Venezuela. A posição de Portugal não é igual à dos parceiros da UE

Marcelo Rebelo de Sousa em entrevista ao DN para ler na íntegra amanhã

A existência de uma forte comunidade portuguesa a residir na Venezuela (cerca de meio milhão) leva o Presidente da República a defender que "tudo aquilo que se disser é de uma grande responsabilidade, porque esses nossos compatriotas olham para aquilo que é dito ao pormenor". É por isso que se recusa a responder diretamente à pergunta se, perante a grandeza da nossa comunidade no país de Nicolás Maduro, é possível que Portugal venha a votar contra as sanções se elas vierem a ser discutidas na União Europeia (UE), mas recorda que "Portugal está solidário com a UE e a UE, naturalmente, quando tiver de apreciar esta questão, apreciará através do debate entre todos os seus Estados membros, sabendo-se que Portugal está numa situação muito específica". Marcelo quer deixar bem clara a diferença entre Portugal e os seus parceiros europeus, porque "uma coisa é estar a tratar-se de problemas que são importantes para o relacionamento entre a UE e outro qualquer país sem ter lá tantos nacionais, outra coisa é tendo lá tantos nacionais".

O Presidente socorre-se do que o ministro dos Negócios Estrangeiros tem dito sobre este assunto, elogiando-lhe os cuidados de linguagem e até "o rigor jurídico notável para um não jurista". E o que tem dito Augusto Santos Silva sobre a Venezuela? Portugal continua "a defender um acordo genuíno", quer dizer "verdadeiro, de parte a parte, que não é fingido", salienta Marcelo, que volta a citar Santos Silva para lembrar que o ministro defendeu recentemente que esse acordo deve envolver também o calendário pré--eleitoral.

Marcelo sabe bem o quanto é desconhecida para a maioria dos dirigentes dos outros países a importância da comunidade portuguesa na Venezuela. Na sua última viagem ao México falou desse peso ao chefe do Estado mexicano e "ele ficou surpreendido, não tinha a noção". O Presidente português não estranha a surpresa porque "quando encontro parceiros europeus e refiro o número, ficam estupefactos". "Estamos a falar de pessoas de carne e osso, com as suas vidas, de várias gerações, e a grande maioria com a intenção de viver na Venezuela", insiste Marcelo para que se perceba como a posição de Portugal sobre este debate tem uma força própria.

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