"Vazio deixado pela demissão deve ser resolvido rapidamente"

"Os serviços de segurança não podem parar, nomeadamente o SEF,", disse Acácio Pereira, responsável do sindicato.

O "vazio governativo" causado pela demissão de Miguel Macedo deve ser resolvido o mais rapidamente possível porque "os serviços de segurança não podem parar", diz responsável do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), Acácio Pereira.

"Esperamos [sindicato] que o vazio governativo seja resolvido o mais rapidamente possível porque os serviços de segurança não podem parar nomeadamente o SEF, que continua a trabalhar", disse Acácio Pereira.

O ministro da Administração Interna (MAI), Miguel Macedo, anunciou domingo a sua demissão do cargo de ministro da Administração Interna, garantindo não ter qualquer intervenção no processo dos vistos 'gold', mas reconhecendo que a investigação em curso o deixou com "autoridade diminuída".

Em declarações hoje à Lusa, o presidente do SCIF/SEF disse compreender as razões que levaram o ministro da Administração Interna de pedir a demissão do cargo.

"O senhor ministro fez a opção política que entendeu necessária e adequada ao momento. O sindicato compreende a decisão que Miguel Macedo tomou face aos dados conhecidos entretanto", declarou Acácio Pereira.

Instada pela Lusa a comentar a decisão de Miguel Macedo, a presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SINSEF), Manuela Niza, não quis falar sobre este assunto.

Várias pessoas próximas de Miguel Macedo, como o presidente do Instituto de Registos e Notariado, António Figueiredo, e o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Palos, estão a ser investigados no âmbito da Operação Labirinto, que visa alegados casos de corrupção na atribuição de vistos 'gold'.

Numa declaração lida domingo no Ministério da Administração Interna, Miguel Macedo disse não ter "qualquer responsabilidade pessoal" no caso de atribuição alegadamente fraudulenta de vistos dourados, que está a ser investigado no âmbito da Operação Labirinto, mas reconheceu que não tinha condições políticas para se manter no cargo.

Algumas pessoas com relações pessoais e profissionais a Miguel Macedo estão a ser averiguadas no âmbito dessa operação policial.

Miguel Macedo é a quarta baixa doXIX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho, depois de Miguel Relvas em abril de 2013 e de Vítor Gaspar e Álvaro Santo Pereira em julho do mesmo ano.

O percurso de Miguel Macedo enquanto ministro da Administração Interna ficará marcado pelas duas maiores manifestações de sempre dos polícias, tendo uma delas terminado com a invasão da escadaria da Assembleia da República.

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