Venda de tabaco a granel aumentou 36,5% no primeiro trimestre

A venda de tabaco a granel aumentou 36,5 por cento no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo trimestre de 2010, comprovando uma tendência de crescimento que atinge valores nunca vistos.

De acordo com a presidente da Associação Portuguesa de Armazenistas de Tabaco (APAT), Helena Baptista, a venda de tabaco em maços está a diminuir (cerca de 15 por cento este ano), mas a venda de tabaco "picado" (a granel) "está a crescer exponencialmente".

Esse crescimento é confirmado nos números mais recentes: só de Fevereiro para Março o volume de vendas de tabaco a granel cresceu 15,6 por cento.

No entanto, a tendência global é para a redução das vendas do tabaco, afirmam os responsáveis do sector.

A presidente da APAT apresenta o caso da sua empresa, que cresceu em número de clientes, mas vendeu este ano menos 13 por cento do que no ano passado.

Já no mercado específico do tabaco picado, as vendas na sua empresa cresceram 56 por cento, só que este crescimento não é acompanhado no valor global de vendas, porque o custo deste tabaco é muito mais baixo que o do cigarro em maços.

Os empresários do sector do tabaco estão muito preocupados com o futuro, uma vez que tudo aponta para um decréscimo das vendas de tabaco, devido ao aumento do preço resultante dos constantes aumentos nos impostos.

"O tabaco aumenta, os clientes compram cada vez menos, os quiosques e outros postos de venda estão a fechar dia para dia e desaparecem postos de trabalho", alerta João José Louro Passos, presidente da Associação de Grossistas de Tabaco do Sul, que aponta para um universo de alguns milhares de trabalhadores.

O tabaco a granel, que na gíria dos comerciantes do sector se chama "picado", é cada vez mais procurado nos postos de venda, quer para cigarros enrolados à mão, quer para cigarros feitos em casa através de umas pequenas máquinas que introduzem o tabaco dentro de uns tubos de papel já com filtros.

Uma vez que o tabaco a granel é mais económico, os tubos são relativamente baratos (300 tubos custam cerca de 2 euros) e a máquina tem longa duração e custa entre 5 e 10 euros, esta solução está a ser procurada cada vez mais pelos fumadores.

"A venda de tabaco picado sobe claramente todos os dias e quanto mais caro é o tabaco em maço mais o consumidor foge para o picado, a escolha é exclusivamente económica, poupar", explica Helena Baptista, que falava a propósito do Dia Mundial do Não Fumador, que se assinala na próxima terça-feira.

Constatando que a crise do país está a diminuir a disponibilidade financeira das pessoas, que vão procurar cigarros mais baratos, os empresários do sector receiam que a revisão da directiva europeia sobre o tabaco possa vir a criar ainda mais dificuldades.

Uma das maiores preocupações dos empresários do sector é a ideia que tem vindo a ser discutida de poder vir a ser proibida a venda de tabaco em máquinas.

Receiam principalmente que, ao dificultar o acesso dos consumidores aos artigos, aumente exponencialmente o mercado ilegal.

O aumento do custo dos maços é, por si só, um factor importante para o crescimento do mercado ilegal, que não paga impostos: "Não tenho dúvidas de que quando o tabaco aumentar outra vez o consumo vai descer drasticamente, vai é crescer o mercado ilegal, disso não tenho qualquer dúvida", afirma Helena Baptista, da APAT.

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