos Médicos Veterinários.

Em declarações à agência Lusa Bruno Rolo, membro da direção do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários (SNMV), disse que a crise económica está a afetar clínicas, consultórios e hospitais veterinários já que os clientes, apesar da forte ligação aos seus animais de estimação, mostram cada vez mais dificuldades em fazer os pagamentos.

"Sempre existiram dívidas de clientes que tinham problemas em pagar, mas atualmente sente-se com mais intensidade. [Hoje] toda a gente tem casos de pessoas que pagam a crédito, a prestações", disse, acrescentando que os veterinários têm verificado atrasos em consultas e vacinas ou mesmo donos que evitam marcar cirurgias para os seus animais ou deixam de comprar rações de boas marcas e 'brinquedos' para os animais.

"Na minha clínica, não tenho muitas razões de queixa pois os meus clientes regulares continuam a vir, mas não consomem tantas rações de marca, passaram para as de marca branca. Evitam gastar na aplicação de produtos de cosmética e tosquias (...). Na minha clínica facilito as prestações e tenho alguns casos de pagamentos em atraso, porque não tenho outra alternativa, não vou deixar de tratar os animais", disse.

Bruno Rolo salientou que a sua clínica não "é a Santa Casa da Misericórdia dos animais", mas acaba por aceitar muitos casos sabendo que os donos não têm capacidade para pagar, principalmente quando se trata de reformados e desempregados.

Responsáveis de dois consultórios e um hospital da área metropolitana de Lisboa contaram à Lusa que também estão a aceitar pagamentos a prestações, porque os clientes não conseguem pagar e, se não facilitarem, os animais acabam por ser abandonados.

Os mesmos responsáveis, que não quiseram ser identificados, referiram que têm perdido muitos clientes, mesmo aqueles que possuíam apólices de seguro que cobriam consultas, tratamentos e cirurgias.

O veterinário Bruno Rolo explicou à Lusa que, há uns anos, as seguradoras criaram apólices específicas para os animais, não só de responsabilidade civil, mas também com a vertente de comparticipação de consultas, tratamentos, cirurgias ou medicamentos: No entanto, segundo referiu, essas apólices não tiveram o sucesso esperado, ao contrário do que se passa em muitos países europeus.

A Lusa contactou algumas seguradoras que confirmaram ter pacotes direcionados para os animais e que têm registado quebras nas vendas devido à crise que o país atravessa.

Fonte do gabinete de marketing e comunicação do Millennium bcp Ageas Grupo Segurador (Ocidental Seguros) disse à Lusa que, em 2011, foram vendidas 3.425 apólices do Seguro Pétis (de assistência veterinária e medicamentosa), sendo que, até 12 de dezembro do ano passado, o número de apólices vendidas foi de 2.866, o que representa uma quebra de cerca de 16%.

Também uma fonte da seguradora Fidelidade adiantou que houve uma quebra na adesão, enquanto a Mapfre e a Liberty Seguros referiram ter tido um acréscimo no universo deste tipo de seguros.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG